19/02/2018

Tempo Quaresmal e os Catecismos de Lutero: QUARTO MANDAMENTO (4/40)

       19/02/2018: QUARTO MANDAMENTO

CATECISMO MENOR:


CATECISMO MAIOR:
Até aqui aprendemos os três mandamentos, que tratam da nossa relação com Deus. Primeiro, que de todo coração nele confiemos, temamos e amemos, em toda a nossa vida. Segundo, que não mal-usemos seu santo nome para apoiar mentiras ou qualquer outra coisa má, porém que façamos uso dele em louvor de Deus, bem como para o proveito e salvação do próximo e de nós mesmos. Terceiro, que em dia santo e de repouso diligentemente tratemos a palavra de Deus e com ela nos ocupemos, a fim de toda nossa ação e vida sejam orientadas pela Palavra de Deus. Agora vêm os outros sete, que se referem ao nosso próximo. O primeiro e maior desses é: Honrarás a teu pai e a tua mãe.


Deus distinguiu o estado paterno e materno de modo especial, acima de todos os estados que estão debaixo de Deus. Não ordena simplesmente que amemos os pais; manda honrá-los. Com respeito aos irmãos, irmãs e o próximo em geral, não ordena-se coisa mais elevada do que amá-los. Dessa maneira separa e distingue pai e mãe acima de todas as outras pessoas na terra e os põe ao lado dele. Pois honrar muito mais elevada coisa é que amar. Não abrange apenas o amor, senão modéstia, humildade e reverência como para uma majestade. E honrar não requer penas que nos dirijamos aos pais de forma amável e respeitosa, porém, acima de tudo de coração e corpo nos disponhamos de maneira tal, que os tenhamos em alta conta e os coloquemos no lugar mais elevado depois de Deus. Pois que para honrar alguém de coração é preciso que o tenhamos em alta estima e consideração. Cumpre, por isso, incutir aos jovens que vejam nos pais representantes de Deus.

17/02/2018

Tempo Quaresmal e os Catecismos de Lutero: TERCEIRO MANDAMENTO (3/40)

      17/02/2018: TERCEIRO MANDAMENTO
CATECISMO MENOR:



CATECISMO MAIOR:
A Palavra de Deus é a relíquia das relíquias, a única, na verdade, que nós cristãos reconhecemos e temos. A Palavra de Deus é o tesouro que a tudo santifica.

Toda a hora em que se trata, prega, ouve, lê ou medita a Palavra de Deus, dá-se através disso a santificação da pessoa, do dia e da obra, não em virtude da ação externa, mas por causa da Palavra, que a todos nos torna em santos. Razão por que digo sempre que todo o nosso viver e agir, para chamar-se agradável a Deus, ou santo, deve nortear-se pela Palavra de Deus. Todo o viver e agir alienado da Palavra de Deus é insensato aos olhos de Deus.

Nota que a força e o poder desse mandamento não consiste no não fazer nada, mas sim no santificar. E o Santificar só ocorre através da Palavra de Deus. Pecam contra esse mandamento não apenas os que mal-usam o dia de descanso, como por exemplo, os que por razão de ganância ou leviandade descuidam de ouvir a Palavra de Deus ou vivem embriagados neste dia.


Quando se medita, ouve e trata a palavra seriamente, ela tem o poder de nunca ficar sem fruto. Sempre desperta novo entendimento, prazer e devoção, e cria coração e pensamentos puros. Pois a Palavra de Deus não são palavras inoperantes, senão eficazes e vivas.  

16/02/2018

Tempo Quaresmal e os Catecismos de Lutero: SEGUNDO MANDAMENTO

      16/02/2018: SEGUNDO MANDAMENTO


CATECISMO MAIOR:
Assim como o primeiro mandamento instruiu o coração e ensinou a fé, assim este mandamento nos conduz para a fora e põe a boca e a língua na relação correta para com Deus. Por que a primeira coisa que brota do coração e se manifesta são as palavras. Como acima ensinei de que maneira se responde à pergunta sobre o que significa ter Deus, assim também te cumpre aprender a inteligir singelamente o sentido deste e dos demais mandamentos e aplica-los a ti.
Que significa tomar o nome de Deus em vão, ou mal-usá-lo? Abusar do nome de Deus que dizer pronunciar o nome do Senhor Deus, seja qual for a maneira, para fins de mentira ou vício de espécie. O que se ordena aqui, portanto, é não invocar o nome de Deus falsamente, ou proferi-lo em casos nos quais o coração bem sabe, ou deveria saber, que a verdade é outra, como sucede entre os que prestam juramento em juízo e uma parte em seguida mente contra a outra. Pois não existe abuso mais grave do nome de Deus que o de valer-se dele para mentir e ludibriar.
O maior de todos os abusos está em relação as coisas espirituais, que dizem respeito as consciências: quando se levantam falsos pregadores e falam mentiras e as passam por palavras de Deus.

É necessário que saibas como se faz uso acertado do nome de Deus. Ordena-se por outro lado usá-lo para a verdade e todo o bem. Assim, por exemplo, quando se jura acertadamente onde for preciso e exigido. Da mesma forma quando se ensina corretamente. Ainda, quando se invoca o nome em momentos difíceis e se lhe rende louvor e graças em tempos de fartura. Conforme expresso no Salmo 50: “Invoca-me no dia da angustia: Eu te livrarei e tu Me glorificarás.” 

15/02/2018

Tempo Quaresmal e os Catecismos de Lutero: PRIMEIRO MANDAMENTO

       15/02/2018: PRIMEIRO MANDAMENTO
CATECISMO MENOR:

CATECISMO MAIOR:

Deus designa aquilo de que se deve esperar todo bem e devemos refugiar-nos em toda apertura. Portanto, ter um Deus outra coisa não é senão confiar e crer nele de todo coração. Repetidas vezes já disse que apenas o confiar e crer de coração faz tanto Deus como o ídolo. Se é verdadeira a fé e a confiança, verdadeiro também é o teu Deus. Inversamente, onde a confiança é falsa e errônea, aí também não está o Deus verdadeiro. Fé e Deus não se podem divorciar. Aquilo, pois, a que prendes o coração e te confias, isso, digo, é propriamente o teu Deus. Por isso, o sentido desse mandamento é exigir fé genuína e confiança de coração, que vai certeiramente ao verdadeiro e único Deus e se apega exclusivamente a ELE.

14/02/2018

Quarta-feira de Cinzas




Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!
          Duas palavras para hoje: Lembrar e Retornar.
          Lembrar! Esta é a palavra que acompanha a imposição das cinzas neste dia: “Lembre-se que você é pó e ao pó retornará” (Gênesis 3.19). Uma palavra triste para o dia mais triste da história humana: o dia em que Adão e Eva abriram as portas de suas vidas e convidaram a morte para seus corpos, para seu mundo, para seus filhos. Daquele dia em diante, a sepultura tem sido o destino da humanidade. Acidentes, doenças, malícias, assassinatos – tudo está ao nosso redor. Então, lembre-se: você é pó e ao pó retornará! Cinzas as cinzas – pó ao pó. Por isso, meus irmãos, as cinzas desse dia não têm a ver com jejuns, sacrifícios ou superstições nossas; mas elas estão sobre nós simplesmente para anunciar: “você está olhando para um moribundo vivendo no meio de homens que estão morrendo. Nós não sabemos quando, mas sabemos que a sepultura é um lugar para onde todos caminhamos”.
          Mas, por favor, lembre-se também disso: as cinzas estão sobre você em forma de cruz. Sabe por que? Para te lembrar daquele que se tornou como um de nós – se tornou pó e cinzas – para nos resgatar do pecado e destruir a morte. Lembre-se que ele ressuscitará os nossos corpos no último dia.
          Lembre-se de tudo isso. E lembrando, retorne! “Retorne para o SENHOR, nosso Deus, pois ele é bondoso e misericordioso; é paciente e muito amoroso” (Joel 2.13). Retorne porque você lembra que está morrendo e sabe o porquê de sua morte. Retorne ao SENHOR, pois ele tem mais perdão e vida para dar do que o que você tem de pecado e morte para oferecer. Retorne para ele, pois ele sempre está de braços abertos para você com um amor que é incondicional.
          Que todo este tempo de Quaresma, que inicia nesta Quarta-feira de cinzas, seja para cada um de vocês um tempo de retorno ao SENHOR, dia-após-dia; pois é ele mesmo que chama e concede o necessário para que você possa se lembrar de quem você é e de quem ele é. E, principalmente, retornar para os braços dele – o SENHOR que lhe acolhe, abraça, perdoa e ama.
          Amém!

Rev. Helvécio José Batista Júnior
Ministros do SENHOR nas Igrejas Luteranas "Bom Pastor" e "Cristo Rei" em Cariacica/ES
Quarta-feira de cinzas, 2018 AD

11/02/2018

O Domingo da Transfiguração

"A Transfiguração", Pieter Abrahamsz Ykens (1648–1695)

A Transfiguração é o fechamento áureo do grande bloco do Natal: Advento, Natal e Epifania. As leituras do período de Epifania nos ajudaram a compreender quem é Jesus. Ao compreendermos quem é Jesus, o Filho de Deus, estamos preparados para entender o que Ele fez por nós.

Neste último domingo da Epifania, Domingo da Transfiguração, a Igreja olha além do período quaresmal e antecipadamente vislumbra a glória da Ressurreição na glória do Cristo transfigurado no topo da montanha. Em outras palavras, no Domingo da Transfiguração tem-se uma visão antecipada da gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo.

A Transfiguração, como fechamento do período da Epifania, é uma contribuição genuinamente luterana para o calendário da igreja.

A Transfiguração de nosso Senhor




Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

         

          “Seis dias depois” (São Marcos 9.2). Com estas palavras inicia-se o texto que descreve o episódio da Transfiguração de Jesus. Este é um detalhe interessante, pois a menção dessas palavras indica que haviam passados seis dias de algo importante e que também possui alguma conexão com o que agora será descrito.



          O que havia ocorrido seis dias antes da Transfiguração de Jesus? Se voltarmos um pouco no texto do Evangelho, vamos perceber que o último grande evento que ocorreu antes de se passarem os seis dias foi a Confissão de Pedro a respeito de quem é Jesus. Em sua resposta a Jesus, Pedro diz: “O Senhor é o Cristo” (São Marcos 8.29). Em outras palavras, o Apóstolo Pedro junto aos outros discípulos reconhece que este Jesus é o Filho de Deus, o Messias, o Enviado da parte do Pai.



          Seis dias após esta confissão, seguindo o texto indicado para este dia, “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou, em particular, a sós, a um alto monte. E Jesus foi transfigurado diante deles” (São Marcos 9.2). Ou seja, uma mudança completa na forma e na aparência de Jesus acontece. “As suas roupas se tornaram resplandecentes, de um branco muito intenso, como nenhum lavandeiro no mundo as poderia alvejar” (São Marcos 9.3). E isto, unicamente porque naquele momento, diante daqueles três discípulos no alto de um monte, Jesus estava se revelando conforme Pedro havia confessado: O Cristo, o Filho de Deus. Jesus estava deslumbrantemente brilhante porque ali estava manifestando a sua glória divina – quem ele realmente é: não somente verdadeiro homem, mas também verdadeiro Deus!



          A manifestação plena de Jesus Cristo revela o Céu, e por isso também, durante sua Transfiguração, como que em um vislumbre daquilo que se espera, o próprio Céu toca a terra, e isto ocorre de maneira extraordinária e significativa.



          Diante dos três discípulos “apareceu Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus” (São Marcos 9.4). Que cena! Que imagem maravilhosa! Mas, por que Elias e Moisés? Porque naquele lugar a Lei e os Profetas – as Sagradas Escrituras do Antigo Testamento – ali representados por Moisés e Elias, estavam testificando que este Jesus, o Cristo, é o cumprimento de todas as coisas!



Mas, e o que Elias e Moisés estavam falando com Jesus? Conforme um texto paralelo deste episódio (São Lucas 9. 30-31), ficamos sabendo que eles estavam ali preparando Jesus para a sua morte. Afinal, ele ainda desceria daquele monte para subir em outro – o Gólgota – e lá dar a sua vida em resgate de muitos. Para isso ele foi enviado da parte do Pai, por isso ele é o Cristo, como Pedro e as Escrituras confessaram.



          Quem de nós não gostaria de estar ali naquele monte, presenciando este momento singular? Pedro sente esta emoção, e por isso diz a Jesus: “Mestre, bom estarmos aqui” (São Marcos 9.5). Ele “não sabia o que dizer” (São Marcos 9.6). Aquele era um momento espetacular – era o Céu na Terra – faltaram palavras, e na verdade, quando falamos do Céu, da Glória do Filho de Deus nem mesmo mil dicionários conseguem conter adjetivos que os possam descrever.



          Algo ainda estava para acontecer: “A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela veio uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; escutem o que ele diz!” (São Marcos 9.7). Ual! O próprio Pai agora estava dizendo quem era Jesus! A Lei e os Profetas tinham apontado, Pedro havia confessado, mas agora é o próprio Pai dizendo, da mesma forma como já havia feito por ocasião do Batismo de Jesus. Porém lá, Pedro, Tiago e João não estavam. Agora, eles também puderam ouvir: Este é o meu Filho Amado; escutem o que ele diz!



          Após isso, tudo volta ao normal, e os discípulos “olhando ao redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus” (São Marcos 9.8). “Ao descerem do monte, Jesus lhes ordenou que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos” (São Marcos 9.9). Isto porque o povo e até os próprios discípulos ainda não estavam preparados para compreender tudo aquilo de maneira coerente.



          Realmente existe uma conexão deste episódio com o que ocorreu seis dias antes. A Transfiguração de Jesus confirma o que Pedro havia dito em sua confissão: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. A Transfiguração de Jesus também concede um aperitivo do que é estar no Céu – estar na presença gloriosa de Jesus Cristo junto com todos aqueles que foram salvos pelo SENHOR.



          Quem de nós não gostaria de estar presente naquele monte? Voltar no tempo e nos prostrar junto com os três discípulos é impossível. No entanto, Deus permite que sua Transfiguração chegue até nós hoje e, da mesma forma como foi uma antecipação da glória eterna para aqueles discípulos, ela também o é para nós.



          Mas, onde e como isso ocorre? Vamos subir a um monte e alcançar Jesus? Não! Jesus já morreu e ressuscitou, já conhecemos esta história que estava guardada para após esses eventos. Por isso, não precisamos mais subir um monte para alcançar Jesus e ver a sua glória divina. Na verdade, ele desce até nós, e ele vem a nós em um pedaço de pão e um cálice de vinho e aqui, manifesta sua glória divina perdoando os nossos pecados, fortalecendo a nossa Fé e concedendo vida – não uma vida qualquer, mas vida Eterna!



          A Ceia do Senhor é Jesus se transfigurando e vindo até nós com sua glória; é o Céu tocando a terra da mesma forma como aconteceu lá naquele monte, pois no Sacramento estamos com Elias, Moisés, “os anjos, os arcanjos e toda a companhia celeste louvando e magnificando o glorioso nome de Jesus”. Estamos dizendo o mesmo que Pedro: “Mestre, bom é estarmos aqui!”.



          Sem dúvida alguma, é bom demais estar aqui! É bom demais saber que nosso Senhor é o Cristo, o Filho de Deus que revelou a sua glória divina, mas também desceu do monte e do próprio Céu, para morrer pelos nossos pecados a fim de nos perdoar e ressuscitar dentre os mortos para que nós um dia pudéssemos também ressuscitar e viver no Céu com nossos corpos envolvidos pela glória divina do Filho de Deus.



          Por amor e misericórdia, esta glória divina do Filho de Deus já resplandece em nossas vidas através dos Meios da Graça. E quando fecharmos os olhos para este mundo e abrirmos eles nos Céus, então essa glória continuará resplandecendo por toda a eternidade, para todo o sempre!



          Amém!





Rev. Helvécio José Batista Júnior

Ministro do SENHOR nas Igrejas Luteranas “Bom Pastor” e “Cristo Rei” em Cariacica/ES

No dia da Transfiguração de nosso Senhor, 2018 AD