06/12/2013

Entrevista: Conversando com Papai Noel

Quem é você, Papai Noel?
PAPAI NOEL - A minha história começou como Santa Klauss, bispo de Antioquia (também chamada de Constantinopla e Istambul), na hoje Turquia, onde me tornei conhecido como sábio, com muito carinho e cuidado dos menos favorecidos, tanto de minha paróquia como das vizinhanças. Fui eternizado como o "bom velhinho", gerente da fábrica de brinquedos e piloto de trenó, entre outros adjetivos.
Hoje, uma das pessoas que me representa no Brasil é o Martinho Krebs, pastor emérito da IELB, músico (organista, cantor, regente e compositor), administrador empresarial e consultor de Recursos Humanos.

Como surgiu a ideia e a oportunidade de ser Papai Noel?
PAPAI NOEL - Nos idos de 280 A.D., eu era padre e me chamava Nicolau, e um dia soube que um pai muito pobre estava por "vender" uma de suas filhas para conseguir recursos para sustentar a família por mais algum tempo. Compadecido com as dificuldades daquela família, coloquei algumas moedas de alto valor num saquinho e o joguei pela janela dentro daquele pobre lar. Com esse gesto, evitei a terrível venda. Passei então a distribuir sacolinhas com dinheiro ou bolachas nas casas pobres, e se portas e janelas estivessem fechadas, jogava-os pela chaminé ou pendurava-os nas árvores próximas à porta. As famílias se acostumaram com os presentes distribuídos sempre à noite a ponto de os pais mandarem as crianças cedo para a cama, no aguardo das surpresas na manhã de Natal.
MARTINHO KREBS - Meu cunhado se tornou Papai Noel nas festas natalinas do Hospital de Clínicas e dali para as redes de shoppings. Ele me convidou a assumir estas vagas, já que aguardava ser chamado por alguma paróquia (igreja). Antes de aceitar o desafio, aconselhei-me com o então presidente da IELB, dizendo que, para cada pessoa que viesse falar comigo (como Noel), perguntaria: "O que você quer ganhar na Noite do Menino Jesus?".

Quais são as alegrias e as dificuldades desta função?
PAPAI NOEL - Atender os congregados e as famílias da região com amor e fraternidade, cuidando das necessidades, materiais e espirituais de cada ser humano, além de trazer alegria e entusiasmo a meu sacerdócio, levou-me a ser nomeado bispo e canonizado "Santo". Em 303, o imperador Deocleciano quis me tornar um deus. Neguei-me a aceitar isso, pelo que fui preso, com todos os meus paroquianos que também só aceitavam o único e verdadeiro Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Fiquei a pão e água até que o novo imperador, Constantino, libertou-me e devolveu-me o bispado de Mira, até a minha morte, em 6 de dezembro de 343.
MARTINHO - Como Papai Noel, posso lembrar a cada ano, a pelo menos 13 mil pessoas, as virtudes da bondade, do respeito e do entendimento familiar. Jovens, crianças e adultos se mostram receptivos à mensagem do amor de Deus e do amor entre as pessoas. Pacientes de hospitais, doentes terminais e pessoas com diferentes limitações ficam na fila de crianças e outros adultos em busca de palavras e gestos de acolhimento.
Ajuda muito dominar algumas palavras em Alemão, Inglês, Espanhol, Italiano e Francês. Há também inveja de colegas, descrença de debochados, exigências de marqueteiros, atritos da equipe que atua junto ao Papai Noel. Estou particularmente vivendo alguma repulsa ao meu trabalho por defender a não violência, aconselhando crianças a mudar seus pedidos de armas de brinquedo. O comércio desenfreado sabe ser agudo e cruel. E o bom velhinho deve dar o que as crianças pedem. Mesmo que custe muito. Que custe a consciência, a moral e os bons costumes.

Qual é a sua mensagem às pessoas, em especial, às crianças em relação ao Natal?
PAPAI NOEL - Quem é comportado, obedece pais e professores, não briga com os irmãos e deixa de chupar bico ganha pre-sentes e tem suas preferências atendidas: bonecas e carrinhos, roupas do Homem-Aranha, computadores e tablets, celulares mais sofisticados, retorno de pais separados, entre outras. Crianças desobedientes antiga-mente eram chicoteadas ou ganhavam varas de marmelo; hoje são ameaçadas de serem “sequestradas” pelo bom velhinho. Os adolescentes querem passar de ano ou no vestibular. Adultos pedem o amor do consorte de volta, compreensão da família, saúde e ânimo para a vida, patrão mais tolerante e "mão aberta" ou somente a ajuda do marido nas tarefas da casa. Coisas muito materiais, mediatas e palpáveis. "Dinheiro pra dar e vender."
MARTINHO - Sabendo que cada pessoa que se aproxima, só ou acompanhada de familiar ou babá, na verdade é um(a) filho(a) amado(a) de Deus e alvo do seu amor incondicional, não há como esquecer que somos enviados a compartilhar e testemunhar este amor. "Insta, quer seja oportuno, quer não", lembra o apóstolo Paulo. Os que simpatizam com o Papai Noel e voltam várias vezes por temporada, oportunizam conversas e conselhos mais elaborados, detalhados e profundos. Entre as "não crianças" também há contatos, empatia, amizade e exemplo aos funcionários que interagem com o Papai Noel: noeletes, supervisoras, seguranças, gerentes de marketing, funcionários das lojas.

Você acha que o Papai Noel pode ir à igreja para entregar presentes às crianças?
PAPAI NOEL - Minha origem filantrópica dentro da igreja foi sendo esquecida depois que a figura do Papai Noel foi adotada por uma megaempresa que alterou as cores e vestimentas do Santa Klaus e sugere apenas prazer e alegria físicos. Neste sentido, não há como me admitir dentro da igreja logo após o programa de Natal: cânticos, mensagens, versinhos e pregação vão ser esquecidos as-sim que o Papai Noel entregar os pacotinhos.
MARTINHO - Sinto-me honrado em ter participado de um devocional dirigido pelo pastor Egon Kopereck no Advento do ano passado. Na ocasião, vestido e falando como Papai Noel, lembrei que: a) O Papai Noel é um ouvidor das necessidades pessoais; b) recebe pedidos por alimentos, ferramentas, medicamentos, conselhos e tudo mais que refere às carências de qualquer pessoa; c) o bom velhinho nem sempre pode dar o que lhe pedem, mas certamente pode dar um sorriso, um ouvido atento e um abraço (Jesus nasceu no Natal para ser o Deus Conosco ao abraçar o mundo, na cruz, vertendo sangue inocente pelos pecados de todas as pessoas, para torná-los filhos e filhas abençoados do Pai que nos ama e nos ensina a pedir "Pai nosso").
Diante disso, creio que o Papai Noel pode entrar na igreja, sim, desde que aponte para Cristo (nosso Senhor e Salvador), lembre a fidelidade do bispo Santa Klauss e reforce toda mensagem de amor, distribuição de presentes e manifestações de comunhão daquele que é o presente divino a todo mundo (Cristo para todos).

Qual é o seu recado aos leitores do Mensageiro Luterano ?
PAPAI NOEL - Sou Santa Klauss e desejo a todos um Feliz Natal! "Ho, ho, ho!".
MARTINHO - Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a Vida Eterna.
Tenho consciência de que o meu "testemunho do amor de Deus" não é a principal razão da minha contratação para ser Papai Noel. Mas a minha convicção de fé e a minha formação cristã e teológica não me permitem silenciar esta dádiva.

Entrevista publicada no Mensageiro Luterano, dezembro de 2013, págs. 32 e 33.

Comemoração de Nicolau de Mira, Pastor – 6 de dezembro


Dos muitos santos comemorados pela Igreja Cristã, Nicolau († 342 d. C.) é um dos mais conhecidos. Historicamente muito pouco se sabe sobre ele, embora houvesse uma igreja de São Nicolau, em Constantinopla, logo no início do século VI. Pesquisas tem afirmado que no século IV havia um bispo com o nome de Nicolau na cidade de Mira, na Lícia (parte da atual Turquia). A partir dessa localização costeira, tradições a respeito de Nicolau viajaram ao longo do tempo e do espaço. Ele é associado com a caridade em muitos países ao redor do mundo e retratado como auxiliador dos marinheiros, protetor das crianças e amigo de pessoas em aflição ou necessidade. Em comemoração a “Sinte Klaas” (São Nicolau em holandês; em Inglês é “Santa Claus”), o dia 6 de dezembro é o dia para dar e receber presentes em muitas partes da Europa.

LEITURAS:

† Salmo 37 
† 2 Coríntios 1.3-7
† São Lucas 12.35-40

ORAÇÃO DO DIA: 

Todo-poderoso Deus, que concedeste a teu servo Nicolau de Mira a dádiva perpétua da caridade. Concede à tua Igreja a graça de tratar com generosidade e amor as crianças e todos os que estão pobres e aflitos e defender a causa dos que não têm ajudadores, especialmente aqueles abalados pelas tempestades da dúvida e da dor. Pedimos isso por amor daquele que deu a sua vida por nós, teu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2009. p. 989)

05/12/2013

Segundo Domingo no Advento – 4 de dezembro de 2013

“A Pregação de São João Batista” (1505), Rafael Sanzio (1483–1520)
Pela pregação do arrependimento somos preparados para a vinda do Senhor

E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizendo: Arrependei-vos” (Mt 3.1-2). A sua pregação de arrependimento para a remissão dos pecados preparou o povo para a vinda de Cristo ao mundo. A obra de São João Batista foi completada historicamente com o Advento de Jesus na carne, mas o seu ministério vital continua na pregação da Lei e do Evangelho. O Filho de Deus veio na carne “um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo” (Is 11.1), e continua a dar frutos de justiça. Sua boa árvore da cruz está “posta por estandarte dos povos” (Is 11.10), pela qual Ele chama as nações ao arrependimento. “Com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios” (Is 11.4), Ele mata os perversos e traz os mortos à vida, fazendo suscitar filhos de Abraão das pedras sem vida. Assim também a “raiz de Jessé” vem a nós, “naquele que se levantar para reger os gentios” (Rm 15.12), a fim de que “tenhamos esperança” e sejamos preenchidos “de todo o gozo e paz em crença”.

LEITURAS:

† Antigo Testamento: Isaías 11.1-10
† Salmo: Salmo 72.1-7 (antífona v. 18)
† Epístola: Romanos 15.4-13
† Santo Evangelho: S. Mateus 3.1-12

ORAÇÃO DO DIA:

Senhor Deus, age em nossos corações para prepararmos o caminho ao teu único Filho para que pela sua vinda sejamos capacitados a te servir com a mente purificada; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém. 

04/12/2013

São João Damasceno: Exposição sobre a fé


Vosso Pai, que está no céu, não quer que se perca um só destes pequeninos

Exposição sobre a fé

Vós me formastes, Senhor, do corpo de meu pai; Vós me formastes no ventre de minha mãe; Vós me fizestes sair à luz, menino e nu, porque as leis da natureza seguem sempre os vossos preceitos. Com a bênção do Espírito Santo preparastes a minha criação e a minha existência, não por vontade do homem, nem por desejo da carne (Jo 1.13), mas pela vossa graça inefável. Preparastes o meu nascimento com cuidado superior ao das leis naturais, fizestes-me sair à luz do dia adotando-me como vosso filho (Gl 4.5) e me contastes entre os filhos da vossa Igreja santa e imaculada.

Vós me alimentastes com o leite espiritual dos vossos ensinamentos. Vós me sustentastes com o vigoroso alimento do Corpo de Cristo, nosso Deus, Filho Unigênito, e me embriagastes com o cálice divino do seu Sangue vivificante que Ele derramou pela salvação de todo o mundo.

Porque vós, Senhor, nos amastes e nos destes o vosso único e amado Filho para nossa redenção, que Ele aceitou voluntária e livremente... E assim, Senhor Jesus Cristo, meu Deus, Vos humilhastes para me levardes aos ombros como ovelha perdida e me apascentastes em verdes pastagens (Sl 22.2); Vós me alimentastes com as águas da verdadeira doutrina por meio de vossos pastores, aos quais Vós mesmo alimentais, para que, por sua vez, alimentem a vossa grei, escolhida e nobre.

-- São João Damasceno (c. 676-749), teólogo e pastor

Comemoração de João Damasceno, Teólogo e Escritor de Hinos - 04 de dezembro

João Damasceno, ícone arábico de Damasco (Síria), séc. XIX, atribuído ao iconógrafo Ne'meh Naser Homsi.
São João Damasceno (c. 675-749) é conhecido como o grande compilador e sumarizador da fé ortodoxa e o último grande teólogo grego. Nascido em Damasco, João abriu mão de uma posição influente na corte islâmica para devotar-se à fé cristã. Por volta de 716 entrou num mosteiro perto de Jerusalém e foi ordenado sacerdote. Quando o imperador bizantino Leão III Isáurio emitiu um édito em 726 proibindo imagens (ícones), João resistiu vigorosamente. Em seus Discursos Apostólicos argumentou a favor da legitimidade da veneração de imagens, o que lhe valeu a condenação do Concílio iconoclasta de Hieria em 754. João também escreveu defesas da fé ortodoxa contra heresias contemporâneas. Além disso, ele foi um talentoso escritor de hinos (“Vinde, vós, fiéis, cantai triunfantemente!” e outros) e contribuiu para a liturgia das igrejas bizantinas. Sua maior obra foi a Fonte da Sabedoria, um grande compêndio de verdades de teólogos cristãos que vieram antes dele, cobrindo praticamente cada tópico doutrinário concebível. O sumário da fé ortodoxa de João Damasceno deixou uma marca duradoura sobre ambas as igrejas oriental e ocidental.

LEITURAS:

† 1 Coríntios 15.12-20
† São João 5.24-27
† Salmo 118.14-21 ou Salmo 16.5-11

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Senhor, por meio de teu servo João Damasceno, proclamaste com poder os mistérios da fé verdadeira. Confirma a nossa fé para que possamos confessar que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, cantando o louvor ao Senhor ressuscitado e para que, pelo poder da ressurreição, também possamos alcançar as alegrias da vida eterna, através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2009. p. 981)

03/12/2013

Devocionário Castelo Forte com mensagens de Lutero

Em 1983, nos 500 anos do aniversário de nascimento de Martinho Lutero, a Comissão Interluterana de Diálogo dedicou as páginas do devocionário CASTELO FORTE a trechos selecionados do que Lutero disse e escreveu como intérprete da Bíblia.

Neste link as mensagens estão organizadas por temas, assuntos e passagem bíblica.


01/12/2013

Evangelho Dominical - Primeiro Domingo no Advento

“Entrada de Cristo em Jerusalém” (c. 1617), Sir Anthony van Dyck (1599-1641)
Evangelho segundo S. Mateus 21.1–11

21.1   Quando Jesus e os discípulos estavam chegando a Jerusalém, pararam no povoado de Betfagé, que fica perto do monte das Oliveiras. Dali Jesus enviou dois discípulos na frente,
21.2   com a seguinte ordem: — Vão até o povoado que fica ali adiante e, logo que vocês entrarem lá, encontrarão uma jumenta presa e um jumentinho com ela. Desamarrem os dois e os tragam aqui.
21.3   Se alguém falar alguma coisa, digam que o Mestre precisa deles. Assim deixarão vocês trazerem logo os animais.
21.4   Isso aconteceu para se cumprir o que o profeta tinha dito:
21.5   “Digam ao povo de Jerusalém: Agora o seu rei está chegando. Ele é humilde e está montado num jumento e num jumentinho, filho de jumenta.”
21.6   Então os discípulos foram e fizeram o que Jesus havia mandado.
21.7   Levaram a jumenta e o jumentinho, jogaram as suas capas sobre eles, e Jesus montou.
21.8   Da grande multidão que ia com eles, alguns estendiam as suas capas no chão, e outros espalhavam no chão ramos que tinham cortado das árvores.
21.9   Tanto os que iam na frente como os que vinham atrás começaram a gritar: — Hosana ao Filho de Davi! Que Deus abençoe aquele que vem em nome do Senhor! Hosana a Deus nas alturas do céu!
21.10   Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou agitada, e o povo perguntava: — Quem é ele?
21.11   A multidão respondia: — Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia.

Bíblia Sagrada - Nova Tradução na Linguagem de Hoje (SBB)