30/11/2012

Preparativos do Advento


O período do Advento está quase aí. Logo a coroa de Advento aparecerá e será acesa antes dos cultos. Em nossa liturgia, o hino de louvor, o "Gloria in Excelsis", cairá em silêncio. O solene Prefácio do Advento com sua memória do Batista irá apregoar: "...chamou pecadores ao arrependimento para que eles pudessem escapar da ira a ser revelada quando ele vier novamente em glória”. Nossa coleta de pós-comunhão (luteranos tendem a tê-la como um não-próprio) mudará para “Ó Deus Pai, fonte e começo de todo bem, que em benignidade enviaste teu Filho Unigênito na carne, nós te damos graças porque através dele nos deste o perdão e a paz neste Sacramento, e pedimos que não deixe teus filhos, mas sempre governe nossos corações e mentes pelo Teu Espírito Santo, para que possamos estar constantemente aptos para te servir, mediante Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre”. Em vez do verde “comum”, azul ou roxo irá ornamentar nossos altares. Tudo isso nos lembra de que estamos entrando em um período de penitência, um tempo de jejum, oração e esmola.

PENITÊNCIA:
Como necessitamos do Advento! A coleta para o Primeiro Domingo nos mostra o porquê: “para que sejamos libertados dos nossos pecados, que ameaçam nos separar de ti, e salvos por tua poderosa libertação”. Precisamos de Advento, porque não pensamos que os nossos pecados SÃO ameaçadores ou perigosos. Como estamos errados! Advento é a época em que não apenas nos preparamos para acolher o Salvador em sua encarnação, mas quando nos preparamos para acolher o juiz que irá retornar em nuvens de luz, para quem todos os desejos são conhecidos e de quem não há segredos escondidos. A única maneira de encontrá-lo é em penitência e fé, e no Advento a Igreja procura nos preparar para isso.

JEJUM:

Historicamente, os cristãos ocidentais observavam o jejum do Advento, restringindo-se a uma única refeição (não antes de meio-dia) e uma pequena refeição na noite de cada quarta e sexta-feira, exceto que nas sextas-feiras também se abstinham de carnes e derivados. Além disso, nas Quatro Têmporas (Quatuor Tempora) durante o Advento é tradição não só jejuar como também abster-se. Finalmente, a Vigília de Natal, dia 24, também foi mantida com jejum e abstinência.

Como luteranos, estamos, é claro, livres para observar estes dias tradicionais pelo bem da disciplina da nossa carne (embora no espírito de São Paulo e da Augustana possamos dispensar a distinção de carnes, mas observar em seu lugar uma maneira simplificada de comer).

ESMOLA:

O lado benéfico de ficar sem refeições é que economiza dinheiro que pode ser dado aos pobres. Em certo sentido, nós nos unimos em solidariedade com os famintos deste mundo quando jejuamos. Estamos com eles. Você pode pensar que economizar 10 dólares nas quartas e sextas-feiras não faz diferença - mas faz! Há muitos lugares para os quais você pode direcionar esses fundos. A LCMS World Relief é sempre uma causa nobre para destiná-los, se nada mais se apresenta [no Brasil pode ser destinado para alguma das entidades da AESI - Associação das Entidades de Serviço da IELB].

ORAÇÃO:

Advento é uma boa ocasião para empurrar de volta contra os horários apertados e loucos que o mundo nos impõem neste momento. Se você estiver usando o “Treasury of Daily Prayer” [no Brasil temos os devocionários “Castelo Forte” e “5 Minutos com Jesus”], pode ser um grande momento para acrescentar uma ou duas devoções à sua oração diária. Acima de tudo, não negligencie os cultos extras oferecidos nestes dias. Em nossa paróquia, na noite de quarta-feira, nos encontramos para cantar um hino e depois cantamos juntos a “Oração da Noite”. A paz e a alegria desta liturgia leva o autêntico coração do que a Igreja nos convida para entrar, quando deixamos de lado os horários agitados de nossas vidas e encontramos na oferta de oração e louvor, do canto de hinos, da leitura das Escrituras e da pregação do Evangelho, o único refrigério que sacia a nossa sede espiritual. O Advento lembra-nos que qualquer outra tentativa de saciar essa sede está fadada ao fracasso.

Visto que o período de Advento começa de novo, vamos recebê-lo com alegria e tentar crescer através dele em nossa fé em Deus e em ardente caridade uns pelos outros!

Rev. William C. Weedon é diretor de Culto e capelão do Centro Internacional da Igreja Luterana – Sínodo Missouri.

Tradução e adaptação do post publicado originalmente em Weedon's Blog.

26/11/2012

Feliz Novo Ano [da Igreja]! Feliz Advento!

Nada melhor que saudar o novo Ano da Igreja partilhando este maravilhoso tesouro do poeta luterano Paul Gerhardt:

"Entrada de Cristo em Jerusalém" (ca. 1305) de Giotto di Bondone (Itália, ca. 1267-1337)
1.Como hei de receber-te,
bendito Salvador?
Minha alma anseia ver-te,
saudar seu Redentor.
Ó Cristo, me ilumina
a mente natural;
em ti viver me ensina
em submissão total.

2.Sião estende palmas;
e toda a sua grei
os corações e as almas
vem consagrar ao Rei.
Meu coração contente
quer, Cristo, a ti servir,
agora, no presente,
e sempre, no porvir.

3.Perdido e atribulado,
fui salvo por Jesus,
que trouxe ao desgarrado
vida, esperança e luz.
Aos fracos dá firmeza,
conforto e sumo bem,
e a todos a certeza
da vida lá no além.

4.Nem mesmo nos espante
a culpa ou transgressão.
De Cristo o amor constante
desfaz a maldição;
alenta os pecadores,
e a todos quer salvar,
fazendo-os possuidores
do seu eterno lar.

5.Virá julgar o mundo:
ao ímpio condenar,
mas com amor profundo
ao crente resgatar.
Oh! vem, Jesus bondoso,
a todos nós buscar
e faze ao céu glorioso
os teus fiéis entrar.

O hino intitulado "Wie soll ich dich empfangen" de Paul Gerhardt, foi publicado em 1653 em "D. M. Luthers und anderer vornehmen geistreichen und gelehrten Männer geistliche Lieder und Psalmen" (Berlim).
A tradução que temos para o português é de Rodolfo Hasse e Leonido Krey e está no Hinário Luterano sob o número 13, com a melodia de Johann Crüger (1653). Há também outra melodia para este hino que é de Melchior Teschner (Valet Will Ich Dir Ge­ben, de 1613).



2. Dein Zion streut dir Palmen / und grüne Zweige hin, / und ich will dir in Psalmen / ermuntern meinen Sinn. / Mein Herze soll dir grünen / in stetem Lob und Preis / und deinem Namen dienen, / so gut es kann und weiß.

3. Was hast du unterlassen / zu meinem Trost und Freud, / als Leib und Seele saßen / in ihrem größten Leid? / Als mir das Reich genommen, / da Fried und Freude lacht, / da bist du, mein Heil, kommen / und hast mich froh gemacht.

4. Ich lag in schweren Banden, / du kommst und machst mich los; / ich stand in Spott und Schanden, / du kommst und machst mich groß / und hebst mich hoch zu Ehren / und schenkst mir großes Gut, / das sich nicht lässt verzehren, / wie irdisch Reichtum tut.

5. Nichts, nichts hat dich getrieben / zu mir vom Himmelszelt / als das geliebte Lieben, / damit du alle Welt / in ihren tausend Plagen / und großen Jammerlast, / die kein Mund kann aussagen, / so fest umfangen hast.

6. Das schreib dir in dein Herze, / du hochbetrübtes Heer, / bei denen Gram und Schmerze / sich häuft je mehr und mehr; / seid unverzagt, ihr habet / die Hilfe vor der Tür; / der eure Herzen labet / und tröstet, steht allhier.

7. Ihr dürft euch nicht bemühen / noch sorgen Tag und Nacht, / wie ihr ihn wollet ziehen / mit eures Amtes Macht. / Er kommt, er kommt mit Willen, / ist voller Lieb und Lust, / all Angst und Not zu stillen, / die ihm an euch bewusst.

8. Auch dürft ihr nicht erschrecken / vor eurer Sünden Schuld; / nein, Jesus will sie decken / mit seiner Lieb und Huld. / Er kommt, er kommt den Sündern / zu Trost und wahrem Heil, / schafft, dass bei Gottes Kindern / verbleib ihr Erb und Teil.

9. Was fragt ihr nach dem Schreien / der Feind und ihrer Tück? / Der Herr wird sie zerstreuen / in einem Augenblick. / Er kommt, er kommt, ein König, / dem wahrlich alle Feind / auf Erden viel zu wenig / zum Widerstande seind.

10. Er kommt zum Weltgerichte: / zum Fluch dem, der ihm flucht, / mit Gnad und süßem Licht / dem, der ihn liebt und sucht. / Ach komm, ach komm, o Sonne, / und hol uns allzumal / zum ewgen Licht und Wonne / in deinen Freudensaal.

25/11/2012

Último Domingo do Ano Eclesiástico (Próprio 29) - 25 de novembro de 2012


Leituras:
† Salmo 93
† Isaías 51.4-6 ou Daniel 7.9-10,13-14
† Judas 20-25 ou Apocalipse 1.4b-8
† Marcos 13.24-37 ou João 18.33-37

"Deus e a Escritura de Deus são duas coisas diferentes, não menos do que são duas coisas o Criador e a criatura de Deus. Ninguém duvida que há muitas coisas abscônditas em Deus, coisas que ignoramos, como ele mesmo diz no tocante ao último dia: 'A respeito daquele dia ninguém sabe senão o Pai' [Mc 13.32]. E Atos 1.7: 'Não vos compete conhecer os tempos e momentos'. E mais uma vez: 'Eu conheço os que escolhi' [Jo 13.18]. E Paulo: 'O Senhor conhece os que lhe pertencem' [2 Tm 2.19], e passagens semelhantes." (Lutero em "Da Vontade Cativa", Obras Selecionadas, IV, pág. 23)

Contexto litúrgico:
O Último Domingo do Ano da Igreja é chamada de “O Domingo do Cumprimento”. Ele foca no fato indubitável de que Cristo, no Último Dia, cumprirá todas as suas promessas e completará a sua obra de redenção. Isaías 51 chama nossa atenção para a justiça do Senhor que se aproxima. Os gentios das ilhas aguardam ansiosamente o cumprimento de sua justiça quando ele retornar (51.5). Apesar do fato de que “os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra envelhecerá como um vestido, e os seus moradores morrerão como mosquitos”, os servos que trabalham, fazendo a vontade de seu mestre, não precisam ter medo, pois sua “salvação durará para sempre, e a [sua] justiça não será anulada” (51.6). Os versos de S. Judas nos encorajam a lembrar que nossa salvação é certa porque Deus é capaz de nos guardar de tropeços (v. 24). Assim, nós também temos misericórdia dos que têm dúvida e procuramos arrebatá-las do fogo (vv. 22-23). -- Rev. Juan D. Palm, pastor, Concordia Lutheran Church, Oak Harbor, Washington, EUA (Concordia Pulpit Resources, Volume 22, Part 4, Series B, September 9–November 25, 2012)

Coleta:
Senhor Jesus Cristo, governa nossos corações e mentes de tal maneira pelo teu Espírito Santo a fim de que, mesmo conscientes do teu glorioso retorno, perseveremos na fé e em santidade de vida; pois tu vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Acordai! os guardas chamam!

Último Domingo do Ano da Igreja

Acordai! os guardas chamam.
Com voz vibrante nos conclamam:
Desperta, ó tu, Jerusalém!
Eis que meia noite soa!
Retumba a voz e longe ecoa:
Prudentes virgens, Cristo vem!
As lâmpadas tomai;
às pressas o encontrai! — Aleluia!
Acesa a fé, em prontidão
esteja o vosso coração.

Ouve a igreja jubilante
dos guardas canto retumbante,
levanta e está em prontidão.
Vem da glória o seu Esposo,
fiel em graça e poderoso.
Rompeu a aurora de Sião!
Bendito Salvador,
vem logo, ó bom Senhor — Aleluia!
Seguimos já celeste luz,
que às tuas bodas nos conduz.

Glória seja a ti cantada,
por nós e os anjos entoada
com harpas em sonoro tom.
Glória a ti, que nos confortas!
De doze perlas são as portas
da nossa habitação.
Jamais um olho viu,
nenhum ouvido ouviu tal ventura!
Queremos nós a ti cantar
mil Aleluias sem cessar!

Hinário Luterano, n.º 534. Wachet auf, ruft uns die StimmePhilipp Nicolai, 1599. Trad. Rodolfo Hasse. Mel. Philipp Nicolai, 1599.

"As Cinco Prudentes e as Cinco Insensatas" (1700) de Godfried Schalcken (1643-1706).

23/11/2012

O arrependimento


Da 1ª Carta de Clemente aos Coríntios:

"Jonas chama Nínive ao arrependimento" de Gustave Doré (1832-1883)
Cap. 7. Caríssimos, escrevemos todas essas coisas, não só para vos advertir, mas também pra lembrá-las a nós mesmos. De fato, estamos na mesma arena, e o mesmo combate nos espera. Deixemos, portanto, as preocupações vazias e inúteis, e sigamos a norma gloriosa e venerada da nossa tradição. Vejamos o que é bom, o que agrada e o que é aceito diante daquele que nos criou. Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo, e compreendamos como é precioso ao seu Pai. Derramado pela nossa salvação, trouxe ao mundo a graça do arrependimento. Percorramos todas as gerações e aprendamos que, de geração em geração, o Senhor deu possibilidade de arrependimento a todos aqueles que queriam converter-se a ele. Noé pregou o arrependimento, e os que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou a catástrofe aos ninivitas, e estes se arrependeram de seus pecados, aplacaram a Deus com suas súplicas e obtiveram a salvação embora fossem estrangeiros em relação a Deus.

Cap. 8. Os ministros da graça de Deus falaram sobre o arrependimento, por meio do Espírito Santo. E o próprio Senhor do universo falou do arrependimento, jurando: "Eu vivo, diz o Senhor, e não quero a morte do pecador, e sim que ele se arrependa [Ez 18,23; 33,11]." E acrescenta também um propósito bom: "Casa de Israel, arrependei-vos de vossa iniquidade. Dize aos filhos do meu povo: Ainda que vossos pecados cheguem da terra até o céu, e que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais sujos que o pano de saco, se vos converterdes a mim de todo o coração, e disserdes: 'Pai!'- eu vos escutarei como povo santo. [Ez 18,30; Sl 102,11; Jr 3,19.22]" Em outra passagem , ele diz assim: "Lavai-vos e purificai-vos; tirai da presença dos meus olhos a maldade de vossas almas; acabai com as vossas maldades. Aprendei a praticar bem, procurai a justiça, libertai o oprimido, defendei o órfão e fazei justiça à viúva. Depois, vinde e discutiremos, diz o Senhor. E ainda que vossos pecados estejam como a púrpura, eu os tornarei brancos como a neve; se estiverem como o escarlate, eu os tornarei alvos como a lã. Se quiserdes me ouvir, comereis dos bons produtos da terra; mas, se não quiserdes me ouvir, a espada vos devorará. Isso, de fato, foi a boca do Senhor que falou. [Is 1,16-20]" Na sua onipotente vontade, ele decidiu que todos os seus amados tenham possibilidade de arrependimento.

Jesus Cristo, o caminha da salvação


Da 1ª Carta de Clemente aos Coríntios:

Cap. 32. Portanto, todos foram glorificados e engrandecidos, não por eles mesmos, nem por suas obras, nem pela justiça dos atos que praticaram, e sim por vontade dele. Por conseguinte, nós que por sua vontade fomos chamados em Jesus Cristo, não somos justificados por nós mesmos, nem pela nossa sabedoria, piedade ou inteligência, nem pelas obras que realizamos com pureza de coração, e sim pela fé, é por ela que Deus Todo-poderoso justificou todos os homens desde as origens. A ele seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Pintura de Lucas Cranach, de 1547, no retábulo (Altarstück) da Igreja de Santa Maria, em Wittenberg, onde Lutero pregava com freqüência. Para Lutero, Cristo é a chave para a Escritura, assim como o Evangelho é a chave para a igreja.

Cap. 36. Caríssimos, este é o caminho no qual encontramos a nossa salvação: Jesus Cristo, o sumo sacerdote de nossas ofertas, o protetor e o auxílio de nossa fraqueza. Por meio dele, fixamos nosso olhar nas alturas dos céus; por meio dele, contemplamos, como em espelho, sua face imaculada e incomparável; por meio dele, abriram-se os olhos do nosso coração; mediante ele, nossa mente obtusa e obscura refloresce para a luz; mediante ele, o Senhor quis fazer-nos experimentar o conhecimento imortal. "De fato, sendo ele, o resplendor de sua majestade, é tanto superior aos anjos quanto o nome que herdou é mais excelente." Assim está escrito: "Ele fez dos ventos mensageiros seus e de chama de fogo o seus servidores." Asim diz o Senhor a respeito do seu Filho: "Tu és o meu filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações como tua herança, e teus serão os confins da terra." E lhe diz ainda: "Senta à minha direita, até que eu coloque os teus inimigos como estrado para teus pés [Sl 49.16-23]." Quais são os inimigos? São os malfeitores e aqueles que se opõem à sua vontade.

O amor a Cristo

"O Retorno do Filho Pródigo" (1667-70) de Bartolomé Esteban Murillo.

Da 1ª Carta de Clemente aos Coríntios:

Cap. 49. Quem tem amor de Cristo, cumpre os mandamentos de Cristo. Quem poderá explicar o vínculo do amor de Deus? Quem será capaz de exprimir a grandiosidade de sua beleza? A altura para onde o amor conduz é inefável. O amor nos une a Deus, "o amor cobre a multidão dos pecados". O amor tudo sofre e tudo suporta. No amor não há nada de banal, nem de soberbo. O amor não divide, o amor não provoca revolta, o amor realiza tudo na concórdia. No amor, tornam-se perfeitos os eleitos de Deus; sem o amor nada é agradável a Deus. É no amor que o Senhor nos atraiu a si. É por causa de seu amor para conosco, que Jesus Cristo nosso Senhor, conforme a vontade de Deus, deu o seu sangue por nós, sua carne pela nossa carne, e sua vida por nossa vida.

Cap. 50. Caríssimos, vede como o amor é coisa elevada e maravilhosa e que sua perfeição está além de qualquer comentário. Quem é capaz de se encontrar nele, senão aqueles que Deus tornou dignos? Rezemos, portanto, e supliquemos a sua misericórdia, a fim de sermos encontrados no amor, sem parcialidade, irrepreensíveis. Muitas gerações passaram, desde Adão até hoje; mas, aqueles que pela graça de Deus, se tornaram perfeitos no amor permanecem no lugar dos piedosos. Esses hão de tornar-se manifestos, quando aparecer o Reino de Cristo. Com efeito, está escrito: "Entrai um pouco em vossos quartos, até que passem a minha ira e o meu furor. Então, eu me lembrarei do dia ótimo, e vos ressuscitarei dos vossos sepulcros [Is 26,20; Ez 37,12]." Somos felizes, caríssimos, se praticamos os mandamentos de Deus na concórdia e no amor, a fim de que, pelo amor, nossos pecados sejam perdoados. Pois está escrito:"Felizes aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos. Feliz o homem, do qual o Senhor não considera o pecado e em cuja boca não existe engano [Sl 31,1-2; Rm 4,7-8]." Essa bem-aventurança é para os que Deus escolheu por meio de Jesus Cristo nosso Senhor. A ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.