“O Evangelho de nosso Senhor segundo S. João 5:
19-26”
O
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo acabara de curar um paralítico no sábado
e, obviamente, isto veio a causar revolta nos líderes judeus que ficaram
sabendo do ocorrido. Afinal, quem é este que transgride a Lei e faz com que
outros transgridam também? A resposta de Jesus é curta e direta: “Meu Pai
trabalha até agora, e eu trabalho também” (S. João 5:17).
Blasfêmia! O que este
nazareno está dizendo? Os judeu explodem em raiva e decidem que Jesus deve
morrer. Mas, por quê? O que de tão grave há na resposta que Jesus havia dado?
Ora, ele havia dito “que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (S. João 5:18).
Esta resposta de Jesus
aos judeus traz em si três pontos fundamentais que nos ensinam quem é Jesus e
qual é a sua Missão. Observe:
1) Quando Jesus se refere a Deus como seu Pai, ele
está ensinando que é o próprio Filho de Deus.
2) Porém, sua filiação é única, pois ele mostra, ao
curar o paralítico no sábado, que tem autoridade para fazer coisas que as
outras pessoas não podem.
3) Por fim, ao justificar que seu trabalho acontece
porque o Pai trabalha, ele dá a entender que possui as mesmas prerrogativas de
Deus.
Como estes destaques
estão evidenciados no texto? Na primeira parte do verso 19 do Evangelho
segundo S. João 5, Jesus afirma: “O Filho nada pode fazer por si mesmo,
senão somente aquilo que vê o Pai fazer”. Ou seja, há uma subordinação do Filho em relação ao Pai. Entretanto ela
é definida de forma peculiar, pois mesmo sendo Jesus o Filho, ele não constitui
um segundo núcleo divino, mas de maneira única ele é o mesmo Deus com o Pai.
Portanto, a subordinação que existe é, na verdade, uma subordinação funcional.
E como nós podemos ter
certeza disso? Olhando a maneira como o texto segue, Jesus mesmo vai explicar
esta questão, utilizando-se de 4 “porquês”. Veja:
1) Ainda no verso 19 Jesus já deixa bem claro
que sua subordinação como Filho do Pai é peculiar e única “porque tudo o
que o Pai fizer, o Filho também faz” (S. João 5:19b).
2) No verso 20, Jesus afirma: “porque o Pai
ama o Filho e lhe mostra tudo o que faz” (S. João 5:20a). Isto é, o Filho tem a onisciência do Pai e,
portanto, ele pode fazer o mesmo que o Pai.
3) Nessa linha de raciocínio, no verso 21,
Jesus revela que a maior obra do Pai é, do mesmo modo, realizada pelo Filho: “porque assim
como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivificas
aqueles a quem quer” (S. João 5:21).
Ou seja, se somente Deus tem o poder da Vida e da Ressurreição como atestam as
Sagradas Escrituras, e Jesus está afirmando – e mostrando em seus atos – que
tem esse poder, isto significa que mesmo ele sendo o Filho, ele é o mesmo Deus
juntamente com o Pai.
4) Por fim, no verso 22 Jesus revela: “porque o Pai
não julga ninguém, mas confiou todo julgamento ao Filho” (S. João 5:22). Em outras palavras, o
destino da vida, que é algo próprio do Pai, está nas mãos do Filho.
Por tudo isso, conclui
Jesus: “Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou” (S. João 5:23). Desse modo, não há como
crer no Pai como Deus, e não crer no Filho; não há como ser uma testemunha do
Pai e não o ser do Filho; e também não há como ver o Pai como o Deus supremo e
o Filho como inferior ou ainda um semideus. Jesus, o Filho, como confessamos no
Credo Niceno, é “Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus do
verdadeiro Deus”. E nada menos do que
isso.
Há alguma dúvida com o
que confessamos? Jesus tira todas elas, pois na continuidade do seu discurso,
conforme descrito pelo Apóstolo João, ele diz: “quem ouve a
minha Palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna” (S. João 5:24), pois estas coisas foram
algo único, ouvir Jesus e crer no Pai, não há como fazer uma separação. Além
disso, prossegue Jesus: “assim como o Pai tem vida em si mesmo, também
concedeu ao Filho ter vida em si mesmo” (S. João 5:26), e isto revela que a mesma vida do Pai é a vida do
Filho, e essa conceção de vida é eterna, pois como o próprio Evangelho segundo
S. João afirma em seu início, “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava
com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e, sem ele, nada do que
foi feito se fez. A vida estava nele” (S. João 1: 1-4a). Ou seja, um relacionamento eterno, de
eternidade a eternidade, uma conceção eterna.
No ano 325, os
cristãos foram questionados: Jesus realmente é Deus? Qual a sua relação com o
Pai? Duas propostas foram colocadas em debate pelos mais de 300 bispos reunidos
em Nicéia:
1) Jesus não teve começo e foi gerado pelo Pai a
partir do seu próprio Ser, portanto é eterno e Deus verdadeiro juntamente com o
Pai.
2) Jesus teve início e é a primeira e maior criação.
Graças a Deus que,
pelo poder e inspiração do Espírito Santo, estes servos do Altíssimo fincaram o
pé nas Escrituras e, com base no Evangelho segundo S. João e em outros textos
bíblicos, afirmaram: Jesus Cristo, o Verbo de Deus, é Deus, “gerado, não
criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas;
o qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e se encarnou pelo
Espírito Santo na virgem Maria e foi feito homem” (Credo Niceno).
Continuemos em nossos
dias, a crer, ensinar e confessar do modo como o próprio Jesus ensinou, como os
santos apóstolos proclamaram e como os Pais assim defenderam e reafirmaram.
Afinal, Jesus Cristo é o Senhor!
Amém!
Rev. Helvécio J.
Batista Jr.
Igreja Luterana em Naviraí/MS
Concílio de Niceia I, 325 AD – 19 de Junho, 2021 AD
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