19/01/2021
A Confissão de São Pedro (18 de janeiro)
Atos 4.8-13
2 Pedro 1.1-15
Marcos 8.27-35 [36-9.1]
São Pedro fala por todos os discípulos quando confessa: “O senhor é o Cristo” (Mc 8.29). Esta confissão é o alicerce da Igreja, que o próprio Cristo constrói (Mt 16.18), pois “este Jesus”, a pedra rejeitada pelos construtores terrenos, “veio a ser a pedra angular” (At 4.11). Isso foi um escândalo até mesmo para Pedro. Era necessário que Cristo sofresse, fosse rejeitado, fosse morto e, “depois de três dias, ressuscitasse” (Mc 8.31), pois por meio desta obra de salvação recebida pela fé, as “preciosas e mui grandes promessas” de Deus são concedidas, “para que por elas vocês se tornem coparticipantes da natureza divina” (2Pe 1.4). Em todo lugar que Jesus é o Cristo, seus discípulos negam a si mesmos, pegam suas cruzes e o seguem (Mc 8.34). Eles foram purificados de seus antigos pecados e cresceram na fé, na virtude, no conhecimento, no domínio próprio, na perseverança, na piedade, na fraternidade e no amor, sendo ativos e frutíferos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (2Pe 1.5-9) Todos os que confiam em Jesus, o Cristo da confissão de Pedro, salvarão suas vidas salvas, ainda que a percam por causa de Jesus e seu evangelho (Mc 8.35). Pois “não existe nenhum outro nome... pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).
ORAÇÃO DO DIA:
Pai celestial, tu revelastes ao apóstolo Pedro a bendita verdade que teu Filho Jesus é o Cristo. Fortalece-nos pela proclamação desta verdade para que também nós possamos alegremente confessar que não há salvação em nenhum outro; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (Feasts, Festivals and Occasions) editado pelo Rev. Sean Daenzer e publicado por LCMS Worship. Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano – Lecionários (Editora Concórdia).
17/01/2021
Segundo Domingo após Epifania – Ano B (17 de janeiro de 2021)
12/01/2021
Lutero: Devemos apegar-nos ao Batismo
O Batismo é um sinal externo ou uma insígnia, que nos aparta de todas as pessoas não batizadas, para que, através dele, sejamos reconhecidos como um povo de Cristo, nosso guia, sob cujo pendão (que é a santa cruz) lutamos continuamente contra o pecado. Por isso, devemos considerar três coisas no santo sacramento: o sinal, o significado e a fé. O sinal consiste em mergulhar a pessoa na água em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo...
O significado é um morrer bem-aventurado do pecado e uma ressurreição na graça de Deus, de modo que o velho ser humano, concebido e nascido em pecado, é afogado, e um novo ser humano, nascido na graça, surge e se levanta... O significado do Batismo - o morrer ou afogar-se do pecado - não se realiza inteiramente nesta vida, até que o ser humano morra também corporalmente e se transforme completamente em pó. O Sacramento ou sinal do Batismo se realiza depressa, como vemos com nossos próprios olhos, mas o significado, o Batismo espiritual, o afogamento do pecado, dura enquanto vivemos e só é consumado na hora da morte. Então a pessoa é verdadeiramente imersa na água batismal e se realiza o significado do Batismo. Por isso, esta vida nada mais é que um incessante batizar espiritual até a morte. E quem é batizado é condenado a morte, como se, ao realizar o Batismo, o sacerdote dissesse: “Vê, tu és carne pecaminosa; por isso te afogo em nome de Deus e te condeno à morte em seu nome, para que todos os teus pecados morram e pereçam contigo.” Neste sentido, S. Paulo diz em Rm 6.4: “Somos sepultados com Cristo para a morte pelo Batismo.”...
Temos que ocupar-nos agora com a terceira parte do sacramento: a fé. Isto quer dizer que creiamos firmemente que o sacramento não apenas significa a morte e ressurreição no Último dia, pelas quais o ser humano é renovado para viver eternamente sem pecado, mas que também certamente inicia e opera isso e nos une com Deus, de forma que queiramos, até a nossa morte, matar o pecado e lutar contra ele; que creiamos firmemente que Deus, por sua vez, quer levar isso em conta e nos tratar graciosamente, não nos julgando com todo o seu rigor, pois não estamos sem pecado nesta vida, até que nos tornemos puros através da morte. Compreendes, assim, como uma pessoa fica sem culpa, sem mácula e sem pecado no Batismo, permanecendo, não obstante, cheia de muita má inclinação; assim sendo, ela só pode ser chamada de pura no sentido de ter começado a tornar-se pura e de possuir um sinal e um pacto dessa pureza e de dever tornar-se cada vez mais pura... Esta fé é a mais necessária, pois é a razão de todo consolo. Quem não a tem, há de desesperar em pecados. Pois o pecado que permanece após o Batismo faz com que todas as boas obras não sejam puras perante Deus. Por isso, devemos apegar-nos resoluta e ousadamente ao Batismo e contrapô-lo a todo pecado e terror da consciência, dizendo humildemente: “Sei muito bem que não tenho nenhuma obra pura. Porém fui batizado, e através do Batismo Deus, que não pode mentir, fez uma aliança comigo, para não me imputar meu pecado, mas para matá-lo e eliminá-lo.”
Compreendemos, pois, agora que a inocência que recebemos no Batismo tem esse nome inteiramente por causa da misericórdia de Deus, que iniciou isso, tem paciência com o pecado e nos trata como se não tivéssemos pecado. A partir disso, entendemos também por que na Escritura os cristãos são chamados filhos da misericórdia, povo da graça e pessoas da benevolência de Deus: porque começaram a ficar puros pelo Batismo, porque, pela misericórdia de Deus para com o pecado remanescente, não são condenados, até que se tornem completamente puros através da morte e no último dia, conforme manifesta o Batismo com seu sinal. Por isso, enganam-se muito aqueles que acham que ficaram inteiramente puros pelo Batismo. Em sua ignorância, deixam de matar seu pecado; não querem considerar o pecado como tal, mas persistem nele. Com isso, reduzem seu Batismo a nada, apegam-se apenas a algumas obras exteriores, sob as quais a soberba, o ódio e outras maldades naturais, que não percebem, só se fortalecem e aumentam. Não, não é assim.
— Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Um Sermão sobre o Santo, Venerabilíssimo Sacramento do Batismo, 1519)
Fonte: LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. v. 1. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1987. p. 415-416, 419-420.
09/01/2021
O Batismo de Nosso Senhor (Primeiro Domingo após Epifania) – Ano B | 10 de janeiro de 2021
Gênesis 1.1-5
Romanos 6.1-11
Marcos 1.4-11
No Santo Batismo o Deus Triúno se revela e nos recria à sua imagem
“No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1). Então, quando “o Espírito de Deus se movia sobre as águas” (Gn 1.2), Deus falou sua Palavra: “Haja luz! E houve luz” (Gn 1.3). Da mesma forma e pela mesma Palavra e Espírito de Deus, o “princípio do evangelho de Jesus Cristo” (Mc 1.1) suscita a nova criação por meio das águas do Batismo. Quando João Batista veio, “pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados”, Jesus também veio “e foi batizado por João no rio Jordão” (Mc 1.4, 9). Embora Jesus não tivesse pecados, em seu batismo ele se colocou junto dos pecadores e levou os pecados e a mortalidade do mundo sobre si. Jesus foi batizado na sua própria morte, através da qual os céus são abertos para nós e o Espírito nos é dado. Deus o Pai se agradou de seu Filho amado e o ressuscitou dos mortos. Ao participarmos do batismo de Cristo e estarmos “unidos com ele na semelhança da sua morte” (Rm 6.5), também participamos da sua ressurreição para “novidade de vida” (Rm 6.4).
ORAÇÃO DO DIA:
Pai dos céus, ao ser batizado no Rio Jordão Jesus foi proclamado teu Filho amado e ungido com o Espírito Santo. Faze com que todos os batizados em teu nome sejam fiéis ao seu chamado como teus filhos e herdeiros com ele da vida eterna; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano – Lecionários (Editora Concórdia).
06/01/2021
A Epifania de Nosso Senhor (6 de janeiro)
A ideia da Epifania é que o Cristo nascido em Belém é reconhecido pelo mundo. Ele foi manifestado como Deus, e o mundo o reconhece como Deus. A relação da Natividade e da Epifania é que no Natal Deus aparece como homem e na Epifania este homem aparece perante o mundo como Deus. O Natal é a festa da aparição de Cristo como homem e a Epifania é a festa da aparição de Cristo como Deus. Isso representa um estágio importante no ensino da igreja. A prova de que Cristo é homem é o fato de que ele realmente nasceu e viveu entre nós como homem. É por isso que no Natal celebramos apenas o fato histórico do nascimento. Mas precisava de uma prova de que esse homem, essa criança indefesa, é Deus. Seu nascimento não seria de nenhum benefício para nós se não fôssemos convencidos de que este homem é Deus. À Festa da Natividade precisava ser acrescentada uma Festa da Aparição de Deus. No prólogo do seu Evangelho, São João liga as duas festas de forma admirável: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade (Natal), e vimos a sua glória, glória como do Filho unigênito do Pai (Epifania)”.
02/01/2021
Segundo Domingo após Natal (3 de janeiro de 2021)
1 Reis 3.4-15
Efésios 1.3-14
Lucas 2.40-52
O Evangelho mostra a sagrada família em Jerusalém na festa da Páscoa. De acordo com Deuteronômio 16.16, todos os israelitas do sexo masculino eram obrigados a ir à casa do Senhor para celebrar as festas da Páscoa, das Semanas e das Barracas (embora as mulheres não fossem proibidas de também manifestar sua devoção dessa forma). O jovem Jesus, tendo atingido a idade de um “filho do mandamento” (conforme descrito no Talmude rabínico), acompanhou seus pais. Ao voltar para casa, Maria e José ficam cada vez mais angustiados por não encontrá-lo entre seus parentes e conhecidos. Eles finalmente o encontram no templo, sentado entre os mestres, surpreendendo-os grandemente com suas perguntas e respostas. Em dias de festa e sábados, era costume que os rabinos do Sinédrio realizassem sessões de instrução para o povo sobre assuntos religiosos e sobre o significado das passagens das Escrituras, e é provável que tenha sido esse o cenário em que os ansiosos pais o encontraram...
As Confissões Luteranas observam que o diálogo de Jesus com os eruditos no templo manifestou a natureza divina de sua filiação, assim como na sua encarnação no ventre, no seu milagre em Caná e no deslumbramento de seus inimigos no Getsêmani, João 18.6 (Fórmula de Concórdia, Declaração Sólida, VIII, 24‒25). Sua natureza humana nem sempre usava seus poderes divinos, como quando crescia em sabedoria e estatura, Lucas 2.52 (Epítome da Fórmula de Concórdia, VIII, 16), mas em sua conversa no templo Jesus não estava expressando o que havia aprendido com os outros, pois os doutores de Israel ficaram admirados e seus pais não puderam compreendê-lo. (Thomas Manteufel. Christmas 2. Concordia Journal. Vol. 41, n. 4 (2015). p. 349-350)
ORAÇÃO DO DIA:
Todo-poderoso Deus, que derramaste em nossos corações a verdadeira Luz da tua Palavra encarnada, concede que esta Luz possa brilhar em nossas vidas; através do mesmo Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém. (Culto Luterano – Lecionários, Ed. Concórdia)






