11/10/2019

11 de outubro — Filipe, Diácono


Filipe, também chamado de Evangelista (Atos 21.8), foi um dos sete homens designados para auxiliar no trabalho dos doze apóstolos e da Igreja Primitiva, que estava em franco crescimento, supervisionando a distribuição de alimentos aos pobres (Atos 6.1-6). Após o martírio de Santo Estevão, Filipe proclamou o Evangelho em Samaria e orientou Simão o Mago a se tornar um crente em Cristo (Atos 8.4-13). Ele também foi instrumento da conversão do eunuco etíope (Atos 8.26-39), através do qual Filipe tornou-se indiretamente responsável por levar a Boa Nova de Jesus para o povo do continente africano. Na cidade de Cesareia ele hospedou por vários dias o apóstolo São Paulo quando parou ali em sua última viagem a Jerusalém (Atos 21.8-15).

ORAÇÃO DO DIA:

Deus onipotente e eterno, nós te damos graças por teu servo Filipe, o Diácono. Tu o chamaste para pregar o Evangelho aos povos da Samaria e da Etiópia. Levanta mensageiros de teu reino nesta e em todas as nações, para que a tua igreja possa proclamar as riquezas imensuráveis de nosso Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. pág. 804)

09/10/2019

9 de outubro - Abraão


Abraão (conhecido no início de sua vida como Abrão) foi chamado por Deus para se tornar o pai de uma grande nação (Gn 12). Com a idade de 75 anos e em obediência à ordem de Deus, ele, sua esposa Sara e seu sobrinho Ló mudaram-se para a terra de Canaã, a sudoeste da cidade de Harã. Lá Deus estabeleceu uma aliança com Abraão (Gn 15.18), prometendo a terra de Canaã aos seus descendentes. Quando Abraão tinha cem anos e Sara noventa, eles foram abençoados com Isaque, o filho a muito tempo lhes prometido por Deus. Abraão demonstrou suprema obediência quando Deus ordenou ele oferecesse Isaque como holocausto. Deus poupou a vida do jovem no último instante e providenciou um carneiro como oferta substitutiva (Gn 22.1-19). Abraão morreu com a idade de 175 anos e foi enterrado na caverna de Macpela, que ele havia comprado anteriormente como um local de sepultamento para Sara. Ele é especialmente honrado como o primeiro dos três grandes patriarcas do Antigo Testamento - e por sua “justiça diante de Deus por meio da fé” (Romanos 4.1-12).

ORAÇÃO DO DIA:

Senhor Deus, Pai celestial, tu prometeste a Abraão que ele seria o pai de muitas nações, guiaste-o para a terra de Canaã e selaste tua aliança com ele pelo derramamento de sangue. Que possamos ver em Jesus, a Semente de Abraão, a promessa de uma nova aliança da tua santa Igreja, selada com o sangue de Jesus na cruz e que agora nos é dada no cálice do Novo Testamento; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (Concordia Publishing House, 2009. p. 797-798)

Imagem: Abraão e os Três Anjos (1656), por Gerbrand van den Eeckhout (1621–1674)

07/10/2019

Lutero: Fé é obra divina


A fé não é a ilusão e o sonho humano que muitos acham que é. E quando veem que não acontece uma melhoria de vida nem boas obras e, ainda assim, muito ouvem e falam da fé, caem no erro de dizer que a fé não é suficiente, que é preciso fazer obras, se é que se quer ficar justo e ser salvo. A consequência disso é que, ao ouvirem o Evangelho, agem precipitadamente e, por esforço próprio, criam um pensamento no coração que diz: “Eu creio”. Isso eles então consideram uma fé verdadeira. Mas, assim como isso não passa de fantasia e pensamento humano que jamais atinge o fundo do coração, também nada ocasiona, tampouco se segue uma melhoria.

Fé, entretanto, é uma obra divina em nós que nos modifica e nos faz renascer de Deus (João 1.13), mata o velho Adão, transforma-nos em pessoas bem diferentes de coração, sentimento, mentalidade e todas as forças, e traz consigo o Espírito Santo. Ah, há algo muito vivo, atuante, efetivo e poderoso na fé, a ponto de não ser possível que ela cesse de praticar o bem. Ela também não pergunta se há boas obras a fazer, e sim, antes que surja a pergunta, ela já as realizou e sempre está a realizar. Quem, porém, não realiza tais obras, é pessoa sem fé que anda às apalpadelas à procura de fé e boas obras e nem sabe o que é fé nem boas obras e, ainda, fica falando muito e conversando fiado sobre as mesmas.

Fé é uma confiança viva, inabalável na graça de Deus, tão certa de si que ela não se importaria de morrer mil vezes. E semelhante confiança e reconhecimento da graça divina tornam alegre, persistente e agradável perante Deus e todas as criaturas, o que é ocasionado pelo Espírito da fé. Por isso, sem coação, ela se dispõe voluntariamente a fazer o bem a todo mundo, a servir a todo mundo, sofrer tudo, por amor e em louvor a Deus que lhe demonstrou tamanha graça, de sorte que é tão impossível separar as obras da fé, como é impossível separar a luz do fogo. Toma cautela, portanto, contra as tuas próprias ideias falsas e contra conversadores inúteis, que querem ser sabidos ao julgar sobre a fé e as boas obras e, na verdade, são os maiores ignorantes. Peço a Deus que crie fé em ti, senão hás de ficar eternamente sem fé. Tu, por ti mesmo, inventas e fazes o que queres ou podes.

Justiça, então, é essa fé, e significa justiça de Deus, ou que vale perante Deus, uma vez que é Deus quem a dá e a considera justiça, por causa de Cristo, nosso mediador, e concede à pessoa disposição para dar a cada um o que lhe deve. Pois, através da fé, a pessoa se torna sem pecado e ganha vontade de cumprir os mandamentos de Deus, com o que ele dá glória a Deus e paga o que lhe deve. E às outras pessoas ela serve de bom grado como pode; e com isso também paga a cada um. Uma justiça desta espécie nem a natureza, nem a livre vontade e nossas forças conseguem produzir. Pois da mesma forma como ninguém consegue dar a fé a si mesmo, também não se pode eliminar a falta de fé. Como alguém haveria de tirar o menor pecado que fosse? Por essa razão, tudo é falso, hipócrita e pecado o que acontece fora da fé ou com falta de fé (Romanos 14.23), por maior brilho que possa apresentar.

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Prefácio à Epístola de São Paulo aos Romanos)

Fonte: Obras Selecionadas de Lutero, vol. 8. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia Editora, 2003. p. 132-133

06/10/2019

Décimo Sétimo Domingo após Pentecostes (Ano C - Próprio 22)


6 de outubro de 2019

Habacuque 1.1–4; 2.1–4
Salmo 62
2 Timóteo 1.1–14
Lucas 17.1–10


Andamos por fé e não pelo que vemos, na paz do perdão de Cristo
Estamos envoltos pela “destruição e a violência” (Hc 1.3) porque a Lei “se afrouxa e a justiça nunca se manifesta” (Hc 1.4). De fato, a Lei não pode nos salvar de nossos inimigos e ela é o nosso inimigo mais feroz de todos. Portanto, “o justo viverá pela sua fé” (Hc 2.4) e não pelo que vê, experimenta ou sente, nem por obras. “Sempre haverá coisas que levem as pessoas a tropeçar” (Lc 17.1), mas sempre que pecamos, o Senhor nos repreende, nos faz voltar em arrependimento e nos perdoa. Por isso, oramos para que Ele “aumente-nos a fé” (Lc 17.5). E de fato, Ele faz assim! Apesar de sermos “servos inúteis” (Lc 17.10), Ele prepara Sua Ceia para nós, nos veste adequadamente e nos dá Seu corpo e sangue para comer e beber. Ele ainda estabelece pastores sobre nós, “pela vontade de Deus, conforme a promessa da vida em Cristo Jesus” (2 Tm 1.1). Pois o Evangelho traz “à luz a vida e a imortalidade” (2 Tm 1.10). É isto que nós cremos e confessamos. Portanto, “mantenha o padrão das sãs palavras” que você ouviu e por meio das quais Ele te guarda “na fé e no amor que há em Cristo Jesus” (2 Tm 1.13).

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano – Lecionários (Editora Concórdia).

Imagem: Instituição da Eucaristia, Monastério Carmelita (Launceston, Austrália)

02/10/2019

C. F. W. Walther: A cruz é uma imagem de conforto eternal


"A crucificação, que terminou com o clamor triunfante "Está consumado" (Jo 19,30), foi a oferta do único e suficiente sacrifício para a expiação de todos os pecadores. O Homem na cruz era o Cordeiro de Deus, que carregou os pecados do mundo para levá-los para longe da face de Deus. A salvação do mundo inteiro já foi pendurada por aqueles três pregos na cruz do Gólgota. Assim como o fruto do lenho da árvore proibida da qual o primeiro homem comeu trouxe pecado, morte e condenação a toda a raça humana, assim também os frutos do lenho da cruz restauraram a justiça, a vida e a bem-aventurança para todas as pessoas.

Em razão disso, a cruz é ao mesmo tempo santa e bendita! O que antes era nada mais que um pedaço de lenho seco, foi transformado, assim como o bordão de Arão, num ramo verde cheio de flores e frutos celestiais. O que antes era um instrumento de tormento para a punição de pecadores, agora brilha em celestial esplendor como um sinal da graça para todos os pecadores. O que antes era madeiro de maldição, tornou-se agora uma árvore de bênçãos, um altar de sacrifício para expiação e um aroma agradável a Deus, após a "Bênção Prometida" a todos povos oferecer a Si mesmo sobre aquele madeiro.

Hoje, a cruz ainda é um terror - mas apenas para o inferno. Ela brilha sobre suas ruínas como um sinal de vitória sobre o pecado, a morte e Satanás. Com a cabeça esmagada, a serpente da tentação jaz ao pé da cruz. É uma imagem de conforto eternal em cuja direção a visão enfraquecida do moribundo olha com grande anseio, como a última âncora da sua esperança e a única luz que brilha em meio às trevas da morte."

- C. F. W. Walther (1811-1887), pastor e teólogo

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. pág. 922)

30/09/2019

30 de setembro — Jerônimo, Tradutor da Sagrada Escritura


Jerônimo nasceu numa pequena aldeia do Mar Adriático, por volta do ano 345 d. C. Ainda jovem foi estudar em Roma e ali foi batizado. Depois de extensas viagens, dedicou-se à vida de monge e passou cinco anos no deserto sírio. Lá, aprendeu hebraico, a língua do Antigo Testamento. Após sua ordenação em Antioquia e visitas a Roma e Constantinopla, Jerônimo estabeleceu-se em Belém. Usou sua habilidade com idiomas para traduzir a Bíblia a partir do original em hebraico, aramaico e grego, para o latim, a língua comum do seu tempo. Essa tradução, chamada de Vulgata, foi a versão oficial da Bíblia na Igreja ocidental em todo o mundo por mais de mil anos. Considerado um dos grandes sábios da Igreja Antiga, Jerônimo morreu no dia 30 de setembro de 420. Ele foi inicialmente sepultado em Belém, mas seus restos mortais foram depois levados para Roma.

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Senhor, Deus da verdade, a tua Palavra é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho. Tu deste a teu servo Jerônimo alegria no estudo da tua Sagrada Escritura. Permite aos que continuam a ler, anotar, aprender e meditar a tua Palavra no coração, encontrar nela o alimento da salvação e o manancial da vida; através de Jesus Cristo nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (Concordia Publishing House, 2008. p. 771)

Imagem: Anjo aparecendo a São Jerônimo (c.1640), por Guido Reni (1575-1642)

29/09/2019

Décimo Sexto Domingo após Pentecostes (Ano C – Próprio 21)


29 de setembro de 2019

Amós 6.1–7
Salmo 146
1 Timóteo 3.1–13 ou 1 Timóteo 6.6–19
Lucas 16.19–31


Nosso auxílio não está nas riquezas terrenas

“O mendigo morreu e foi levado pelos anjos para junto de Abraão” e “morreu também o rico e foi sepultado” (Lc 16.22). O mendigo Lázaro, que conheceu tantas coisas ruins na terra, começou a ser consolado eternamente, enquanto o rico, depois de uma vida inteira de coisas boas, começou a viver “atormentado” (Lc 16.25). Portanto, “ai dos que andam à vontade em Sião” (Am 6.1), pois “cessarão as festanças dos que gostam de se espreguiçar” (Am 6.7). Os ricos são exortados “a que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza”, mas que “façam o bem, sejam ricos em boas obras, generosos em dar e prontos a repartir” (1 Tm 6.17-18). O desejo cobiçoso pelo que Deus não deu é idolatria e “a raiz de todos os males” (1 Tm 6.10). O contentamento pertence à fé, pela qual o cristão tem “grande ganho” em piedade (1 Tm 6.6).

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Deus, és a força de todos os que confiam em ti e sem a tua ajuda não podemos fazer nada de bom. Concede-nos a ajuda da tua graça a fim de te agradarmos tanto na vontade como nas ações; através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church — Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano — Lecionários (Editora Concórdia).