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03/07/2024

A fé que suporta a dor insuportável

A Ressurreição da Filha de Jairo, por Gisele Bauche

A batalha de um pai em oração pela cura de seu filho é uma das experiências mais difíceis que ele pode enfrentar.

Como pai de um filho recentemente diagnosticado com um tumor cerebral, uma das experiências mais insuportáveis a minha vida é imaginar que talvez eu tenha que pregar um sermão fúnebre e enterrar meu filho de doze anos. A dor e a tristeza que acompanham essa preocupação são indescritíveis. No entanto, para alguns, a luta torna-se ainda mais difícil quando precisam recorrer à oração na esperança da cura para um filho. Nesses momentos, um pai tem a sua fé e confiança em Deus são testadas de maneiras que são difíceis de compreender.

C. S. Lewis, um devotado cristão, escreveu extensivamente sobre o tema do sofrimento e da dor, e suas obras fornecem perspectivas sobre a experiência de um pai que está na difícil situação de orar por seu filho. Em particular, a sua compreensão da natureza de Deus e do papel do sofrimento na vida cristã é relevante para a luta de um pai que está orando pela cura do seu filho.

Da mesma forma, na teologia luterana da Reforma, o conceito de sola fide ou “somente a fé” é central para o entendimento cristão de sofrimento, oração e salvação. “Somente a fé” significa que a salvação é um dom da graça que é recebido através da fé em Jesus Cristo, e não através de quaisquer obras ou méritos próprios. Contudo, isto não significa que a vida cristã esteja livre de sofrimento ou luta. Na verdade, o sofrimento é visto como uma parte inevitável da vida do cristão, porque vivemos num mundo caído e estamos sujeitos às consequências do pecado, como o sofrimento, a doença e a morte.

Quando um pai é confrontado com a probabilidade de perder um filho, sua fé é posta à prova. Ele pode se sentir irritado, confuso e sufocado por suas emoções. Ele pode questionar por que Deus permitiria que tal tragédia acontecesse com sua família. Ele pode ter dificuldade para encontrar as palavras para orar ou pode sentir que suas orações não estão sendo ouvidas. Mas nesses momentos, um pai se volta para Deus com fé, confiando em sua promessa de ser um “socorro bem-presente na angústia” (Salmo 46.1).

Em seu livro, “A Anatomia de uma Dor: Um Luto em Observação”, Lewis descreve seu conflito com a fé após a morte de sua esposa. Ele escreve: “Não que eu esteja (suponho) correndo o risco de deixar de acreditar em Deus. O perigo real é o de vir a acreditar em coisas tão horríveis sobre Ele. A conclusão a que tenho horror de chegar não é ‘então, apesar de tudo, não existe Deus nenhum’, mas ‘então, é assim que Deus é realmente. Não se iluda’.” (Lewis, A Anatomia de uma Dor: Um Luto em Observação, p. 32). Esta passagem fala do medo e da dúvida que podem surgir no coração de um pai que está batalhando por seu filho em oração. Ele pode temer que Deus não esteja ouvindo, ou que Deus esteja punindo ele ou seu filho por algum pecado ou falta.

Contudo, o pai deve lembrar que Deus é um Pai amoroso que cuida intensamente de seus filhos. Ele é encorajado, e até ordenado, a confiar na bondade e na misericórdia de Deus, mesmo quando isso é difícil de entender. Em seu livro, “O Problema do Sofrimento”, Lewis escreve: “Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nosso sofrimento: ele é o seu megafone para despertar um mundo surdo”. (Lewis, O Problema do Sofrimento, p. 106). Esta passagem nos lembra que Deus pode usar o nosso sofrimento para nos aproximar dele e nos revelar o seu amor e misericórdia de novas maneiras.

As declarações de Martinho Lutero sobre o que ele chamou de “teologia da cruz” também são relevantes para a experiência de um pai que batalha em oração pela cura do seu filho. Esta teologia enfatiza a natureza paradoxal da fé cristã: que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza, que a vida vem através da morte e que a verdadeira glória é encontrada na cruz. Assim como o apóstolo Paulo escreveu: “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1.18).

A teologia da cruz nos desafia a ver o poder e o amor de Deus em ação no meio do nosso sofrimento e fraqueza. Isso nos lembra que mesmo quando estamos no fundo do poço, Deus ainda está conosco e operando para o nosso bem. Assim como Lutero escreveu em seu Debate de Heidelberg: “Justo não é quem pratica muitas obras, mas quem, sem obra, muito crê em Cristo”. (Lutero, Debate de Heidelberg, Tese 25). Em outras palavras, não são as nossas próprias obras ou méritos que nos salvam, mas sim a nossa fé em Cristo e na sua obra na cruz.

Para o pai que batalha em oração pela cura do filho, a teologia da cruz oferece esperança e conforto. Isso o faz lembrar de que mesmo que suas orações não sejam respondidas da maneira que ele espera, Deus ainda está operando em sua vida e na vida de seu filho tencionando fazer o bem. Também o faz lembrar que a sua fé no amor e no poder de Deus não depende da sinceridade das suas orações, ou de como julga o resultado das suas orações.

Uma das histórias mais famosas da Bíblia sobre a luta de um pai com a fé é a história de Jairo, cuja filha estava morrendo. Jairo era um líder da sinagoga que foi até Jesus e implorou que ele fosse curar sua filha. Jesus concordou em ir com ele, mas no caminho foram interrompidos por uma mulher que sofria de hemorragia há 12 anos. Quando Jesus parou para curá-la, Jairo recebeu a notícia de que sua filha havia morrido.

Naquele momento, Jairo deve ter se sentido arrasado e sem esperança. Ele colocou sua fé em Jesus, mas ainda assim sua filha morreu. Mas Jesus lhe disse: “Não tenha medo; apenas creia, e ela será curada” (Lucas 8.50). Jesus encoraja, e até ordena, Jairo a confiar em seu amor e poder, mesmo quando parecia que toda a esperança estava perdida. E no final, Jesus ressuscitou sua filha dentre os mortos.

Esta história nos lembra que mesmo quando enfrentamos as maiores provações e desafios, ainda podemos colocar a nossa fé em Jesus e confiar no seu amor e poder, um poder que pode ressuscitar os mortos. E talvez nem sempre entendamos por que as coisas acontecem da maneira que acontecem, mas podemos confiar que Deus ainda está no controle, permanecendo fiel às suas promessas para nós e sempre operando para o nosso bem. Como Paulo escreveu em Romanos 8.28: “E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito”.

Para terminar, a batalha de um pai em oração pela cura de seu filho é uma das experiências mais difíceis que ele pode enfrentar. Desafia a sua fé e confiança em Deus e testa a sua compreensão da fé cristã. Mas através das obras de C. S. Lewis e da teologia de Martinho Lutero, podemos ver que Deus ainda está conosco em meio ao nosso sofrimento e fraqueza. Podemos confiar em seu amor e poder, mesmo quando parece que toda a esperança está perdida. E podemos encontrar conforto e esperança na história de Jairo, que depositou a sua fé em Jesus e viu a sua filha ressuscitar dos mortos. Que todos tenhamos força e fé para confiar na bondade e na soberania de Deus, mesmo nos momentos mais sombrios de nossas vidas.

Donavon Riley, pastor luterano, escritor e colaborador de 1517, Christ Hold Fast, e LOGIA.

Traduzido do original: Faith that Bears Unbearable Grief

23/06/2016

Oração da Noite de Martinho Lutero


Bênção da Noite

A noite, antes de recolher-te, faze o sinal da santa cruz, dizendo:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo! Amém. 

Então, de pé ou de joelhos, dize o Credo e o Pai Nosso. Se quiseres, podes dizer mais esta pequena oração:  

Meu Pai celestial, graças te dou, por Jesus Cristo, teu amado Filho, por me haveres protegido bondosa­mente neste dia, e peço-te que me perdoes todos os pecados e o mal que fiz e me protejas por tua graça nesta noite. Nas tuas mãos me entrego, de corpo e alma, bem como todas as coisas. Esteja comigo teu santo anjo, para que o inimigo maligno não tenha poder algum sobre mim. Amém.  

Feito Isto dorme tranquilamente.

Catecismo Menor de Lutero (Orações Diárias)

Oração da Manhã de Martinho Lutero



Bênção da Manhã

De manhã, quando te levantas, faze o sinal da santa cruz, dizendo:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo! Amém.

Então, de pé ou de joelhos, dize o Credo e o Pai Nosso. Se quiseres, podes dizer mais esta pequena oração:

Meu Pai celestial, graças te dou, por Jesus Cristo, teu amado Filho, por me haveres defendido de todo o dano e de todos os perigos da noite passada, e peço­-te que me preserves também neste dia do pecado e de todo o mal, para que todas as minhas ações e a minha vida te agradem. Nas tuas mãos me entrego, de corpo e alma, bem como todas as coisas. Esteja comigo o teu santo anjo, para que o inimigo maligno não tenha poder algum sobre mim. Amém.

Feito isto, começa o teu trabalho alegremente, cantando um hino como por exemplo, sobre os Dez Manda­mentos ou sobre qualquer coisa que a tua devoção te sugerir.

Catecismo Menor de Lutero (Orações Diárias)

20/06/2016

500 dias para os 500 anos da Reforma Luterana

Mensagem apresentada na Hora Luterana, Rádio Antena Sul. Este programa ocorre todo domingo às 8:00 sob a responsabilidade do Distrito Campos Gerais. Esta mensagem foi pensada como se fosse um entrevista, sendo que a parte negritada e sublinhada correspondente a outro interlocutor.
Bom dia caro ouvinte, é uma alegria chegar novamente ao vosso lar e trazer uma mensagem especial. Creio que todos nós gostamos de comemorar datas fechadas, por exemplo, comemorar os 50 anos de casamento, as famosas bodas de ouro.
A Igreja Luterana está chegando perto de comemorar uma data bem importante: 500 anos de história em 2017.  O programa de hoje é especial, pois, além de lembrar dos 500 anos, também quer informar aos caros ouvintes que ontem, 18 de junho, começou a contagem regressiva dos 500 dias para os 500 anos.
Quase 500 anos de história, uma data realmente muito importante. Mas seria mais interessante que nos pudéssemos compartilhar com os nossos ouvintes como começou esta história de quase 500 anos. A ideia é muito boa e vai ser uma alegria compartilhar alguns fatos importantes. A Igreja Luterana teve origem na Alemanha, mas especialmente numa cidade chamada de Wittenberg. 
Além do local onde ocorreu a reforma, é importante destacar um nome muito importante nesta história, Martinho Lutero. Ele nasceu na Alemanha no ano de 1483. Tornou-se monge agostiniano e mais tarde doutor em Teologia. Ele é uma das pessoas de grande importância dentro do movimento da reforma.
Nós já sabemos que tudo aconteceu lá na Alemanha e que Lutero é um personagem importante, mas que evento marcou o início da reforma? A reforma Luterana é um longo processo, mas podemos dizer que tem um marco inicial. O marco do movimento foi 31 de outubro de 1517, quando Lutero, então monge católico, publicou 95
teses, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg.

Mas por que justamente numa porta da igreja? Para os mais novos, o que vou dizer parece estranho, mas naquela época, acreditem em mim, eles não tinham WhatsApp e detalhe e nem Facebook. Brincadeiras a parte, podemos dizer que a porta da igreja seria a internet da época, pois era, com certeza, o lugar onde grande parte da população iria.
Devido ao nosso tempo, não podemos falar sobre as 95 teses, mas se tivesse que resumi-las em poucas palavras, o que diria aos nossos ouvintes sobre este documento?  Lutero, com as suas 95 teses, estava chamando as pessoas para um debate sobre a questão da indulgência. Ou seja, contra a venda da indulgência, contra a venda do perdão, tanto para os vivos, quanto para os mortos.
Infelizmente as coisas não mudaram muito, a venda de indulgências está cada vez mais comum do que se pensa. Basta ligar a televisão que facilmente encontraras alguém vendendo alguma coisa e prometendo que tais objetos atraem as bênçãos de Deus. Lutero, de forma muito clara, afirma que o tesouro da igreja não são estas coisas. O tesouro da Igreja não é toalhinha, fronha, sabonete ungido. O tesouro da Igreja é Cristo, é o Evangelho.
Tu podes nos definir o que seria o Evangelho? O Evangelho, seria somente a história de Jesus nos livros de Mateus, Marcos, Lucas e João? Excelente pergunta, Lutero e nós luteranos, entendemos pela palavra Evangelho, a boa notícia que em Cristo e somente por Ele nossos pecados são perdoados. Este é o Evangelho.
Lutero publica 95 teses, sendo que o principal objetivo era discutir a venda das indulgências. Mas tem uma frase importante dentro da teologia luterana chamada de os Solas. O que significaria os solas luteranos?
Ismair, esta pergunta é ótima, Nós temos três solas da reforma: Sola Gratia, Sola
fides e Sola Scriptura. Sola é uma palavra que vem do latim e significa somente. Sola Gratia, significa somente pela graça de Deus somos perdoados e salvos. O motivo pelo qual Deus envia Jesus Cristo para nos salvar encontra-se somente nEle e não em nós.
Se somos salvos somente pela graça de Deus, o segundo sola, aponta como isto é aplicado a nós, Sola Fides, ou seja, somente pela fé. No entanto, não é qualquer fé, eu preciso ter fé na pessoa certa. Sou salvo somente por confiar em Jesus Cristo. Ele é o meu Salvador. Quem tem Cristo, tem tudo, tem perdão, tem salvação e tem bênçãos sem fim.
E o último sola, mas não menos importante, o Sola Scriptura, somente a Escritura Sagrada é fonte de revelação. Apesar da tradição ser muito importante dentro da Igreja Luterana, quem tem a última palavra é a Escritura Sagrada.
Além de Lutero ser um pastor e teólogo da Igreja, a sua área de atuação vai muito além dos muros da Igreja? Lutero foi um grande grande teólogo, mas também foi um grande cidadão alemão. Ele incentivou a educação em seu país, defendendo, por exemplo, a escola pública e para todos, tanto para meninas, como para meninos. Além disto traduziu a Bíblia para o alemão, sendo um marco importante para unificar a língua alemã.
Lutero também era um excelente compositor e o hino que agora ouviremos foi escrito por ele. Este hino é considerado o hino que representa os luteranos. Especialmente o que ouviremos é muito especial para a nossa cidade, pois, foi apresentado pelo Coro Cidade de Ponta Grossa, elenco de 2012, arranjos de Mark Hayes, acompanhada de Priscila Malanski no piano e sob a regência da talentosíssima Carla Roggenkamp.

Parabéns a todos os luteranos pelos quase 500 anos de história. E ao comemorarmos a reforma, sempre tenhamos em vista que somos perdoados por Deus Somente por graça, e esta graça é aplicada a nós somente pela fé naquilo que Cristo fez por ti e por mim e tudo isto com base nas verdades que Somente a Escritura Sagrada nos revela. 

Ouçamos o Coro Cidade de Ponta Grossa cantando Castelo Forte:


Vídeo sobre os 500 anos:



Explicação do selo dos 500 anos:


23/02/2016

Parte 1/6 Jornada cristã através do Catecismo Menor e do Catecismo Maior

Período Quaresmal                              Parte 1/6
Jornada cristã através do Catecismo Menor e do Catecismo Maior



A Igreja Luterana confessa que a Bíblia é a única norma de fé e de doutrina. E por ser a expressão da fé bíblica, reconhece o Livro de Concórdia como um livro de grande e fundamental importância. O livro de Concórdia não tem autoridade em si só, mas por estar em consonância com a verdade escriturística, assume um papel relevante e primordial dentro da Confessionalidade Luterana.
O livro de Concórdia é composto de vários documentos que foram escritos no período entre 1530 até 1580. No projeto “Jornada cristã através Catecismo Menor e Maior” será enfatizado dois documentos de grande valia e que foram escritos por Lutero. Ambos Catecismos foram escritos em 1529 e o que diferencia ambos é público alvo para quem são dirigidos. O Catecismo Menor está destinado para ser usado nos lares e Catecismo Maior é destinado para o uso do clero.  Nesta jornada teremos um pouco dos dois, no entanto, a base principal é o Catecismo Menor.
O Catecismo Maior e o Menor estão dividido em seis partes principais: Os Mandamentos, O Credo, O Pai Nosso, O Sacramento do Santo Batismo, Como se deve ensinar as pessoas simples a se confessarem e Sacramento do Altar. Nesta primeira parte da jornada será enfatizado os mandamentos.
Conhecendo a estrutura do Catecismo Menor: é de fundamental importância entender a estrutura do Catecismo Menor. Primeiramente temos o texto do mandamento e logo em seguida temos a pergunta “Que significa isto” que é a explicação do mandamento. Nesta jornada, teremos uma pequena reflexão sobre o mandamento em destaque retirada do CATECISMO MAIOR e logo em seguida o texto do CATECISMO MENOR.

1
           Catecismo maior: primeiro mandamento: O que é ter um Deus? Ter um Deus outra coisa não é senão confiar e crer nele de todo coração. Repetidas vezes já disse que apenas o confiar e crer de coração faz tanto o Deus como ídolo. Se é verdadeira a fé e confiança verdadeira, verdadeiro também é o teu Deus. Lutero afirma que verdadeiro culto e honra a Deus é confiar inteiramente em Deus. Catecismo Menor: primeiro mandamento: Eu sou o Senhor, teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas.

2
 Catecismo Maior: Segundo mandamento: O primeiro mandamento instruiu o coração e ensinou o que é fé, assim este mandamento coloca a boca a e a língua numa relação correta com Deus. Por que primeiro se manifesta no coração e depois brota em palavras. Catecismo Menor: Segundo mandamento: Não tomarás em vão o nome do Senhor, teu Deus, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, em seu nome não amaldiçoar, jurar, praticar a feitiçaria, mentir ou enganar; mas devemos invocá-lo em todas as necessidades, orar, louvar e agradecer.

3
Catecismo Maior: Terceiro Mandamento: Tome lugar e tempo a fim de participar do culto divino, isto é , reúnam-se as pessoas com o objetivo de ouvir e tratar da Palavra de Deus e depois louvar a Deus, cantar e rezar. Catecismo Menor: Terceiro mandamento: Santificarás o dia do descanso. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não desprezar a pregação e a sua palavra; mas devemos considerá-la santa, gostar de a ouvir e estudar.

4
 Catecismo Maior: Quarto mandamento: Até aqui aprendemos os três mandamentos, que tratam da nossa relação com Deus. Primeiro, que de todo coração nele confiemos, temamos e amemos, em toda a nossa vida. Segundo, que não mal-usemos seu santo nome para apoiar mentiras ou qualquer outra coisa má, porém que façamos uso dele em louvor de Deus, bem como para o proveito e salvação do próximo e de nós mesmos. Terceiro, que em dia santo e de repouso diligentemente tratemos a palavra de Deus e com ela nos ocupemos, a fim de toda nossa ação e vida sejam orientadas pela Palavra de Deus. Agora vêm os outros sete, que se referem ao nosso próximo. O primeiro e maior desses é: Honrarás a teu pai e a tua mãe. Catecismo Menor: Quarto mandamento: Honrarás a teu pai e a tua mãe, para que vás bem e vivas muito tempo sobre a terra. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não desprezar nem irritar nossos pais e superiores; mas devemos honrá-los, servi-los, obedecer-lhes, amá-los e querer-lhes bem.

5
Catecismo Maior: Quinto mandamento: Neste mandamento saímos de nossa casa e vamos aos vizinhos, para aprender como devemos viver uns com os outros. Deus e o governo não estão incluídos neste mandamento, por que tanto Deus, como o governo tem o direito de punir os malfeitores. O propósito deste mandamento é que ninguém faça mal ao próximo devido as suas ações más, mesmo considerando que ele mereça. Por que onde se proíbe matar, aí se proíbem todas as coisas que possam dar origem ao homicídio. Segundo este mandamento, a pessoa não é somente culpada quando faz o mal para seu próximo, mas quando deixa de fazer o bem. Catecismo Menor: Quinto mandamento: Não matarás. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não causar dano ou mal algum ao nosso próximo em seu corpo; mas devemos ajudar-lhe e favorecê-lo em todas as necessidades corporais.

6
 Catecismo Maior: Sexto mandamento: Os mandamentos, quinto a oitavo, nos mostram que não podemos fazer nenhum tipo de mal ao nosso próximo. Estes mandamentos estão muito bem organizados. Em primeiro lugar, eles falam sobre danos ao nosso próximo. Em seguida, os mandamentos passam a falar sobre a pessoa mais próxima a ele, ou a posse mais próximo seguinte, após o seu corpo, ou seja, sua esposa. Ela é uma carne e sangue com ele, de modo que não pode infligir um dano maior sobre qualquer bem que é dele. Portanto, é claramente proibido trazer qualquer desgraça, vergonha com respeito a esposa do meu próximo. Este mandamento é diretamente contra todos os tipos de pecados contra uma vida casta, seja que nome receba. Não somente a forma externa do adultério é proibido, mas todo tipo de causa, motivo e meios de adultério. O coração, os lábios e todo o corpo deve ser casto e puro e que não se de oportunidade a vida impura. Deus tem o casamento em alta consideração. Catecismo Menor: Sexto mandamento: Não cometerás adultério. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, viver uma vida casta e decente em palavras e ações, e cada qual ame e honre seu consorte.

7
 Catecismo Maior: Sétimo mandamento: Após o mandamento que trada da pessoa e do seu cônjuge, o próximo fala dos bens materiais. Deus também protege os bens que Ele concede. Ele ordena que ninguém furte qualquer coisa que seja do próximo. Brevemente, obter lucro, vantagem a partir do prejuízo do próximo. Roubar não é somente pegar o dinheiro do próximo, mas também se estende a todos os lugares que tem comércio, por exemplo, vender algo com o peso adulterado, lucro exagerado, etc. No trabalho, quando um empregado ou empregada é infiel com seus deveres e causa prejuízo ao seu patrão, ou poderia evitar, mas não o faz. Não fazer aquilo para que foi contratado também é furtar, pois se está recebendo para cumprir uma atividade. Saiba cada qual, que sob a pena de desagradar a Deus, em nenhum momento fazer dano ao próximo, nem tirar nenhuma vantagem sobre ele, nem nas transações de compra e venda ou em qualquer negócio. Mas sim cumpre proteger os bens do próximo. Catecismo Menor: sétimo mandamento: Não furtarás. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não tirar ao nosso próximo o dinheiro ou os bens, nem nos apoderar deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos; mas devemos ajudá-lo a melhorar e conservar os seus bens e o seu meio de vida.

8
 Catecismo Maior: Oitavo mandamento: Oitavo Mandamento: Além do próprio corpo, esposo (a), bens materiais, existe outro tesouro que não se pode dispensar – honra e boa reputação. É muito difícil que alguém viva entre outras pessoas quando se está em pública desgraça e desprezado por todos. Por isso Deus não quer que a reputação e o bom nome sejam retirados ou diminuídos, assim como os bens do próximo não devem ser extorquidos. Deus deseja que a pessoa continue honrada diante do cônjuge, filhos, empregados e vizinhos. Este mandamento proíbe todos os pecados da língua pela qual se pode causar dano ao próximo ou magoá-lo. Por que sustentar falso testemunho não é nada mais do que obra da língua. Deus proíbe tudo que se faz contra o próximo através do pecado da língua. Aqui se aplica também a falsos pregadores com suas doutrinas e blasfêmias; juízes e testemunhas falsas. Aqui também trata-se da fofoca. Isto é problema por que é mais comum ouvir falar mal do que bem do próximo. Para evitar a fofoca, devemos lembrar que a ninguém cabe julgar e censurar publicamente o próximo, ainda quando o vê pecar, a menos que tenha a ordem de julgar e censurar; é grande a diferença entre julgar o pecado e ter o conhecimento do pecado. Pode estar ciente do pecado, mas não julgá-lo. Posso ouvir e ver que o próximo peca, mas não é meu dever contar a outros. Se me adianto e passo a julgar e sentenciar, caio em pecado maior que do outro. Se sabe de alguma coisa de outra pessoa deve guardar para si mesmo, até receberes ordem de ser juiz e punir oficialmente. Deus proíbe que alguém fale mal de outra pessoa, mesmo que seja culpada; muito menos ainda quando se sabe apenas de ouvir dizer. Tudo isto que foi dito trata-se dos pecados secretos, aqueles que não de conhecimentos de todos. Onde tiver um pecado público o problema deve ser tratado publicamente. Catecismo Menor: oitavo mandamento: Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não mentir com falsidade, trair, caluniar ou difamar o próximo; mas devemos desculpá-lo, falar bem dele e interpretar tudo da melhor maneira.


 9-10
Catecismo Maior: Nono e décimo mandamento: O que é a cobiça? A cobiça é o pecado de um coração que deseja o que Deus não concedeu e insiste em tais coisas para a sua felicidade e realização. É uma fé idólatra, que confia nas coisas, no dinheiro e nos bens materiais, pessoas, amizades, reputação, posição social e na satisfação dos seus próprios desejos. A cobiça leva alguém a conspirar a fim de obter o que se deseja contrário à vontade de Deus e seduzir outras pessoas a abandonar a fidelidade a Deus com objetivo de alcançar o que se deseja. A cobiça é idolatria, isso nos leva para o primeiro mandamento. Jesus adverte o cristão da cobiça por que a cobiça é parte da natureza pecadora do homem. A cobiça transforma coisas em ídolo, portanto, ameaça a fé em Cristo. As palavras de Jesus são um convite ao arrependimento e a fé em Cristo. Ele convida a afastarmos o nosso coração das coisas a fim de que a nossa realização e a felicidade estejam somente em Cristo e que sejamos felizes com aquilo que Deus nos concede. A fé cristã consiste conhecer a Cristo pela fé e depender dEle  tanto para a salvação, como também para tudo o que se faz necessário para a manutenção do corpo e da vida. Catecismo Menor: Nono e décimo mandamento: NONO MANDAMENTO: Não cobiçarás a casa do teu próximo. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não pretender adquirir, com astúcia, a herança ou casa do próximo, nem nos apoderar dela sob aparência de direito; mas devemos ajudar-lhe e servi-lo para conservá-la. DÉCIMO MANDAMENTO: Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem os seus empregados, nem o seu gado, nem coisa alguma que lhe pertença. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não apartar, desviar ou aliciar a mulher do próximo, os seus empregados ou o seu gado; mas devemos aconselhá-los para que fiquem e cumpram o seu dever.

C

ONCLUSÃO DOS MANDAMENTOS Catecismo Menor: Que diz Deus de todos estes mandamentos? Ele diz: "Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” Que significa isto? Deus ameaça castigar todos os que transgridem estes mandamentos; por isso, devemos temer a sua ira e não transgredi-los. Mas Ele promete graça e todo o bem aos que os guardam. Por isso mesmo devemos amá-lo, confiar nele e de boa vontade cumprir os seus mandamentos.

Livro de Concórdia, Catecismo Maior e Menor

18/02/2016

Comemoração de Martinho Lutero, Doutor e Reformador da Igreja – 18 de fevereiro

Imagem de Martinho Lutero sobre o púlpito da capela da Antiga Escola Latina, durante a dedicação do Centro Internacional Luterano, no domingo, 3 de maio de 2015, em Wittenberg, Alemanha. LCMS Communications/Erik M. Lunsford.
No dia 18 de fevereiro, data de sua morte, nosso Sínodo comemora e rende graças a Deus pela vida do Bem-aventurado Martinho Lutero.

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, na Alemanha, e iniciou seus estudos objetivando uma licenciatura em Direito. No entanto, após um encontro muito próximo com a morte, ele mudou seus estudos para teologia, entrou num mosteiro agostiniano, foi ordenado sacerdote em 1505 e recebeu um doutorado em teologia em 1512. Como professor da recém-criada Universidade de Wittenberg, seus estudos das Escrituras o levaram a questionar muitos dos ensinamentos e práticas da Igreja, especialmente a venda de indulgências. A sua recusa em voltar atrás nas suas convicções resultou em sua excomunhão, em 1521. Após um período de reclusão no castelo de Wartburg, Lutero voltou para Wittenberg, onde passou o resto de sua vida pregando e ensinando, traduzindo as Escrituras, escrevendo hinos e inúmeros tratados teológicos. Ele é lembrado e honrado por sua ênfase permanente na verdade bíblica de que por causa de Cristo, Deus nos declara justos por graça mediante a fé somente. Ele morreu em 18 de fevereiro de 1546, quando estava visitando a cidade em que nasceu.

LEITURAS: 
† Salmo 46
† Isaías 55.6-11
† Romanos 10.5-17
† São João 15.1-11
 
 ORAÇÃO DO DIA:
 
Ó Deus, nosso refúgio e nossa força, tu levantaste teu servo Martinho Lutero para reformar e renovar tua Igreja à luz da tua Palavra viva, Jesus Cristo, nosso Senhor. Defende e purifica a Igreja em nossos dias, e permite-nos proclamar corajosamente a fidelidade de Cristo até a morte e a ressurreição restituidora que deste a conhecer a teu servo Martinho; através de Jesus Cristo, nosso Salvador, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 1219-1220)

15/02/2016

Quando alguém começa a crer, a tentação não demora

“A Tentação de Cristo pelo Diabo” (1860), Félix Joseph Barrias (1822 - 1907)
"Quando o diabo me tenta, meu coração se consola e a fé se fortalece por saber daquele que venceu o diabo e veio socorrer-me e consolar-me. Assim, pois, a fé vence o diabo. Portanto, o primeiro artigo que importa é que Deus me ensine a fé, para que saiba que Cristo venceu o diabo por mim.
E depois: sabendo que o diabo já não tem poder sobre mim, mas que está vencido por causa da fé, também tenho que pôr-me à disposição para que também seja tentado. E isso terá por resultado o fortalecimento de minha fé e que o próximo encontre consolo e exemplo em minha vitória e tentação.
Lembrem-se disso: Quando alguém começa a crer, a tentação não demora. O Espírito Santo não o deixa descansando e festejando. Logo o exporá à tentação. Por quê? Para que a fé se comprove. Do contrário, o diabo nos levaria às voltas como uma palha ao vento. Quando, porém, Deus vem e pendura em nós um lastro, tornando-nos pesados de sorte que temos que ficar firmes no chão, o diabo e todo o mundo reconhecerão que é o poder de Deus que está fazendo isso. Assim, Deus revela sua glória e majestade em nossa fraqueza. Por isso, lança-nos ao deserto, ou seja, faz com que estejamos abandonados de todas as criaturas, de sorte que não vejamos de onde nos pudesse vir ajuda e chegamos a pensar, inclusive, de estarmos abandonados por Deus. Pois, como age aqui com Cristo, assim age também conosco. Esse caminho não é doce, mas de causar medo à pessoa."

-- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja

13/02/2016

Primeiro Domingo na Quaresma


Rev. Elissandro Ribeiro da Silva

No Primeiro Domingo na Quaresma o texto tradicional é a tentação de nosso Senhor Jesus Cristo pelo diabo no deserto. Tanto a leitura da Epístola, como a leitura do Santíssimo Evangelho, falam da Palavra como defesa. É importante destacarmos o fato que Jesus não é nosso exemplo, mas sim que Jesus é o nosso Salvador. E como isto pode ser aplicado neste texto? Podemos enfatizar a resposta de Jesus ao diabo, mas devemos enfatizar o Cristo que por nós enfrentou o diabo a fim de nos salvar.
 
No Catecismo Maior de Lutero, no Prefácio, temos um conselho precioso sobre a Palavra. Sem deixar de lado o fato mais importante da tentação de Jesus Cristo, que a sua tentação foi em nosso lugar; olhemos para a sua orientação em relação a Palavra de Deus:

"Além do que é um auxílio sobremodo poderoso contra o diabo, o mundo, a carne e todos os maus pensamentos ocupar-se com a Palavra de Deus, dela falar e sobre ela meditar. Razão por que o primeiro salmo chama de bem aventurado aqueles que 'meditam de dia e de noite na Lei de Deus'. Por certo não lograrás com nenhum incenso, ou outra aromatização algo mais poderoso contra o diabo do que se ocupares com os mandamentos e as palavras de Deus, sobre eles falares, cantares e meditares. Isso, com certeza, é água e o sinal da cruz verdadeiros, de que o diabo foge e por que se pode espantá-lo. Ora, sem dúvida já apenas por isso deverias prazerosamente ler, recitar, meditar e tratas essas partes, mesmo que nenhum outro fruto e proveito tivesses daí senão o de com isso poderes afugentar o diabo e os maus pensamentos." (Catecismo Maior, 10-11).

14/12/2013

Deus é doador de toda a boa dádiva


Senhor, ... todas as nossas obras tu as fazes por nós”. (Isaías 26.12)

Nosso trabalho é máscara atrás da qual Deus se esconde, pois, na verdade, é ele quem faz tudo por nós. Se Gideão tivesse desobedecido, recusando-se a lutar contra Midiã, os midianitas nunca teriam sido vencidos, embora Deus pudesse, é claro, tê-los vencido sem Gideão (Juízes, capítulo 7). Deus também poderia dar-lhe milho e frutas sem que você lavrasse o solo e plantasse; mas não é essa a sua vontade. Tampouco é vontade de Deus que a lavração e plantação que você faz produzam milho e frutas; mas você deve lavrar e plantar, e, então, abençoar seu trabalho orando: “Agora, ajuda-nos, ó Deus; dá-nos milho e frutos, ó amado Senhor, pois nossa lavração e plantação nada farão; tudo isso é Dom que recebemos de ti”.
Deus é doador de toda a boa dádiva. Agora, você precisa se virar e atacar o boi pelas guampas, o que significa que precisa trabalhar para proporcionar a Deus uma oportunidade e uma máscara.

-- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja

02/11/2013

Dia de Finados: Ele ressuscitou para que nele também nós ressuscitemos


Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem”. (1 Tessalonicenses 4.14)
Assim como em sua ressurreição, Cristo levou tudo consigo, de sorte que tanto céu como terra, sol e lua e todas as criaturas têm de ressurgir e ser renovados, ele também nos trará a nós em sua companhia. O mesmo Deus que ressuscitou a Cristo dos mortos também vivificará nossos corpos mortais, bem como o de todas as criaturas. Estas, agora, estão sujeitas à vaidade e com ardente expectativa aguardam a nossa glorificação, para, também, serem redimidas desta existência passageira e alcançarem a glória. No nosso caso, mais da metade da ressurreição já é fato consumado, pois a cabeça e o coração já estão lá no alto, restando apenas a menor parte, ou seja, que o corpo seja enterrado, para que também este seja renovado.
Ninguém nega que o corpo de uma pessoa morta não tem lá muito valor. Agora, a fé me dá uma compreensão mais nítida do que aquela que me vem através dos olhos e dos sentidos. Pois aí temos o texto que diz: Ele ressuscitou. Ele não ficou no túmulo nem tampouco sepultado na terra, mas ressuscitou dos mortos. E isto não em benefício próprio, mas por nossa causa, para que sua ressurreição seja nossa e para que nele também nós ressuscitemos e não fiquemos no túmulo e na morte, mas celebremos com ele, em nossos corpos, uma páscoa que nunca termina.

-- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja.

31/10/2013

Castelo forte é nosso Deus (Ein feste Burg ist unser Gott)

Castelo Forte é nosso Deus (Ein feste Burg ist unser Gott) é talvez o hino mais conhecido de Martinho Lutero. Apareceu publicado sob o título “Der xxxxvi. Psalm. Deus noster refugium et virtus” (O Salmo 46. Nosso Deus [é] refúgio e força). O texto do hino é baseado neste Salmo.

A data e as circunstâncias de sua composição são controversas. Alguns apontam para 1521 (Dieta de Worms), 1529 (Dieta de Espira), 1530 (Dieta de Augsburgo), ou para este período entre 1521-1530.
O mais antigo registro do hino está no hinário de Augsburgo de Jakob Dachser, intitulado “Form und Ordnung geistlicher Gesang und Psalmen” de 1529. O hino provavelmente já havia aparecido no hinário de Wittenberg de Hans Weiss publicado no ano de 1528, cuja cópia não existe. Acredita-se que ele aparece também numa primeira edição perdida do hinário “Geistlich Lieder” (Cânticos Espirituais) de Joseph Klug (1490-1552), publicado em Wittenberg em 1529, uma vez que consta na edição deste hinário de 1833. Foi impresso também no hinário de Erfurt de Andreas Rauscher (1531).
Quem muito colaborou para difundir este hino de Lutero na Alemanha, foi o sapateiro e poeta de Nurenbergue Hans Sachs (1494-1576). Ele mandou imprimir folhetos volantes que podiam ser vendidos bem baratos. Neles estava representada (1) a xilogravura de Albrecht Dürer (1471-1528) intitulada “Ritter, Tod und Teufel” (Cavaleiro, Morte e Diabo) feita em 1513, (2) o texto do hino “Deus é castelo forte e bom...” e (3) a seguinte observação: >>Cada cristão corajoso, usando a “armadura de Deus” (Efésios 6,11), tranquilo e seguro como este cavalheiro, consegue atravessar o deserto espinhento e arrepiante desta vida, cheia de lama e imundície, e não precisa temer nem morte, nem o diabo, mas, dirigindo seu olhar para a cidade de Deus em cima do monte da salvação, pode vencer e desprezar morte e diabo, como este velho cavalheiro o faz, e pode cantar ainda alegremente: “Se inúmeros demônios vêm, querendo exterminar-nos: Sem medo estamos, pois não tem poder de superar-nos.” (Leonhard Creutzberg. Deus é castelo forte e bom. 03/07/2012)
Além de constar nos hinários luteranos brasileiros Hinos do Povo de Deus (nº 97) e Hinário Luterano (nº 165), o hino de Lutero também faz parte dos hinários Novo Cântico (nº 155), Cantai todos os Povos (nº 409), Salmos e Hinos (nº 640), Cantor Cristão (nº 323), Harpa Cristã (nº 581), Hinário Adventista do Sétimo Dia (nº 33), Hinos de Louvores e Súplicas a Deus da Congregação Cristã no Brasil (nº 381)

Hinário Luterano, nº 165 - Castelo forte é nosso Deus
Tradução: Rev. Rodolfo Hasse (1890-1968)



1. Castelo forte é nosso Deus,
defesa e boa espada;
da angústia livra desde os céus
nossa alma atribulada.
Investe Satã
com hábil afã
e sabe lutar
com força e ardil sem par;
igual não há na terra.

2. Sem força para combater,
teríamos perdido.
Por nós batalha e irá vencer
quem Deus tem escolhido.
Quem é vencedor?
Jesus Redentor,
o próprio Jeová,
pois outro Deus não há;
triunfará na luta.

3. O mundo venham assaltar
demônios mil, furiosos,
jamais nos podem assombrar,
seremos vitoriosos.
Do mundo o opressor,
com todo rigor
julgado ele está;
vencido cairá
por uma só palavra.

4. O Verbo eterno ficará,
sabemos com certeza,
e nada nos perturbará
com Cristo por defesa.
Se vierem roubar
os bens, vida e o lar —
que tudo se vá!
Proveito não lhes dá.
O céu é nossa herança.

Deus é Castelo forte e bom - Hinos do Povo de Deus, nº 97



1. Deus é castelo forte e bom,
defesa e armamento.
Assiste-nos com sua mão,
na dor e no tormento.
O rei infernal das trevas do mal,
com todo o poder
e astúcia quer vencer:
Igual não há na terra.

2. A minha força nada faz,
sozinho estou perdido.
Um homem a vitória traz,
por Deus foi escolhido.
Quem trouxe esta luz?
Foi Cristo Jesus,
o eterno Senhor,
outro não tem vigor;
triunfará na luta.

3. Se inúmeros demônios vêm,
querendo exterminar-nos:
Sem medo estamos, pois não têm
poder de superar-nos.
Pois o rei do mal,
de força infernal,
não dominará;
Já condenado está
por uma só palavra.

4. O Verbo eterno vencerá
as hostes da maldade.
As armas o Senhor nos dá:
Espírito, Verdade.
Se a morte eu sofrer,
se os bens eu perder:
que tudo se vá!
Jesus conosco está.
Seu Reino é nossa herança!

Ein feste Burg ist unser Gott – Martin Luther Gesangbuch (Kirchengemeinde Höchstenbach)



1. Ein feste Burg ist unser Gott,
ein gute Wehr und Waffen.
Er hilft uns frei aus aller Not,
die uns jetzt hat betroffen.
Der alt böse Feind
mit Ernst er’s jetzt meint;
groß Macht und viel List
sein grausam Rüstung ist,
auf Erd ist nicht seinsgleichen.

2. Mit unsrer Macht ist nichts getan,
wir sind gar bald verloren;
es streit' für uns der rechte Mann,
den Gott hat selbst erkoren.
Fragst du, wer der ist?
Er heißt Jesus Christ,
der Herr Zebaoth,
 und ist kein andrer Gott,
 das Feld muss er behalten.

3. Und wenn die Welt voll Teufel wär
 und wollt uns gar verschlingen,
so fürchten wir uns nicht so sehr,
es soll uns doch gelingen.
Der Fürst dieser Welt,
 wie sau'r er sich stellt,
tut er uns doch nicht;
das macht, er ist gericht':
Ein Wörtlein kann ihn fällen.

4. Das Wort sie sollen lassen stahn
 und kein Dank dazu haben;
er ist bei uns wohl auf dem Plan
 mit seinem Geist und Gaben.
Nehmen sie den Leib,
Gut, Ehr, Kind und Weib:
Lass fahren dahin,
sie haben's kein' Gewinn,
das Reich muss uns doch bleiben.

Tradução no volume 7 das Obras Selecionadas de Martinho Lutero

1. Castelo firme é nosso Deus,
boa defesa e armamento.
Ele nos livra de toda a aflição
que agora nos atingiu.
O velho e malvado inimigo
agora investe para valer,
grande poder e muita astúcia
são seu cruel armamento,
sobre a terra não existe igual a ele.

2. Com nossa força nada alcançaremos,
logo estaremos perdidos.
Por nós luta o homem certo,
que o próprio Deus escolheu.
Perguntas quem é ele?
Seu nome é Jesus Cristo,
o Senhor Zebaote,
e não há outro Deus.
Ele há de vencer.

3. Ainda que o mundo estivesse cheio de demônios
e nos quisesse devorar,
não nos apavoremos demais,
pois venceremos apesar de tudo.
O príncipe deste mundo,
por mais raivoso que se apresente,
nada nos fará,
isto porque já está julgado,
uma palavrinha pode derrubá-lo.

4. A palavra eles têm de deixar de pé,
mesmo que não o queiram.
Ele está agindo entre nós
com seu Espírito e dons.
Se [nos] tirarem o corpo,
bens, honra, filhos e esposa,
que se vá!
Isso não lhes traz nenhum proveito,
o reino mesmo assim há de ser nosso.

12/10/2013

Os pais podem ganhar o céu através dos próprios filhos

"Cristo abençoa as crianças" (1540), Lucas Cranach, o Jovem (1515-1586)
“E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe. Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe dependurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fora afogado na profundeza do mar”. (Mateus 18.5)

Assim também é verdadeira a afirmação de que os pais podem ganhar o céu através dos próprios filhos, mesmo que não façam outra coisa além de serem pais. Se os pais educam os filhos para que sejam servos de Deus, terão as duas mãos cheias de boas obras por fazer. Pois quem são os famintos, os sedentos, aqueles que não têm roupa, os prisioneiros, os doentes, os estrangeiros, senão as almas de seus próprios filhos (Mateus 25.35-36)? Com eles, Deus transforma sua casa num hospital, colocando-o como diretor do mesmo, para que você cuide deles, os alimente e lhes dê de beber com boas obras e palavras, de sorte que aprendam a confiar em Deus, crer nele, temer e depositar sua confiança nele, honrar seu nome, não jurar nem amaldiçoar, trabalhar, participar do culto e ouvir a palavra de Deus; que aprendam a desprezar as coisas deste mundo, suportar desgraças com paciência, não Ter medo da morte nem amar a presente vida! Oh, que lar e que casamento feliz não é aquele onde existem pais assim! De fato, seria uma verdadeira igreja, excelente mosteiro, sim, um paraíso.
Por outro lado, nada mais fácil para os pais do que serem condenados ao inferno por causa de sua atitude em relação aos filhos, em seu próprio lar, se negligenciam os filhos e não lhes ensinam as coisas mencionadas acima. De que adianta matar-se jejuando, orando, fazendo romarias e praticando toda sorte de obras? Por ocasião da morte e do juízo final, Deus não vai perguntar a respeito disso aí; vai exigir, isso sim, os filhos que ele lhes deu.

-- Trecho de homilia do bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja.

Toda vez que olho e vejo crianças cristãs, vejo a Cristo

Feliz e abençoado Dia das Crianças!
"Cristo abençoa as crianças", Bernard Plockhorst (1825-1888)
"Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava." (São Marcos 10.13-14)

Por que será que ele não toma nos braços um marmanjo, um rei, ou, então, qualquer um dos santos? Acontece que ele toma uma criança, na verdade uma criança bem pequena, que ainda não tem muita compreensão das coisas, e a abraça . Como isso deixa claro que seu reino é das crianças e que ele, o Senhor, é um duque e príncipe das crianças e deseja estar com elas. Com isso também quer dizer o seguinte: Se quiserem saber quem é o maior, já lhes digo: Se vocês ouvem de mim, são grandes, pois eu sou tudo; e quem receber a mim, recebe o Pai, Criador do céu e da terra; sim, recebe, ao mesmo tempo, céus e terra. Recebe a Deus, como todos os seus dons.
Assim aconteceu que a gente recebe, em primeiro, o menino, Cristo, e, por meio dele, o Pai celeste. Pois não ficarei para sempre entre vocês corporalmente, diz Jesus. em razão disso, quero pôr outra coisa diante de seus olhos, algo que vocês devem estimar como estimam a mim, a saber: “Qualquer que receber uma criança tal como esta, em meu nome, a mim me recebe, e quem receber a mim, recebe a meu Pai”.
Por que, então, deveria eu procurar a Cristo lá longe, ou até mesmo subir aos céus na ânsia de encontrá-lo? Tenho diante de mim tantas crianças cristãs que são imagem e morada de meu amado Senhor Jesus Cristo. Vendo a estas, estarei vendo o próprio Cristo. Se ouço o que dizem, estarei dando ouvidos a Cristo. Se lhes ofereço um copo de água, estarei dando de beber a Cristo. Se lhes dou de comer, estarei alimentando a Cristo. Se lhes dou o que vestir, estarei vestindo a Cristo. E assim, na igreja cristã, terei o mundo cheio de Cristo. Toda vez que olho e vejo crianças cristãs, vejo a Cristo. Se eu pudesse crer nisso!

-- Trecho de homilia do bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja.

29/09/2013

Os amados anjos servem e cuidam dos pequeninos


“Quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.” Em outras palavras: Quem é responsável por uma criança, física e espiritualmente, a educa corretamente para que ela aprenda a conhecer a Deus, aprenda a não amaldiçoar, jurar ou roubar; Para este eu digo que está me recebendo pessoalmente, está me amando como se estivesse carregando a mim, filho de Maria, nos braços e tomando conta de mim, assim como minha mãe, Maria tomou conta de mim. Isto é pregado sempre tão docemente e atraindo-nos sempre de forma tão cativante.
Mas por que o Senhor faz isso? Apenas pela razão de que ele entende muito bem quão ávidos os jovens são para ouvir coisas obscenas e quão facilmente eles são corrompidos. Além disso, más bocas são perfeitas em auxiliar nisso e – que clamores subam a Deus no céu! - agora encontramos meninos e meninas, de dez e doze anos de idade, que são capazes de amaldiçoar e usar palavrões sobre injúrias, distúrbios físicos, depravações e tem falta de vergonha e são vulgares no modo de falar. De quem eles aprendem isso? De mais ninguém, senão daqueles que deveriam refreá-los, de pai e mãe e de vergonhosos, péssimos criados. Os jovens vieram a saber tais coisas tão rapidamente e prestam mais atenção a elas do que à oração do Pai Nosso. Isto tem as suas raízes na velha, incendiária do mal, nossa natureza pecaminosa, que gruda em nós. É por isso que Cristo prega aqui de modo tão convincente e adverte tão ternamente para cuidar dos jovens, dizendo: Quando você educa um destes pequeninos, quando eles são criados no temor e no conhecimento de Deus, na piedade e modéstia, então você me tem feito o maior serviço. Eu tenho designado meus nobres servos, os amados anjos, para servir cuidar destes pequeninos. Lembre-se disso e faça o mesmo, não os ofenda, não os deixe ouvir maldades, e ajude-os de bom grado.

- Bem-aventurado Martinho Lutero, Hauspostille sobre São Mateus 18.1-10 (Evangelho para o Dia de São Miguel e Todos os Anjos)

24/09/2013

Cristo guarda silêncio e cobre nossos pecados

“A Adúltera diante de Cristo”, Giovanni Battista Pittoni, o Jovem (1687–1767)
"O amor cobre multidão de pecados." (1 Pedro 4.8)
Neste ponto aprendamos a procurar o próximo que é ovelha perdida, cobrindo sua vergonha com nossa honra e deixando que nossa santidade cubra seus pecados.

O que acontece, porém, quando pessoas se reúnem? Falam dos pecados alheios, querendo demonstrar como sentem horror ao pecado. Por isso, quando vocês homens se reúnem, não falem dos pecados dos outros. Da mesma forma,, vocês, mulheres, ao se reunirem, cubram a vergonha dos outros e não criem feridas que vocês não podem curar. Caso você surpreender duas pessoas num quarto, jogue seu manto sobre elas, e não se esqueça de fechar a porta. Motivo? Ora, você também gostaria de ser tratado assim.

Isso é o que Cristo também faz. Ele guarda silêncio e cobre nossos pecados. Ele bem que poderia nos envergonhar e pisar aos pés, mas ele não o faz. E vocês precisam seguir seu exemplo. A virgem deve dar sua grinalda para a meretriz, e a esposa deve dar seu véu para a adúltera e deixar que tudo seja um manto a cobrir os pecadores. Porque todo homem terá sua ovelha a recuperar , e toda mulher sua dracma perdida; e todos os nossos dons devem pertencer também ao outro.

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (trecho de Sermão de 1522)

 Fonte: Castelo Forte: Devoções Diárias 1983 (São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1983)

18/09/2013

Querido Senhor e Deus, protege bondosamente os frutos nos campos e na horta

Querido Senhor e Deus, protege bondosamente os frutos nos campos e na horta. Purifica o ar. Dá chuva e bom tempo quando convém. Permite que os frutos sejam bons. Não deixes que sejam envenenados para que nós e os animais não fiquemos doentes nem soframos qualquer mal. Muitas de nossas desgraças são causadas pelo ar envenenado, e em consequência os frutos, o vinho e o cereal estão contaminados. Se deixares isso acontecer, teremos que comer nossa morte em nossos próprios produtos e bebê-la. Por isso permite que os frutos sejam abençoados, que cresçam para a nossa saúde e bem-estar. Cuida para que não abusemos deles, colocando a vida em perigo ou provocando injustiça, voracidade e malandragem. Pois daí resultam falta de moderação, adultério, briga, engano, assassinato, guerra e muitas outras desgraças. Muito antes, concede-nos graça, para que usemos tuas dádivas em favor da melhoria de nossa vida, para que os frutos mantenham nossa saúde e para que nós os usemos de maneira responsável diante de ti. Amém.

Bem-aventurado Martinho Lutero

Rieth, Ricardo Willy. Martim Lutero, discípulo, testemunha, reformador: meditações. São Leopoldo: Sinodal, 2007, p. 103.

11/09/2013

Se alguém cometeu pecado, deve lembrar-se tanto mais de seu batismo

Santo Batismo na Redeemer Lutheran Church (Fort Wayne-EUA)

"Quem crer e for batizado será salvo". (S. Marcos 16.16)

Se alguém cometeu pecado, deve lembrar-se tanto mais de seu batismo, de como Deus, naquela ocasião, entrou em aliança com ele, prometendo perdoar todos os seus pecados, desde que esteja disposto a lutar contra o pecado até a morte. É necessário meditar alegremente sobre essa verdade e aliança de Deus e, então, o batismo voltará a entrar em ação e vigor. Assim, o coração terá, outra vez, para e alegria, não em virtude de obras e satisfações do pecador, mas por causa da misericórdia divina que lhe foi prometida para sempre no batismo. É necessário ficar firme nessa fé. Mesmo que todas as criaturas e todos os pecados nos sobressaltem, devemos ficar firmes na fé. É claro: quem se deixar afastar da fé, transforma Deus em mentiroso no que diz respeito à sua promessa no sacramento do batismo.

— Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja

Fonte: Castelo Forte: Devoções Diárias 1983 (São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1983)

09/09/2013

Oração de Lutero para depois das refeições

"O Jantar", Claude Oscar Monet (1840-1926)

Agradecimento

Igualmente, depois da refeição, dirão com reverência e de mãos postas:

Louvai ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua benignidade é para sempre. É o que dá mantimento a toda a carne; o que dá aos animais o seu sustento, e aos filhos dos corvos, quando clamam. Não se deleita na força do cavalo nem se compraz nas pernas do varão. O Senhor se agrada dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia.

Depois se diz o Pai Nosso e a oração seguinte:

Graças te damos, ó Senhor Deus, Pai celestial, por todos os teus benefícios, tu, que vives e reinas para sempre, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor! Amém.

Fonte: Catecismo Menor de Lutero (Porto Alegre: Concórdia: 2001, p. 22)

Oração de Lutero para antes das refeições

"Oração antes da refeição" (1660), Jan Steen (1626-1679)

Bênção

Os filhos e os empregados achegar-se-ão à mesa com reverência, juntarão as mãos e dirão:

Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes dás o seu mantimento a seu tempo. Abres a tua mão e satisfazes os desejos de todos os viventes. Amém.

Depois se dirá o Pai Nosso e a oração seguinte:

Senhor Deus, Pai celestial, abençoa-nos a nós e a estes teus dons que de tua bondade vamos receber, por Jesus Cristo, nosso Senhor.  Amém.


Fonte: Catecismo Menor de Lutero (Porto Alegre: Concórdia: 2001, p. 21)