28/10/2020

A SAGRADA LITURGIA (Parte VII)

 


AS SAGRADAS ESCRITURAS

            A Sagrada Liturgia para o Culto Divino é repleta de citações, paráfrases e versículos bíblicos. Mesmo assim, ela reserva um momento muito especial para a Leitura e a Reflexão de textos bíblicos, tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento, revelando para nós a plenitude da Palavra de Deus. Em meio a este verdadeiro banquete das Sagradas Escrituras, que segue com o Santo Evangelho para o dia e a Santa Pregação, o povo de Deus entoa “aleluias”, que nada mais é do que uma declaração de alegria e adoração ao Senhor. Afinal, no Culto Divino estamos tão felizes e agradecidos por Deus estar conosco e falando conosco através de sua Palavra que só podemos exaltar: “O Senhor é tremendo, Louvado seja o Senhor, Aleluia!” (Salmo 111:1). 

        Aqui também é importante ressaltar que, pelo fato de a Igreja seguir leituras previamente indicadas nos Lecionários “Trienal” e “Anual”, ela consegue transmitir o todo dos ensinamentos das Sagradas Escrituras a cada ano aos seus fiéis.

Continua...

Rev. Helvécio J. Batista Jr.
Ministro do Senhor na Paróquia Evangélica Luterana Bom Pastor
Cariacica/ES

 

27/10/2020

A SAGRADA LITURGIA (Parte VI)

 


KYRIE ELEISON e GLORIA IN EXCELSIS DEO

            As ruas do mundo antigo estavam cheias de mendigos que abordavam aqueles que passavam. Esses mendigos eram totalmente desfavorecidos e, por isso, dependiam da misericórdia de alguém ou alguns que se compadecessem deles. Para isso, havia uma arte de mendigar: ao invés de serem agressivos ou exigente, aqueles mendigos apelavam para aqueles que passavam, clamando: “Kyrie Eleison!” – “Senhor, Misericórdia!”. 

                Quando a Sagrada Liturgia nos leva a clamar dessa mesma maneira, ela nos auxilia a jamais esquecermos que enquanto estamos nesta vida continuamos a ser simultaneamente justos e pecadores. Isto significa que, mesmo após termos sido abençoados com o Perdão de Deus e, por causa disso, o glorificado pela Santa Comunhão com ele que o Culto Divino está proporcionando, continuamos no “mundo”, ainda vivemos neste “vale de lágrimas”, permanecemos totalmente dependentes da ajuda graciosa de nosso Senhor. E sendo assim, não podemos perder de vista esta realidade e, então, como fez aquele cego e mendigo, ao ouvir que Jesus estava próximo – conforme o Evangelho segundo S. Marcos 10:47 – clamar: “Senhor, Misericórdia!”. O Hinário Luterano indica este texto bíblico especialmente neste momento para que através destas palavras possamos olhar para nós mesmos e vermos que, enquanto estamos nesta vida, sofremos, choramos, nos angustiamos e dia-após-dia nos damos conta que não somos tão fortes quanto imaginávamos e é assim que, então, reconhecemos que sempre precisamos de ajuda, que em todos os momentos precisamos de alguém que possa agir misericordiosamente para conosco. 

                A Sagrada Liturgia não somente nos ensina isso, mas também revela a resposta para este clamor: Da mesma forma como Jesus chegou até aquele homem e teve misericórdia dele, nós também podemos ter a certeza que o mesmo ele faz para conosco. E isto é revelado para nós com as palavras dos anjos de Deus por ocasião do nascimento de Jesus: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (S. Lucas 2.14). Essas mesmas palavras agora são ditas na Sagradas Liturgias para termos a tranquilidade e a certeza que este mesmo Deus, este mesmo Emanuel, de fato, também está conosco misericordiosamente. Jesus não apenas esteve aqui nesse mundo e foi misericordioso somente para com as pessoas há 2.000 anos atrás. Hoje ele também está com a gente! Hoje ele continua agindo misericordiosamente para com todos nós! Por tudo isso, o “Gloria in Excelsis”, conforme aponta o Hinário Luterano ainda lembra as palavras de São João Batista, ao ver Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (S. João 1.29).

Continua...

Rev. Helvécio J. Batista Jr.
Ministro do Senhor na Paróquia Evangélica Luterana Bom Pastor
Cariacica
/ES

26/10/2020

A SAGRADA LITURGIA (Parte V)

 


INTROITO

            A Sagrada Liturgia do Culto Divino, após nos lembrar quem somos e quem o Senhor é, nos conduzir pelo reconhecimento de nossa natureza pecaminosa e nos consolar com a Santa Absolvição por parte do próprio Deus através de um Ministro devidamente ordenado e chamado; nos coloca agora diante de uma exposição gigantesca da Palavra de Deus. E isto se inicia de forma muito especial com o Introito – ou a “introdução” da temática do Culto – que normalmente é composto pelo Salmo do Dia seguido pelo “Gloria Patri” – um cântico de louvor e gratidão à Santíssima Trindade, onde se declara e confessa que aquela comunhão íntima e bem-aventurada do ser humano com o Senhor antes da queda, “no princípio”, plena e perfeita, “agora é”, no Culto Divino, por causa do Perdão dos pecados, “e por todo o sempre há de ser”, na Vida Eterna com este Senhor! Além disso, o Introito nos leva a reconhecer que tudo provém do Senhor e, por isso, conforme Apocalipse 1:4 e 4:11, aquele que “era, que é e que sempre será” é o único digno “de receber a glória, a honra e o poder”.

Continua...

Rev. Helvécio J. Batista Jr.
Ministro do Senhor na Paróquia Evangélica Luterana Bom Pastor
Cariacica/ES

25/10/2020

Vigésimo Primeiro Domingo após Pentecostes – 25 de outubro de 2020 (Ano A – Próprio 25)

Levítico 19.1-2,15-18
Salmo 1
1 Tessalonicenses 2.1-13
Mateus 22.34-46

Em divino e santo amor, o Senhor Jesus nos santifica pelo Evangelho da sua Cruz

O povo de Deus deve ser santo assim como Ele é santo. Por isso, devemos temer, amar e confiar nele acima de todas as coisas, e nessa fé cada um “ame o seu próximo como você ama a si mesmo” (Lv 19.18). Esta fé em Deus e este amor ao próximo são os dois grandes mandamentos dos quais “dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.40). O Senhor, nosso Deus, cumpriu sua Lei em nosso lugar - em seu grande amor por nós, de todo seu coração, alma e mente, e num corpo de carne e sangue como o nosso. O Senhor de Davi tornou-se o Filho de Davi, para que todos os nossos inimigos fossem colocados debaixo dos seus pés e para que Nele possamos ser exaltados à mão direita de Deus (Mt 22.43-45). Por isso os seus servos carregam sua cruz em fé e amor. Por causa do Evangelho os servos de Cristo sofrem perseguição por suas obras, suportando suas dificuldades com mansidão, “assim como uma mãe que acaricia os próprios filhos” (1 Ts 2.7). Da mesma forma e com muito afeto, os servos de Cristo exortam, consolam e admoestam o próximo “como um pai trata os seus filhos” (1 Ts 2.11-12).

ORAÇÃO DO DIA:
 
Ó Deus, que nos ordenaste amar a ti acima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos, concede-nos o Espírito para pensar e fazer o que é agradável a ti, a fim de que nossa fé em ti nunca vacile e nosso amor uns pelos outros nunca enfraqueça; através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano – Lecionários (Editora Concórdia).

Imagem: Moisés e Arão com as Tábuas da Lei (c. 1692), por artista desconhecido (Jewish Museum London)

22/10/2020

A SAGRADA LITURGIA (Parte IV)

 


A SANTA ABSOLVIÇÃO

            Confessamos o nosso pecado – tiramos as sandálias dos pés – e agora podemos ouvir a Palavra de Deus através de um Ministro chamado e ordenado: “Perdoado está o teu pecado!”. Mas, um Ministro é um ser humano e pecador, como que ele pode dizer “Eu te perdoo”? Mesmo ele dizendo que é “em nome do Senhor” isso não soa estranho ou errado? A resposta para estas questões se encontra no texto bíblico indicado para este momento litúrgico em nosso Hinário Luterano: S. João 20: 19-23. Este texto revela que Jesus instituiu a Santa Absolvição para que nós tenhamos certeza do seu perdão. Além disso, um Ministro devidamente chamado e ordenado pode perdoar os pecados em Nome do Senhor não porque ele tenha um poder sobrenatural, mas porque o próprio Senhor o enviou para fazer isso: perdoar pecados! Em outras palavras, naquele momento, de forma muito especial, temos o próprio Deus perdoando pessoalmente você! 

            Agora sim estamos devidamente preparados para ouvir a Palavra de Deus. E sabe onde isso acontece? Em terra Santa, em solo Sagrado. Pois o Culto Divino é o Serviço de Deus – é algo Santo! E a Liturgia é Sagrada porque nos direciona por uma terra que é sagrada, uma terra onde a presença e a ação do Senhor é concreta e real!

Continua...

Rev. Helvécio J. Batista Jr.
Ministro do SENHOR na Paróquia Evangélica Luterana Bom Pastor
Cariacica/ES

21/10/2020

A SAGRADA LITURGIA (Parte III)

 


CONFISSÃO DE PECADOS

    Observe no Hinário Luterano que toda esta parte inicial do Culto Divino – que corresponde a Invocação do Nome do Senhor, a Alocução Confessional, a Confissão de Pecados e a Santa Absolvição – é denominada de “Preparação”. Mas, por que ou para que esta “Preparação”? Há um texto bíblico que nos ajuda a compreender esta definição: Êxodo 3. Neste texto acontece o episódio da “sarça ardente”, onde Deus aparece para Moisés. No entanto, diz o texto, “quando o SENHOR viu que Moisés se aproximava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: — Moisés! Moisés! Ele respondeu: — Eis-me aqui! Deus continuou: — Não se aproxime! Tire as sandálias dos pés, porque o lugar em que você está é terra santa” (Êxodo 3: 4-5). 

        A presença de Deus em meio a sarça fazia dali um lugar sagrado, e as sandálias, naquela época, por carregar as sujeiras do dia-a-dia eram associadas a impureza. Hoje, por assim dizer, o Culto Divino é uma Sarça Ardente para nós – o Senhor vem falar conosco, sua presença é real. Mas, somos impuros por causa de nossa natureza pecaminosa. Então, não podemos ficar? Pelo contrário, reconhecemos e confessamos os nossos pecados para podermos ficar e ouvir a Palavra de Deus! Confessamos os nossos pecados – tiramos as sandálias dos pés – e assim somos preparados para ouvir a Palavra de Deus através de um ministro chamado e ordenado. A “Preparação” conclui com este Ministro proclamando em nome do Senhor: “Perdoado está o teu pecado!”

Continua...

Rev. Helvécio J. Batista Jr.
Ministro do Senhor na Paróquia Evangélica Luterana Bom Pastor
Cariacica/ES

20/10/2020

A SAGRADA LITURGIA (Parte II)



ALOCUÇÃO CONFESSIONAL

        Após a Invocação do Nome do Senhor, a Sagrada Liturgia nos dirige para a Confissão dos pecados e a Santa Absolvição. E este momento importante e especial se inicia com o que chamamos de “Alocução ou Exortação Confessional”. Mas, o que é isso? A alocução ou exortação nada mais é do que um lembrete e reconhecimento de quem Deus é e de quem nós somos. Afinal, somente com este reconhecimento podemos perceber nossa real situação e condição nesta vida e diante do Senhor. Para tanto, a Sagrada Liturgia – conforme você pode conferir no Hinário Luterano – procura nos ensinar que o Deus que derramou sobre nós o Santo Batismo e nos fez seus filhos é, de fato, “nosso refúgio e fortaleza, o socorro bem presente nas tribulações” (Salmo 46:1). Ao mesmo tempo, somos lembrados de nossa condição pecaminosa e impura. Portanto, “se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a Verdade não está em nós” (1João 1:8).  

        E será que podemos nos aproximar de Deus e lhe pedir perdão? Sim! Porque somos seus filhos, batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, que agora podem recorrer ao seu socorro e em seu amor se refugiar. Por isso, apesar de sermos pecaminosos e impuros, podemos dizer – com toda a confiança – durante este momento de alocução: “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1João 1:9). E verdadeiramente assim o fará!

Continua...

Helvécio J. Batista Jr.
Ministro do Senhor na Paróquia Evangélica Luterana Bom Pastor
Cariacica/ES