19/11/2014

Isabel da Hungria, Lutero e Catarina e a Caridade Cristã

Santa Isabel da Hungria
 Nossos irmãos do Sínodo Missouri são ricamente agraciados com um livro devocional chamado Treasury of Daily Prayer (Tesouro de Oração Diário). O nome diz tudo. São preciosas meditações e orações para todos os dias, organizadas de acordo com o calendário litúrgico e que auxiliam os cristãos a orar sem cessar. Nas palavras do Prof. John T. Pless (Concordia Theological Seminary, Fort Wayn, EUA), este é um livro que leva a sério a compreensão de Lutero do Catecismo como um texto para ser rezado, sendo um testemunho literário da vitalidade espiritual do luteranismo confessional e ortodoxo. O Rev. Dr. R. Reed Lessing (Concordia Seminary, St. Louis, EUA) recomenda o Treasury para aquele que “deseja ser como o salmista, que medita na palavra de Deus de dia e de noite (Sl 1.2) de modo de que sua vida seja marcada pelo fruto duradouro do Espírito (Sl 1.3)”.

Muitas das publicações que postamos aqui têm sua fonte no Treasury, especialmente aquelas relativas à comemoração dos santos da igreja, que fazem parte da grande nuvem de testemunhas que nos rodeia (Hb 12.1). Desta forma e no espírito da Confessio Augustana, nos lembramos em nossas devoções diárias destes santos “para fortalecer a nossa fé ao vermos como receberam graça e foram ajudados pela fé; e, além disso, a fim de que tomemos exemplo de suas boas obras, cada qual de acordo com sua vocação” (CA XIV).

Para hoje, dia de Santa Isabel, o Treasury oferece uma bela oração, pedindo a Deus: “Poderoso Rei, cuja herança não é deste mundo, incute em nós a humildade e a benevolente caridade de Isabel da Hungria” (p. 929). Isabel é uma luz brilhante para o povo de Deus, apontando o caminho para acolhermos cada pessoa como sendo o próprio Cristo, e cada necessidade e sofrimento como sendo do próprio Cristo.

O Treasury ainda traz um trecho do comentário do Dr. Lutero sobre Gênesis 18.5: “… o próprio Deus está em nossa casa, está sendo alimentado em nossa casa, está deitado e descansando, todas as vezes que algum irmão piedoso no exílio por causa do Evangelho vem à nós e é recebido com hospitalidade por nós. Isso é chamado de amor fraternal ou caridade cristã. […] Se alguém crê sinceramente que está recebendo o próprio Senhor quando recebe um irmão pobre, não haveria necessidade de tais exortações ansiosas, zelosas e solícitas para fazer obras de amor. Nosso cofre, despensa e compaixão seriam abertos de uma vez em benefício dos irmãos. Não haveria nenhuma má vontade e juntamente com o piedoso Abraão correríamos ao encontro das pessoas miseráveis, as convidaríamos para entrar em nossas casas, apoderaríamos desta honra e distinção antes dos outros e diríamos: ‘Ó Senhor Jesus, vinde a mim. Desfruta meu pão, vinho, prata e ouro. Como isto está sendo bem investido por mim quando invisto em Ti!’ ” (pág. 928)

O que Lutero escreve aqui captura muito bem o espírito de Santa Isabel e também o que ele e sua esposa Catarina viveram. Eles sempre tiveram hóspedes à mesa: pastores que buscavam asilo, estudantes universitários, simpatizantes, amigos e afins. Coincidentemente, Santa Isabel e a família de Lutero ocuparam, em épocas distintas, a mesa casa, como célebres moradores do Castelo de Wartburgo. Ali Lutero recebia seus hóspedes assim como na Regra de São Bento, em que um monge quando recebia um estranho à porta, devia prostrar-se na frente do hóspede, pois Cristo é recebido na pessoa dele: "Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes" (Mt 25.35). As pessoas e discussões à mesa de Lutero eram tantas que os convidados tomaram notas do que finalmente veio a se tornar a volumosa coletânea de "Conversas à Mesa" (Tischreden, em alemão). Lutero tinha pouco senso de dinheiro e era desapegado. Lamentavelmente, após a sua morte, Catarina não tinha muito para viver.

Neste dia nos lembramos de Santa Isabel, e também de Martinho Lutero e sua esposa Catarina, como cristãos fiéis que acolheram em hospitalidade os peregrinos e damos graça a Deus que nos acolheu por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo e nos tornou herdeiros de seu reino celestial.

Comemoração de Santa Isabel da Hungria – 19 de novembro

“Santa Izabel da Hungria cuidando dos doentes” (c. 1671-74), Bartolomé Esteban Murillo (1617-1682)

Nascida em Pressburgo, Hungria, no ano de 1207, Isabel era filha do rei André II e sua esposa Gertrudes. Dada como noiva num casamento político arranjado, Isabel se tornou esposa de Ludovico da Turíngia, na Alemanha, aos 14 anos de idade. Ela tinha um espírito de generosidade e caridade cristã e a casa que ela estabeleceu para o marido e os três filhos no Castelo de Wartburg em Eisenach era conhecida pela hospitalidade e amor familiar. Isabel supervisionava frequentemente o cuidado dos doentes e necessitados e chegou a dar sua cama para um leproso certa vez. Viúva aos 20 anos, ela deixou provisões para seus filhos e levou uma vida austera como freira da Ordem de São Francisco. Seu desprendimento a levou a uma debilitante saúde e à morte precoce em 1231 com a idade de 24 anos. Lembrada por seu modo abnegado, Isabel é comemorada pelos inúmeros hospitais em todo o mundo que levam seu nome.

LEITURAS:

† Salmo 109.20-25
† Tobias 12.6b-9
† 2 Coríntios 8.7-15
† São Lucas 6.35-38


ORAÇÃO DO DIA:

Poderoso Rei, cuja herança não é deste mundo, incute em nós a humildade e a benevolente caridade de Isabel da Hungria. Ela rejeitou sua adornada coroa ao contemplar aquela de espinhos que seu Salvador usou por amor dela e nosso, para que nós também possamos viver uma vida de sacrifício, agradável a teus olhos e digna do nome de teu Filho, Jesus Cristo, que com o Espírito Santo reina contigo para sempre no reino eterno. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (Concordia Publishing House,2008. p. 929)

16/11/2014

Evangelho Dominical – Vigésimo Terceiro Domingo após Pentecostes (Próprio 28 – Ano A)

“A Parábola dos Talentos”, John Morgan (1822 – 1885)

Evangelho segundo S. Mateus 25.14-30

14 Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.
15 A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro, um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu.
16 O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco.
17 Do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois.
18 Mas o que recebera um, saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.
20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22 E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.
23 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
24 Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse: Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste,
25 receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.
26 Respondeu-lhe, porém, o senhor: Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
27 Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.
28 Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez.
29 Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
30 E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

- Bíblia Sagrada J. F. de Almeida Revista e Atualizada (SBB)

15/11/2014

Vigésimo Terceiro Domingo após Pentecostes – 16 de novembro de 2014 (Próprio 28 – Ano A)

“Cristo chorando sobre Jerusalém” (1851), Ary Scheffer (1795–1858)
O dom do perdão de Deus produz nosso perdão aos outros

O Dia do Senhor "está perto, e se apressa muito" e será um "dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação" (Sf 1.14, 15). O Senhor esquadrinhará e castigará os homens "que dizem no seu coração: o Senhor não faz bem nem faz mal" e aqueles "que enchem o templo do seu Deus com riquezas arrancadas pela fraude e pela violência" (Sf 1.9, 12). Por isso todas as suas obras e esforços serão em vão, pois "edificarão casas, mas não habitarão nelas, e plantarão vinhas, mas não lhes beberão o seu vinho" (Sf 1.13). Mas aqueles que temem, amam e confiam no Senhor é "servo bom e fiel" dos bens do Senhor (Mt 25.21). Eles vivem pela fé no dom gratuito do perdão divino, multiplicam os bens do Senhor em perdão amoroso ao próximo e "o senhor daqueles servos" ajusta suas contas com eles através do gracioso acerto de seu Evangelho (Mt 25.19). Do mesmo modo, "Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Ts 5.9). Portanto, vamos nos revestir "da couraça da fé e do amor" em nossas relações uns com os outros (1 Ts 5.8).

Cor litúrgica: Verde

LEITURAS:

† Antigo Testamento: Sofonias 1.7-16
† Salmo: Salmo 90.1-12 (antífona v. 17)
† Epístola: 1 Tessalonicenses 5.1-15
† Santo Evangelho: S. Mateus 25.14-30


ORAÇÃO DO DIA:

Deus Todo-poderoso e sempre vivo, que fizeste promessas extraordinariamente grandes e preciosas àqueles que confiam em ti, afasta de nós as obras das trevas e concede-nos viver na luz de tu Filho Jesus Cristo, a fim de que nossa fé nunca esteja ausente; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Homilia: Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora

Compartilho o estudo homilético e sermão pregado pelo amigo Rev. Elissandro Silva, na Igreja Luterana Santíssima Trindade de Curitiba/PR, no último dia 09 de novembro de 2014.


Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora
Sl 70, Amós 5.18-24; I Ts 4.13-18; Mt 25.1-13

CONTEXTO LITÚRGICO:

Jesus, O Senhor da Igreja, concedeu a sua Santa Igreja a oportunidade chegar ao final de mais um ano eclesiástico. O atual domingo, 27º próprio, é e pode ser intitulado como o "Antepenúltimo Domingo do Ano Eclesiástico".
Nestes três domingos finais ocorrem uma mudança de temática ganhando um tom escatológico. No final do ano eclesiástico nada mais adequado do que falar ou nos preparar par este momento. Segundo Dr Arthur Just, o dia de Todos os Santos é a ponto de transição entre o ano da Igreja, período pós-pentecostes, e o tom escatológico dos últimos domingos do ano da Igreja.[1]


ESTUDOS DOS PRÓPRIOS DO DIA:
 
Leituras:

Salmo 70: O Salmo 70.1 é conhecido por todo aquele que já em algum momento cantou ou recitou as belas palavras da ordem das Matinas ou das Vésperas. Em todos os tempos é adequado clamar pelo socorro de Deus, mas fica ainda mais adequado quando se reflete na consumação dos tempos. Dentro desta linha, suplica por auxílio, o quinto verso fecha com chave de ouro o Salmo e pode ser o trilho que conduz os pensamentos e mentes enquanto se reflete sobre o fim dos tempos: “Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em valer-me, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. SENHOR, não te detenhas!” Este pedido de socorro é bem expresso nas linhas finais de Apocalipse: “Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).

Amós 5.18-24: A pregação de Amós ocorreu diante de uma nação próspera. Devido as “questões políticas e econômicas” que ocorriam no de redor Samaria, capital do Reino do Norte, estava rica e próspera, no entanto o fruto disto não era partilhado com o povo, muito pelo contrário, ficava restrito nas mãos de poucos.
A ampla prosperidade lhes deu segurança e confiança que tudo estava indo muito bem. Prestavam cultos ao Deus verdadeiro, mas não se afastavam de Deuses falsos, da idolatria. Havia grande injustiça, corrupção no juízo. A religião estava amplamente divorciada da conduta, no culto as coisas iam bem, exteriormente seguiam as regras.  Com este ar de segurança desejavam o Dia do Senhor, como se fosse um dia de maravilhas que Deus os faria.
Diante deste quadro, Amós prega que o Dia do Senhor, especialmente no contexto que eles viviam, será de julgamento. O dia do Senhor é tanto Lei, como Evangelho, tudo vai depender se está a “direita” ou a “esquerda”.[2]
O versículo 8b fala sobre o dia do Senhor como dia de trevas: “Ai de vós que desejais o Dia do SENHOR! Para que desejais vós o Dia do SENHOR? É dia de trevas e não de luz.” Dia de trevas e não de luz.
Outro ponto que pode ser destacado é sobre a questão das trevas. Podemos comparar as trevas como descrita pelo profeta Amós e as trevas da Sexta-feira Santa. A escuridão que Amós saliente é o julgamento. As trevas da Sexta-Feira apontam o próprio Deus que se fez carne, fonte de toda vida, morrendo para dar a vida eterna.

I Tessalonicenses 4.13-18: O Apóstolo Paulo fala sobre os cristãos que morreram no Senhor, pois, eles precederam os que estiverem vivos, sendo os primeiros a experimentarem a ressurreição no dia do SENHOR. É interessante observar que o Apóstolo Paulo define a morte do cristão como um dormir. E nos deixa uma mensagem importante, pois, sinaliza quais devem ser as palavras diante da morte: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.”

Mateus 25.1-13: Não é a primeira vez que Cristo fala em dois grupos dentro de seus seguidores. Na parábola do trigo e do joio encontra-se essa dualidade. No relato da história do fariseu e o publicano estes dois grupos são bem representados nestes dois personagens. Na parábola das dez virgens também pode-se observar estes dois grupos, as sábias e as néscias.
Os elementos envolvidos na parábola nos parece ser bem claro: o noivo é Cristo; o encontro com o noivo trata-se do retorno de Cristo; as virgens são os cristãos. Já as lâmpadas e o óleo foram interpretados de diferentes formas, creio que mais relevante do que destacar o que é significa cada elemento é destacar a questão do estar preparado para o encontro com Cristo.
É interessante observar a questão das virgens: todas, teoricamente eram cristãs, no sentido que estavam esperando pelo noivo. Todas tinham em algum momento suas lâmpadas acesas. Todas em algum momento tinham óleo. A questão qual a diferença entre os dois grupos.
Três pontos podem ser destacados[3]:
  1. Preparação divina para a eternidade: o óleo (Palavra, Batismo, Santa Ceia) e as lâmpadas (boas obras acompanhavam).
  2. Fraqueza humana no curso de vida (dormindo) – mesmo tendo o Espírito Santo – a Palavra – Santo Batismo, não deixa de pecar, prova disto que mesmo as virgens prudentes estavam dormindo.
  3. Conduta cristã em cada hora de decisão: lâmpadas acesas – preparadas para todos os momentos

Introito: O introito do próprio 27 tem como base o salmo 84.1,9-12 e a antífona é Salmo 84.3 [4]. O introito fala do tabernáculo de Deus e neste tempo de reflexão escatológica refletir sobre o tabernáculo eterno do Senhor é muito prudente.  

Coleta do Dia[5]: A coleta traz temas relevantes: 1) suplica pela volta de Cristo; 2) reunião dos cristãos com Cristo; 3) festa do casamento, a festa do Cordeiro.

Gradual: O gradual para estes três últimos domingos do ano eclesiástico, série A, tem como base Apocalipse 7.14b e Salmo 84.5[6]. Dois pontos podem ser destacados: 1) lavar-se no sangue do Santíssimo Cordeiro de Deus e o 2) e bem aventurado que tem sua força em Deus.

Verso: O verso enfatiza o décimo terceiro capítulo de Mateus 25: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”.

Prefácio Próprio: Dos prefácios que estão à disposição no livro de liturgia, destaco o comum 1 e comum 3, pois destacam a vida eterna de forma explicita. Comum 1: “pela sua gloriosa ressurreição abriu para nós o caminho da vida sem fim”. Comum 3: “Ressuscitado dos mortos, Ele nos livrou da morte eterna e nos deu vida sem fim”. Vida eterna, dia do Senhor e tons escatológicos cantam numa mesma nota.

ENCAMINHAMENTO HOMILÉTICO:

A vinda de Cristo pode assumir duas perspectivas:
  • Lei: A vinda de Cristo para os não cristãos será um acontecimento funesto. A exemplo do que disse o profeta Amós em sua pregação ao Reino do Norte, onde afirma que o Dia do Senhor será envolto de trevas.
  • Evangelho: já para os cristãos a vinda de Cristo, tanto para os vivos, como para os mortos é grande expectativa, o grande consolo.
  • Tema: Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora


ESTRUTURA DO SERMÃO:
  • Introdução: final do ano da Igreja / vinda de Cristo
  • Lei: a vinda de Cristo será, para os não fiéis, um dia de grandes terrores – falar sobre o contexto de Amós.
  • Evangelho: O Evangelho vem do Salmo 70, que afirma que Deus, em Cristo, é um auxílio e proteção. Situação dos que morreram em Cristo.
  • Vida Prática: divisão em dois grupos: com Cristo e os sem Cristo. Aos que estão com Cristo fica a lembrete para sempre estarem agarrados com Cristo, a parábola das dez virgens.
  • Conclusão: usar como conclusão a última estrofe do hino 220 do Hinário Luterano.


SERMÃO
Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora

     Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão com o Espírito Santo seja com todos vós. Amém.

     Dos textos lidos destaco: “Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora”. Que Deus Espírito Santo guarde estas palavras em vossos corações e mentes para a vida eterna. Amém.

     Oremos: “Gracioso Deus, tu és a fonte de toda graça e misericórdia, suplicamos que fortaleças a nossa fé em Jesus Cristo a fim de que vigiando aguardemos o glorioso retorno de nosso Senhor Jesus Cristo. Pelo mesmo Cristo, nós oramos.”


     Meus caros irmãos, irmãs, prezados ouvintes, caminhamos a passos largos em direção a mais um final do ano da Igreja.  Daqui a três finais de semana estaremos acendendo a primeira vela de Advento, início de um novo ano da Igreja e também preparação para o Santo tempo de Natal.
     Nestes três últimos domingos, dia 09, 16 e 23 de novembro, somos convidados a desviar os nossos olhos do passado, do hoje e olharmos para o futuro, para o dia do Senhor, para o retorno de Cristo.
     O retorno de Cristo é a nossa esperança, pois, será o dia que Ele nos levará para junto de si. Viveremos na presença de Deus Pai. Viveremos com todos aqueles que nos precederam. Não haverá nem morte e nem pranto, pois, Deus secará de nossos olhos toda lágrima. A dor e o sofrimento cessarão, tudo será como no jardim do Éden.
     Será que a vinda de Cristo vai ser um dia maravilhoso? Com toda certeza será. No entanto, também será um dia tenebroso. Como pode ser um dia maravilho e tenebroso? Será um dia de muita alegria para aqueles que confiaram em Jesus e na sua obra. Mas para aqueles que desprezaram a salvação, será o pior dia de suas vidas.
     Vários profetas do Antigo Testamento descrevem este dia com a expressão “Dia do Senhor”, dia em que Deus julgará a todos. Gostaria de chamar atenção para a pregação do Profeta Amós.
     Amós foi enviado da parte de Deus a fim de chamar o povo de Deus ao arrependimento e que eles deixassem os seus caminhos maus e voltassem para os caminhos do SENHOR. Diante os olhos de Deus a situação estava critica.
     Na perspectiva do povo, tudo estava muito bem. O reino prosperava a ponto de torna-se um importante centro comercial. No entanto, a riqueza acumulada não era compartilhada entre todos, ficava nas mãos de poucos. As acusações que foram feitas eram pesadas: juízes eram subornados; os pobres oprimidos, explorados e escravizados. Essa conversa não nos parece familiar?
     No quesito religioso as coisas pareciam bem. Eles não negligenciavam o culto a Deus, pois faziam os sacrifícios que lhes era ordenado. No entanto, não tinham nenhum problema em fazê-lo também para outros deuses. Existia uma miscelânea de deuses e cultos. Essa conversa não nos parece familiar?  Confio em Deus, mas para garantir levarei meu filho na benzedeira. Confio em Deus, mas vou checar meu horóscopo. Como diríamos atualmente: todos os caminhos levam a Deus
     Todas essas condições deram aos líderes da nação uma segurança tão grande, que eles clamavam pelo dia do Senhor. Amós responde: “Ai de vós que desejais o Dia do SENHOR! Para que desejais vós o Dia do SENHOR? É dia de trevas e não de luz. Como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostando a mão à parede, fosse mordido de uma cobra.”
     A impressão que temos, ao lermos o livro de Amós, é que Ele estava narrando os tempos de hoje. E o que ele falou é tão válido para hoje como foi no passado. O dia do Senhor será terrível para os que estão fora da graça de Cristo.
     No entanto, O Dia do Senhor para os que estão em Cristo será totalmente diferente. Diante da expectativa deste dia, ouçamos o conselho que o salmista nos deu através do salmo do dia: “Folguem e em ti se rejubilem todos os que te buscam; e os que amam a tua salvação digam sempre: Deus seja magnificado!” Deus seja magnificado porque Ele é o nosso amparo e nossa proteção.
     Deus, em Cristo, é nosso amparo e proteção em todas as situações, seja na vida ou na morte. O texto de Amós fala que o dia do Senhor vai ser trevas para aquele povo que estava longe de Deus. Mas gostaria de destacar as trevas de outro dia, as trevas da Sexta-Feira Santa, que trouxeram vida, pois o Senhor da vida estava dando a sua vida em favor de muitos.
     Tudo começa em Cristo, tudo existe por causa de Cristo. Ele é o teu Salvador, Ele morreu para te dar vida e salvação. As trevas que caíram sobre o mundo na sexta-feira santa foi para que a luz da Páscoa, a luz da vida eterna ficasse mais brilhante.
     A epístola que acabamos de ouvir, 1 Tessalonicenses 4.13-18, fala sobre a situação dos que morrem confiando em Cristo como Salvador. Os Tessalonicenses estavam preocupados com os que morreram antes da volta de Cristo. O que aconteceria com eles? Será que eles perderiam os grandes eventos da Parúsia?  Estudiosos da Bíblia tentam explicar a dúvida dos Tessalonicenses, mas o mais importante que a pergunta, neste caso, é a resposta.
     O Apóstolo Paulo responde que não há problema algum com crentes que morreram antes da Parúsia: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.”
     Dada a resposta, Paulo afirma: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras”. O Apóstolo Paulo quis dizer calma, tudo está sobre o controle de Deus, que virá tanto para vivos como para os mortos. O importante é estar unido com Cristo aguardando o seu glorioso retorno.
     Enquanto esperamos este glorioso dia, sigamos o conselho que o próprio Jesus nos deixou acerca da vigilância. O Evangelho fala de dez virgens, cada uma com sua lâmpada, estavam à espera do noivo. O noivo é Jesus. As noivas são os cristãos. E lâmpada? E o óleo? Gosto da interpretação de que o óleo é tudo aquilo que nos prepara para o encontro com Cristo: Palavra, Batismo, Santa Ceia.
     Um destaque interessante a ser feito é que as dez dormiram, retratando a fraqueza humana no curso de vida – mesmo tendo o Espírito Santo – a Palavra – Santo Batismo, não se deixa de pecar, prova disto que mesmo as virgens prudentes estavam dormindo.
     Os dois grupos representam cristãos ou as pessoas que se dizem cristãs. As virgens néscias também eram cristas, pelo menos foram. Elas estavam esperando o noivo e as suas lâmpadas tinha óleo. Mas por não vigiar deixaram de lado tudo aquilo que as preparava para ir ao encontro do noivo. Quantas pessoas que por não vigiar deixaram de serem cristãs. Lembrem das pessoas que se confirmaram contigo, todas elas ainda vão a igreja?
     O outro grupo de virgens, as sábias, são um bom exemplo a seguir, pois firmadas na Palavra, nos sacramentos, elas vigiaram, ficaram atentas a tudo aquilo que Deus fez e faz e fará.

     Meus caros irmãos, irmãs, neste tempo que refletimos sobre o final do ano da igreja e sobre o final dos tempos, temos o conselho de Jesus: Vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora.

     De pé cantemos a última estrofe do hino 220:

Quando afinal, em resplendor e glória,
Jesus abrir as portas da mansão,
eu quero estar de joelhos entre os santos,
na mais humilde e vera adoração —
E eu cantarei eternamente ali:
Grandioso és tu, grandioso és tu!
E eu cantarei eternamente ali:
Grandioso és tu, grandioso és tu!


     E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus até o glorioso dia do seu retorno.

Rev. Elissandro Ribeiro da Silva
Pastor na Congregação Evangélica Luterana Paz - Ponta Grossa/PR

________________
[1] Just, Arthur. Heaven on Earth – The Gifts of Christ in the Divine Service. Saint Louis: Concordia Publishing House, 2008, p. 143.
[2] Referência a separação relatada em Mateus 25.31-34. O contexto foi retirado do comentário da Lutheran Study Bible, Lasor e Manual Bíblico.
[3] Material que carece de fonte, somente constava no arquivo o nome Lange.
[4] Antífona (3):  O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Salmo (1,9-12): Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido. Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó SENHOR dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora é, e para sempre será de eternidade a eternidade. AmémAntífona (3):  O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes; eu, os teus altares, SENHOR dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!

[5] Texto da Coleta: Senhor Deus, Pai Celestial, envia teu Filho para levar para a casa a sua noiva, a igreja, a fim de que, com toda a companhia dos redimidos, possamos finalmente entrar sua festa eterna de casamento; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre.
[6] Texto do gradual: P: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro. C: Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados.

14/11/2014

14 de novembro: Comemoração de São Justiniano, Imperador Cristão de Bizâncio


Justiniano era eslavo, provavelmente nascido na região de Escópia (Skopje), em Taurésio (atual Macedônia), no ano 483. Seu nome eslavo era Upravda, que quer dizer "verdade", "justiça". Sucedeu ao trono de seu tio Justino em 527. A grandeza desse imperador é inseparavelmente ligada à sua profunda fé na Ortodoxia; cria e vivia de acordo com sua fé. Moveu guerra contra os bárbaros do Danúbio porque eles castravam os seus cativos. Isso revela o seu elevado sentimento de amor por seus próximos. Justiniano foi feliz e bem sucedido tanto nas guerras quanto em suas obras. Construiu muitas igrejas grandes e belas, das quais a mais bela era a Hagia Sophia (Igreja da Santa Sabedoria de Deus) em Constantinopla (atual Istambul). Compilou, revisou e publicou as Leis de Roma e também baixou pessoalmente muitas leis rigorosas contra a imoralidade e a licenciosidade. Reuniu o V Concílio Ecumênico da Igreja no ano 553 que tratou de ensinos heréticos como o Monofisismo, Nestorianismo e Origenismo. Morreu em paz aos oitenta anos de idade no ano 565 e tomou posse de sua morada no Reino do Rei Celestial.

Justiniano compôs um hino eclesiástico ao nosso Salvador, que é regularmente cantado durante a Divina Liturgia da Igreja Ortodoxa desde o ano de 536:

"Ó Filho Unigênito e Verbo de Deus, sempre imortal, que quisestes para a nossa salvação, encarnar-Vos da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e fazer-Vos homem sem deixar de ser Deus; fostes crucificado, ó Cristo, nosso Deus, vencendo a morte pela morte; Vós que sois uma das pessoas da Santíssima Trindade, glorificada com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos."

Comemoração de Justiniano, Imperador Cristão e Confessor de Cristo – 14 de novembro


Justiniano foi imperador do Oriente de 527 a 565 d. C., quando o Império Romano estava em declínio. Com sua formosa e hábil esposa Teodora, devolveu esplendor e majestade à corte bizantina. Durante seu reinado, o Império experimentou um renascimento, devido, em grande parte, à seu ímpeto, inteligência e fortes convicções religiosas. Justiniano também tentou levar unidade a uma igreja dividida. Era um defensor do cristianismo ortodoxo e buscou um acordo entre as partes nas controvérsias cristológicas daquele tempo que estavam debatendo a relação entre as naturezas divina e humana na pessoa de Cristo. O Quinto Concílio Ecumênico de Constantinopla no ano de 533 foi realizado durante o seu reinado e tratou esta controvérsia. Justiniano morreu nos seus oitenta anos, sem ver realizado seu desejo de um império que fosse solidamente cristão e ortodoxo.

ORAÇÃO DO DIA:

Senhor Deus, Pai celestial, por meio da governança de líderes cristãos como o Imperador Justiniano, seu nome é livremente confessado em nossa nação e em todo o mundo. Concede que possamos continuar a escolher líderes fidedignos que lhe servem fielmente em nossa geração e tomar decisões sábias que contribuem para o bem-estar geral do seu povo, através de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (Concordia Publishing House, 2008. p. 912)