14/02/2018

Quarta-feira de Cinzas




Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!
          Duas palavras para hoje: Lembrar e Retornar.
          Lembrar! Esta é a palavra que acompanha a imposição das cinzas neste dia: “Lembre-se que você é pó e ao pó retornará” (Gênesis 3.19). Uma palavra triste para o dia mais triste da história humana: o dia em que Adão e Eva abriram as portas de suas vidas e convidaram a morte para seus corpos, para seu mundo, para seus filhos. Daquele dia em diante, a sepultura tem sido o destino da humanidade. Acidentes, doenças, malícias, assassinatos – tudo está ao nosso redor. Então, lembre-se: você é pó e ao pó retornará! Cinzas as cinzas – pó ao pó. Por isso, meus irmãos, as cinzas desse dia não têm a ver com jejuns, sacrifícios ou superstições nossas; mas elas estão sobre nós simplesmente para anunciar: “você está olhando para um moribundo vivendo no meio de homens que estão morrendo. Nós não sabemos quando, mas sabemos que a sepultura é um lugar para onde todos caminhamos”.
          Mas, por favor, lembre-se também disso: as cinzas estão sobre você em forma de cruz. Sabe por que? Para te lembrar daquele que se tornou como um de nós – se tornou pó e cinzas – para nos resgatar do pecado e destruir a morte. Lembre-se que ele ressuscitará os nossos corpos no último dia.
          Lembre-se de tudo isso. E lembrando, retorne! “Retorne para o SENHOR, nosso Deus, pois ele é bondoso e misericordioso; é paciente e muito amoroso” (Joel 2.13). Retorne porque você lembra que está morrendo e sabe o porquê de sua morte. Retorne ao SENHOR, pois ele tem mais perdão e vida para dar do que o que você tem de pecado e morte para oferecer. Retorne para ele, pois ele sempre está de braços abertos para você com um amor que é incondicional.
          Que todo este tempo de Quaresma, que inicia nesta Quarta-feira de cinzas, seja para cada um de vocês um tempo de retorno ao SENHOR, dia-após-dia; pois é ele mesmo que chama e concede o necessário para que você possa se lembrar de quem você é e de quem ele é. E, principalmente, retornar para os braços dele – o SENHOR que lhe acolhe, abraça, perdoa e ama.
          Amém!

Rev. Helvécio José Batista Júnior
Ministros do SENHOR nas Igrejas Luteranas "Bom Pastor" e "Cristo Rei" em Cariacica/ES
Quarta-feira de cinzas, 2018 AD

11/02/2018

O Domingo da Transfiguração

"A Transfiguração", Pieter Abrahamsz Ykens (1648–1695)

A Transfiguração é o fechamento áureo do grande bloco do Natal: Advento, Natal e Epifania. As leituras do período de Epifania nos ajudaram a compreender quem é Jesus. Ao compreendermos quem é Jesus, o Filho de Deus, estamos preparados para entender o que Ele fez por nós.

Neste último domingo da Epifania, Domingo da Transfiguração, a Igreja olha além do período quaresmal e antecipadamente vislumbra a glória da Ressurreição na glória do Cristo transfigurado no topo da montanha. Em outras palavras, no Domingo da Transfiguração tem-se uma visão antecipada da gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo.

A Transfiguração, como fechamento do período da Epifania, é uma contribuição genuinamente luterana para o calendário da igreja.

A Transfiguração de nosso Senhor




Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

         

          “Seis dias depois” (São Marcos 9.2). Com estas palavras inicia-se o texto que descreve o episódio da Transfiguração de Jesus. Este é um detalhe interessante, pois a menção dessas palavras indica que haviam passados seis dias de algo importante e que também possui alguma conexão com o que agora será descrito.



          O que havia ocorrido seis dias antes da Transfiguração de Jesus? Se voltarmos um pouco no texto do Evangelho, vamos perceber que o último grande evento que ocorreu antes de se passarem os seis dias foi a Confissão de Pedro a respeito de quem é Jesus. Em sua resposta a Jesus, Pedro diz: “O Senhor é o Cristo” (São Marcos 8.29). Em outras palavras, o Apóstolo Pedro junto aos outros discípulos reconhece que este Jesus é o Filho de Deus, o Messias, o Enviado da parte do Pai.



          Seis dias após esta confissão, seguindo o texto indicado para este dia, “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou, em particular, a sós, a um alto monte. E Jesus foi transfigurado diante deles” (São Marcos 9.2). Ou seja, uma mudança completa na forma e na aparência de Jesus acontece. “As suas roupas se tornaram resplandecentes, de um branco muito intenso, como nenhum lavandeiro no mundo as poderia alvejar” (São Marcos 9.3). E isto, unicamente porque naquele momento, diante daqueles três discípulos no alto de um monte, Jesus estava se revelando conforme Pedro havia confessado: O Cristo, o Filho de Deus. Jesus estava deslumbrantemente brilhante porque ali estava manifestando a sua glória divina – quem ele realmente é: não somente verdadeiro homem, mas também verdadeiro Deus!



          A manifestação plena de Jesus Cristo revela o Céu, e por isso também, durante sua Transfiguração, como que em um vislumbre daquilo que se espera, o próprio Céu toca a terra, e isto ocorre de maneira extraordinária e significativa.



          Diante dos três discípulos “apareceu Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus” (São Marcos 9.4). Que cena! Que imagem maravilhosa! Mas, por que Elias e Moisés? Porque naquele lugar a Lei e os Profetas – as Sagradas Escrituras do Antigo Testamento – ali representados por Moisés e Elias, estavam testificando que este Jesus, o Cristo, é o cumprimento de todas as coisas!



Mas, e o que Elias e Moisés estavam falando com Jesus? Conforme um texto paralelo deste episódio (São Lucas 9. 30-31), ficamos sabendo que eles estavam ali preparando Jesus para a sua morte. Afinal, ele ainda desceria daquele monte para subir em outro – o Gólgota – e lá dar a sua vida em resgate de muitos. Para isso ele foi enviado da parte do Pai, por isso ele é o Cristo, como Pedro e as Escrituras confessaram.



          Quem de nós não gostaria de estar ali naquele monte, presenciando este momento singular? Pedro sente esta emoção, e por isso diz a Jesus: “Mestre, bom estarmos aqui” (São Marcos 9.5). Ele “não sabia o que dizer” (São Marcos 9.6). Aquele era um momento espetacular – era o Céu na Terra – faltaram palavras, e na verdade, quando falamos do Céu, da Glória do Filho de Deus nem mesmo mil dicionários conseguem conter adjetivos que os possam descrever.



          Algo ainda estava para acontecer: “A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela veio uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; escutem o que ele diz!” (São Marcos 9.7). Ual! O próprio Pai agora estava dizendo quem era Jesus! A Lei e os Profetas tinham apontado, Pedro havia confessado, mas agora é o próprio Pai dizendo, da mesma forma como já havia feito por ocasião do Batismo de Jesus. Porém lá, Pedro, Tiago e João não estavam. Agora, eles também puderam ouvir: Este é o meu Filho Amado; escutem o que ele diz!



          Após isso, tudo volta ao normal, e os discípulos “olhando ao redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus” (São Marcos 9.8). “Ao descerem do monte, Jesus lhes ordenou que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos” (São Marcos 9.9). Isto porque o povo e até os próprios discípulos ainda não estavam preparados para compreender tudo aquilo de maneira coerente.



          Realmente existe uma conexão deste episódio com o que ocorreu seis dias antes. A Transfiguração de Jesus confirma o que Pedro havia dito em sua confissão: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. A Transfiguração de Jesus também concede um aperitivo do que é estar no Céu – estar na presença gloriosa de Jesus Cristo junto com todos aqueles que foram salvos pelo SENHOR.



          Quem de nós não gostaria de estar presente naquele monte? Voltar no tempo e nos prostrar junto com os três discípulos é impossível. No entanto, Deus permite que sua Transfiguração chegue até nós hoje e, da mesma forma como foi uma antecipação da glória eterna para aqueles discípulos, ela também o é para nós.



          Mas, onde e como isso ocorre? Vamos subir a um monte e alcançar Jesus? Não! Jesus já morreu e ressuscitou, já conhecemos esta história que estava guardada para após esses eventos. Por isso, não precisamos mais subir um monte para alcançar Jesus e ver a sua glória divina. Na verdade, ele desce até nós, e ele vem a nós em um pedaço de pão e um cálice de vinho e aqui, manifesta sua glória divina perdoando os nossos pecados, fortalecendo a nossa Fé e concedendo vida – não uma vida qualquer, mas vida Eterna!



          A Ceia do Senhor é Jesus se transfigurando e vindo até nós com sua glória; é o Céu tocando a terra da mesma forma como aconteceu lá naquele monte, pois no Sacramento estamos com Elias, Moisés, “os anjos, os arcanjos e toda a companhia celeste louvando e magnificando o glorioso nome de Jesus”. Estamos dizendo o mesmo que Pedro: “Mestre, bom é estarmos aqui!”.



          Sem dúvida alguma, é bom demais estar aqui! É bom demais saber que nosso Senhor é o Cristo, o Filho de Deus que revelou a sua glória divina, mas também desceu do monte e do próprio Céu, para morrer pelos nossos pecados a fim de nos perdoar e ressuscitar dentre os mortos para que nós um dia pudéssemos também ressuscitar e viver no Céu com nossos corpos envolvidos pela glória divina do Filho de Deus.



          Por amor e misericórdia, esta glória divina do Filho de Deus já resplandece em nossas vidas através dos Meios da Graça. E quando fecharmos os olhos para este mundo e abrirmos eles nos Céus, então essa glória continuará resplandecendo por toda a eternidade, para todo o sempre!



          Amém!





Rev. Helvécio José Batista Júnior

Ministro do SENHOR nas Igrejas Luteranas “Bom Pastor” e “Cristo Rei” em Cariacica/ES

No dia da Transfiguração de nosso Senhor, 2018 AD

10/02/2018

Comemoração de Silas, evangelista e cooperador de São Pedro e São Paulo - 10 de fevereiro

"A Flagelação de São Silas e São Paulo" (1655), Louis Testelin (1615-1655)
Hoje lembramos e rendemos graças a Deus por Silas, cooperador de São Pedro e São Paulo. Silas foi escolhido por Paulo (Atos 15.40) para acompanhá-lo em sua segunda viagem missionária de Antioquia até a Ásia Menor e Macedônia. Silas, também conhecido como Silvano, foi preso juntamente com Paulo em Filipos e experimentou os alvoroços em Tessalônica e Bereia. Após juntar-se novamente a Paulo em Corinto, aparentemente permaneceu lá por um bom tempo. Algum tempo depois possivelmente se juntou ao apóstolo Pedro, provavelmente servindo como secretário de Pedro (1 Pedro 5.12). A tradição diz que Silas foi o primeiro bispo em Corinto.

ORAÇÃO DO DIA:

Todo-poderoso e eterno Deus, teu servo Silas pregou o Evangelho ao lado dos apóstolos Pedro e Paulo aos povos da Ásia Menor, Grécia e Macedônia. Damos-te graças por levantares nesta e em toda a terra, evangelistas e arautos do teu reino, para que a Igreja continue a proclamar as insondáveis riquezas de nosso Salvador, Jesus Cristo, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre.

09/02/2018

Lutero: Que é o sacramento do altar?

 

Que é, pois, o sacramento do altar?
Resposta: é o verdadeiro corpo e sangue de Cristo SENHOR, em e sob o pão e o vinho, que a palavra de Cristo ordena a nós cristãos comer e beber. E assim como do batismo dissemos que não é simples água, assim também aqui dizemos: o sacramento é pão e vinho, mas não simples pão e vinho, como os que ordinariamente se põem na mesa, senão pão e vinho compreendidos na palavra de Deus e a ela ligados. É a palavra, digo, que faz e distingue esse sacramento, de sorte que não é nem se chama apenas pão e vinho, senão corpo e sangue de Cristo. Pois diz-se: “Accedat verbum ad elementum et fit sacramentum”, “quando a palavra se une à coisa externa, faz-se o sacramento.” Esta sentença de Santo Agostinho está formulada de maneira tão precisa e correta, que dificilmente terá dito outra melhor A palavra tem de fazer do elemento um sacramento. Caso contrário, permanece simples elemento.

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Catecismo Maior, IV:8-10)

05/02/2018

Justino Mártir: Paralelos entre Jacó e Cristo




"Jacó, Labão e suas filhas" (1659), Claude Lorrain (c.1602-1682)
Paralelos entre Jacó e Cristo

Se, portanto, os ensinamentos dos profetas e até os do próprio Jesus vos comovem em algo, é melhor que sigais a Deus do que aos vossos mestres, insensatos e cegos, que ainda agora vos permitem ter quatro ou cinco mulheres; se um vê uma mulher bonita e a cobiça, eles contam o que fez Jacó, aquele que foi chamado Israel, e os demais patriarcas, e afirmam que não se comete pecado nenhum fazendo o que eles fizeram. Até nisso são miseráveis e insensatos. Na verdade, como eu disse anteriormente, em cada uma dessas ações se cumpriam dispensações de grandes mistérios. Vou explicar qual dispensação e profecia se realizava nos casamentos de Jacó, para que também aqui reconheçais como vossos mestres nunca olharam para o mais divino que em cada ação se realizava, mas sempre de modo rasteiro e até em vista de paixões de corrupção. Portanto, prestai atenção no que vos digo.

Os casamentos de Jacó eram figura do que Cristo realizaria. De fato, não era lícito para Jacó tomar ao mesmo tempo duas irmãs em matrimônio. Ele serve Labão por causa de suas duas filhas e, enganado sobre a mais jovem, o serviu novamente outros sete anos. Lia era vosso povo e sinagoga, e Raquel a nossa Igreja. Cristo está até agora servindo por uma e outra, assim como pelos servos de ambas. Com efeito, assim como Noé deu como servo de dois de seus filhos a descendência do terceiro, agora chegou Cristo para o restabelecimento de ambos, dos livres e dos que dentre eles são escravos, concedendo os mesmos privilégios a todos os que guardarem os seus mandamentos, de modo que os filhos que Jacó teve com as escravas e as livres fossem todos filhos de igual honra. Contudo, segundo a ordem e a presciência, foi predito como será cada um.

Jacó serviu a Labão em troca dos rebanhos manchados e multiformes. Também Cristo serviu até a cruz em favor dos homens de toda descendência, variados e multiformes, ganhando-os por meio do seu sangue e do mistério da cruz. Lia tinha os olhos doentes, e os olhos de vossas almas também estão muito doentes. Raquel roubou os deuses de Labão e os escondeu até o dia de hoje. E também para nós acabaram-se os deuses tradicionais, feitos de matéria. 6Jacó foi o tempo todo odiado por seu irmão, e agora nós e também nosso Senhor somos odiados por vós e, em geral, por todos os homens, embora sendo, de fato, todos irmãos por natureza. Jacó foi chamado Israel, e aquele que é e se chama Jesus está demonstrado que é Israel e Messias ou Cristo.

- São Justino de Roma, teólogo e mártir do séc. II (Diálogo com Trifão, 134:1-6)

04/02/2018

Deus sempre tem tempo para nós!



Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

            No ano de 1997, o U2 lançou uma canção chamada “Wake up dead man”, que retrata um homem que está vivendo em extrema angústia e dor. Neste desespero, este homem começa a ter dúvidas se Jesus ainda está olhando por ele, e por isso, ele começa a definhar numa grande solidão. Na letra, este homem diz: “Jesus, estou esperando aqui, eu sei que você está olhando por nós, mas talvez suas mãos estejam muito ocupadas”.

            É possível que alguém que você conheça ou até você mesmo possa ter pensado dessa maneira. Talvez diante de algumas situações angustiantes do dia-a-dia – uma doença em estado termina, a destruição de uma família, uma perda irreparável, e principalmente a morte – você também possa ter pensado: “parece que Deus se esqueceu de mim” ou então, “acho que Deus está ocupado demais, ele não tem tempo para mim agora”. 

            Pensamentos como estes podem ocorrer com todos nós, visto que, às vezes, realmente parece ou sentimos que estamos totalmente abandonados e sozinhos. No entanto, o Evangelho de hoje revela para nós algo diferente disso. Através da ação de Jesus, conforme registrada em São Marcos 1, podemos perceber algo muito grandioso: “Deus sempre olha por nós”, “Deus nunca se esquece de nós”, “ele sempre tem um tempinho pra mim”.

            Quando observamos este primeiro capítulo do Evangelho segundo São Marcos, percebemos que Jesus, após o seu Batismo (São Marcos 1. 9-11) e tentação no deserto (São Marcos 1. 12-13), volta para a Galileia (São Marcos 1. 14-15) para ter um dia extremamente agitado e ocupado.

            Ele começa a chamar os seus primeiros discípulos (São Marcos 1. 16-20), ele ensina na Sinagoga (São Marcos 1. 21-28), ele caminha entre as pessoas e ainda retira um bom tempo para a oração (São Marcos 1. 32-39). Enfim, Jesus tem um dia muito agitado e cheio. Para quem olha de longe, pode pensar: “deve ser muito difícil ter algum contato com esse tal Jesus, a agenda dele já está sobrecarregada”.

            Agora, meus irmãos, um detalhe muito importante neste primeiro capítulo do Evangelho segundo São Marcos, que retrata este dia sobrecarregado de Jesus: apesar de toda essa agenda e de todos esses afazeres, Jesus encontra tempo e de boa vontade vai especialmente ao encontro de algumas pessoas. Conforme o nosso texto, nesse dia super agitado, Jesus vai ao encontro de um homem com o espírito imundo (São Marcos 1. 23-26), Jesus vai ao encontro de diversas pessoas que estavam enfrentando enfermidades (São Marcos 1.34), Jesus se preocupa em ir até a casa de Pedro e curar a sua sogra de uma febre (São Marcos 1. 29-31). E no fim do dia, quando ele podia enfim descansar, ele diz aos seus discípulos: “Vamos a outros lugares, aos povoados vizinhos, a fim de que eu pregue também ali, pois foi para isso que eu vim” (São Marcos 1.38). E o texto nos diz que ele e os seus discípulos foram por toda a Galileia, pregando, curando, ajudando. Enfim, indo especialmente ao encontro de pessoas, se preocupando com ela e compadecendo-se delas.

            Esta atitude de Jesus revela para nós algo maravilhoso e sem igual: Jesus sempre tem tempo para nós, até mesmo quando nós não temos tanto tempo assim para ele. Este dia, retratado em São Marcos 1 realmente foi muito movimentado. Olhando para a série de intermináveis coisas que Jesus estava fazendo, realmente pode-se chegar a um pensamento, como retratado na música do U2, que Jesus possa estar ocupado demais para vir nos ajudar em nossos problemas e angustias. No entanto, o Evangelho nos mostra que Jesus cuida de nós especialmente e individualmente. Ele pede para colocarmos diante dele todas as nossas necessidades justamente porque ele tem prazer e alegria em tirar um tempo para nós, em vir ao nosso encontro.

            Sobre essa atitude de Deus em Cristo é que nos fala o Salmo 147: “Ele sara os que tem o coração quebrantado e trata das feridas deles” (Salmo 147.3). E ainda, de forma mais enfática, diz o profeta Isaías: “Será que você não sabe, nem ouviu que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos confins da terra, não se cansa, nem se fatiga? Ele fortalece o cansado... dá forças ao que não tem vigor... e renova os que esperam nele” (Isaías 40. 28-31).

            No início, descrevi alguns versos da canção “Wake up dead man” do U2, onde um homem acha que Jesus não tem tempo para ele. Bom, o U2 quando escreveu a canção, provavelmente tinham em mente que Jesus – assim como ensina os textos bíblicos que destacamos – sempre tem tempo para nós, sempre vem ao nosso encontro, sempre se preocupa especialmente e individualmente com cada um de nós. E por isso, a canção conclui com Jesus dizendo para aquele homem: “Levante-se homem morto! Levante-se homem morto”.

            É o mesmo Jesus, preocupado com a febre que atingiu a sogra de Pedro, que entra em sua casa “pega a sua mão e a levanta” (São Marcos 1.31). “Levante-se, mulher! Levante-se mulher!”

            Meus queridos, quando você sentir, imaginar ou pensar que Deus talvez não tenham tempo ou preocupação com você, lembre-se desse dia agitado de Jesus, onde ele tinha uma agenda louca para cumprir, mas que mesmo assim ele se preocupou individualmente e especialmente com cada pessoa. Da mesma forma, ele se preocupa individualmente com cada um de vocês, e vai especialmente ao seu encontro, para te levantar, para te perdoar, para te curar e principalmente para te salvar!

            Amém!





Rev. Helvécio José Batista Júnior

Ministro do SENHOR nas Igrejas Luteranas “Bom Pastor” e “Cristo Rei” em Cariacica/ES

No dia da Purificação de Maria e Apresentação de Jesus, 2018 AD