01/11/2012

O Credo Niceno-Constantinopolitano


reio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, tanto das coisas visíveis como das invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo na virgem Maria e foi feito homem; foi também crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressuscitou segundo as Escrituras, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai e virá novamente em glória a julgar os vivos e os mortos, cujo reino não terá fim.

E no Espírito Santo, Senhor e doador da vida, o qual procede do Pai e do Filho, que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou pelos profetas. E numa única santa Igreja Cristã* e Apostólica. Confesso um só Batismo para remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida † do mundo vindouro.

Amém.

* Cristã: o texto antigo diz "católica", que significa toda a Igreja uma vez que confessa a totalidade da doutrina cristã.

Ícone retratando o Primeiro Concílio de Niceia.
A origem do Credo Niceno se encontra na necessidade de defender a doutrina apostólica da divindade de Cristo contra Ário, e da divindade do Espírito Santo contra os seguidores de Macedônio. Convocou-se um concílio na cidade de Niceia para maio e junho de 325. Duzentos e vinte bispos estavam presentes. O propósito do concílio era formular, sem possibilidade de falsas interpretações, o que as Escrituras ensinavam a respeito do Senhor Jesus Cristo. A pergunta era: Jesus é ou não é o verdadeiro Deus do verdadeiro Deus? Estaria Ario certo ao dizer que Jesus não é verdadeiramente Deus? Apesar do brilhantismo dos teólogos arianos, os ortodoxos (que mantinham o ensino bíblico) não estavam ausentes e sem os seus heróis da fé. Conta a história que Atanásio era um homem de pouca estatura. Mas como um estudioso da Bíblia, era um gigante. Desde o Concílio de Niceia, por causa da sua defesa sólida da fé cristã, o dito que passou a acompanhá-lo foi "Atanásio contra o mundo".

Além, de Ario, apenas cinco outros se recusaram a assinar o documento de Niceia. O Imperador os baniu, mas sem grande interesse político. O mesmo credo foi reafirmado no Concílio de Constantinopla, em 381, e foi oficialmente adotado com alguns acréscimos em 451, no Concílio de Calcedônia.

O Credo Niceno não procura apresentar todos os artigos da fé cristã, mas confessa e defende as verdades fundamentais da doutrina escriturística acerca de Deus.

O texto do Credo Niceno acima é o atualmente utilizado na liturgia da Igreja Evangélica Luterana do Brasil. O texto conforme o Livro de Concórdia é o seguinte:

Creio em um só Deus, o Pai onipotente, criador do céu e da terra, de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus e nascido do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas; o qual, por amor de nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, e encarnou, pelo Espírito Santo, na Virgem Maria, e se fez homem; foi também crucificado em nosso favor sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras; e subiu aos céus; está sentado à destra do Pai, e virá pela segunda vez, em glória, para julgar os vivos e os mortos; e seu reino não terá fim.

E no Espírito Santo, Senhor e vivificador, o qual procede do Pai e do Filho; que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou pelos profetas.
E a igreja, una, santa, católica e apostólica.
Confesso um só batismo, para remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro. Amém.

3 comentários:

  1. Excelente texto! Eu gosto de rezar acompanhando o credo cantado em latim com tradução para o português: https://youtu.be/LtgNNaRaBOo

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  2. Muito bem! Mas importa respeitar a verdade histórica: no texto do Credo emanado do Concílio de Constantinopla de 381, o Segundo Concílio Ecuménico, a Igreja confessa «o Espírito Santo, Senhor e doador da vida, que procede do PAI, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado», e não que o Espírito Santo «procede do Pai e do Filho», qui ex Patre FILIOQUE procedit». Esta palavra maldita, que não consta no texto original e inalterado do Credo, é um acrescento herético de intenção cismática do Imperador Carlos Magno no seio da Igreja do seu Império, com origem aliás bem intencionada no ano 589 num concílio local em Toledo, Hispânia, que foi sucessivamente condenado e rejeitado pelos papas, desde Gregório I, passando por Leão III, etc., até 1014, quando por fim o Papa capitulou, militarmente fragilizado e dependente da protecção do Imperador, e introduziu unilateralmente o FILIOQUE ("e do Filho"), na missa da coroação do Imperador. Esta alteração unilateral da Confissão de Fé da Igreja teve por efeito imediato o corte da comunhão com as Igrejas orientais, que permaneceram ortodoxas, cisma que dura até hoje, acentuado nomeadamente pela sucessiva formulação filosófica ("entusiástica", diria Lutero) de dogmas, doutrinas e práticas que a Igreja Ortodoxa rejeita, desde a "imaculada concepção de Maria" à "infalibilidade do Papa", passando pelo Purgatório, pelas indulgências, pelo celibato dos padres, pelo liberalismo teológico e que sei eu mais... Curiosidade interessante, o Hinário Luterano alemão da SELK, a Igreja Evangélica-Luterana Independente, que é uma igreja luterana confessional, isto é, luterana a sério, coloca o "Filioque" entre parêntesis e, em nota de rodapé, de forma sucinta, explica precisamente este facto.

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  3. Comentário II...
    Com referência ao texto do Credo constante do Livro de Concórdia, é de justiça que nele se reconheça o trabalho admirável de tradução a agradecer a Arnaldo Schüler, antigo professor do Seminário Concórdia. Nesse trabalho, A.S. respeita e segue o original latino do texto. O texto em uso na IELB resulta de menor qualidade, perece-me que por duas ordens de razões:
    Em primeiro lugar, trata-se de uma tradução não directa do Latim, mas do texto alemão traduzido do Latim. Daí decorre, por exemplo, que do "consubstantialem Patri" não resulte literalmente "consubstancial ao Pai" mas "de uma só substância com o Pai", correspondente à solução encontrada em Alemão, que foi o melhor que em Alemão se pôde arranjar, mas que em Portuguêsé um distânciamento desnecessário;
    Em segundo lugar, da fuga ao termo "católica", além de revelar algum sobressalto psicológico infundado, decorrem, além do mais, dois erros, desde logo porque o termo catolicidade não se confunde nem coincide nem é sinónimo de "romano" ou latino, nem sequer de "universal", antes tendo um âmbito mais vasto. A catolicidade é a qualidade daquilo que é verdade invariável em todos os tempos e em todos os lugares, no tempo e fora do tempo, no espaço e fora dele, deste mundo ou não, desde as profundezas do Inferno até ao "Sétimo Céu"...
    Por outro lado, salvo o devido respeito, do texto do Credo em uso na IELB, resulta uma incongruência adicional: quando a IELB confessa uma única, santa Igreja Cristã e Apostólica, está a fazer uma "mistura" entre as "marcas" da Igreja Cristã, adjectivando a Igreja de Cristo com o próprio Cristo. Com efeito, a Igreja de Cristo é a Igreja Cristã, é indiferente chamar-se-lhe uma coisa ou outra. Logo no Credo, nós cremos na Igreja Cristã que é una; na Igreja Cristã que é santa; na Igreja Cristã que é apostólica; e na Igreja Cristã, que é CATÓLICA, pois claro. Não vejo por que razão, por via de tradução, haveria de deixar-se ao catolicismo romano o exclusivo da catolicidade que lhe não pertence, permitindo mesmo a redução do alcance do conceito. Arnaldo Schüler e o Livro de Concórdia apresentam, pois, total e lúcido discernimento da questão, Graças por este, Bem haja aquele!

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