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13/08/2024

Os sacramentos são uma afirmação da criação

 Sacramento do Altar, por Sara Tyson (Artwork from Luther's Small Catechism, CPH)


O uso de substâncias criadas nos sacramentos é um aval da criação. Se a criação fosse tão imperfeita e má como os gnósticos diziam, então deveríamos ter sacramentos sem matéria ou não deveríamos ter sacramentos. Lutero fala da palavra de Deus se juntando a um elemento, um elemento da criação, e tornando-se um sacramento (Catecismo Maior IV, 17). Nos sacramentos, nosso olhar foca primeiramente nas coisas, coisas materiais, coisas pertencentes à criação de Deus, através das quais vemos o sobrenatural. Não olhamos em volta delas, mas através delas, para ver a realidade sobrenatural. O que acontece nos sacramentos, em certo sentido, já aconteceu na encarnação. Em Jesus, vemos Deus. Na água, no pão e no vinho, encontramos Jesus. Tanto na encarnação quanto no sacramento, o criado se torna divino e serve ao único propósito divino da salvação. Tanto em Jesus quanto nos sacramentos, o invisível está oculto no visível, e desta forma a criação é primeiro afirmada e então elevada. Através da palavra de Deus, água, pão e vinho experimentam um tipo de redenção de seu uso subalterno e uma santificação pela qual o Espírito traz pessoas a um relacionamento mais elevado com Deus e confirma isto. Os elementos criados são levados ao seu mais alto potencial e pela palavra de Deus excedem esse potencial sem negar suas limitações. Nos sacramentos, coisas comuns são elevadas a um nível espiritual mais alto, uma dimensão na qual o Espírito Santo está operando. […] Luteranos confessionais são sistematicamente contrários a qualquer substituição das substâncias prescritas, assim como também a qualquer alteração do significado das palavras.

[…]

Os sacramentos são importantes não apenas por causa dos mandamentos de Deus, mas porque derivam sua vida e significado de uma cristologia centrada na encarnação. A encarnação, por sua vez, é uma aprovação total da criação. Na encarnação, Deus toma para si a humanidade, a coroa de sua criação. Jesus é tanto Criador e criatura: “Igual ao Pai segundo a divindade e menor do que o Pai segundo a sua humanidade” [Credo Atanasiano].

[…]

Lutero insiste que Deus trabalha conosco por meio de ordenanças e coisas externas. Deus permanece em uma espécie de “união sacramental” com sua criação, pois mesmo em sua condição pecaminosa, ele continua sendo seu Criador. Historicamente, o demiurgo foi a invenção gnóstica de um Deus que não precisa se contaminar com a criação. Mas agir sacramentalmente significa agir por meio da criação (“meios”) ou criaturas. Com essa definição, a encarnação pode ser entendida sacramentalmente e nossos sacramentos têm dimensões encarnacionais. 

[...]

A fé enxerga através do comer usual um tipo de comer mais profundo, que envolve o cristão na sua existência interior, de modo que o corpo e a alma recebem sustento no mesmo momento e no mesmo ato. Essencial para os luteranos é a ‘manducatio oralis’, uma nutrição do corpo pela boca. A nutrição exterior do corpo envolve a nutrição mais profunda do corpo e da alma com o corpo e sangue de Cristo. 

- Dr. David P. Scaer, professor de Teologia Bíblica e Sistemática no Concordia Theological Seminary de Fort Wayne (EUA)

📖 David P. Scaer. Sacraments as an Affirmation of Creation. In: Concordia Theological Quarterly. v. 57, n. 4. Out. 1993. p. p. 241-264.

30/05/2024

O Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo

Edward Riojas (Dear Christians One and All Rejoice: a hymn by Martin Luther, Kloria Publishing, 2020)

A Igreja Luterana lembra o Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo no Culto da Quinta-feira Santa, durante o qual recordamos os acontecimentos da noite em que Jesus foi traído. Naquela ocasião Jesus lavou os pés dos seus discípulos, lhes deu um “mandatum novum” (Jo 13.34) e instituiu a Santa Ceia. Por assim dizer, na Quinta-feira Santa celebramos o “aniversário” do Sacramento do Altar, “o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo para ser comido e bebido, sob o pão e o vinho, por nós, cristãos”, pelo qual nos é dado “remissão dos pecados, vida e salvação.” (Catecismo Menor de Lutero).

31/10/2016

Missa Alemã de Lutero


Esta ordem litúrgica foi utilizada na Congregação Evangélica Luterana Paz, cidade de Ponta Grossa, Paraná, na comemoração dos 499 anos da Reforma Luterana.
Nota Introdutória: A Missa Alemã de Lutero foi oficiada pela primeira vez em 29 de outubro de 1525 na igreja de Wittemberg pelo diácono Jorge Rörer. A ordem que segue é o esquema da missa original. A epístola e o evangelho fazem parte dos próprios para o Dia da Reforma, segundo a série Trienal. Lutero fez orientações para o canto das leituras da epístola e do evangelho. Neste culto as leituras serão cantadas pelo oficiante, tentando aplicar as orientações de Lutero. Os três primeiros hinos indicados a serem cantados durante a Distribuição da Ceia são os mesmos que Lutero indicou originalmente.

1.      Hino – “Castelo Forte” – Hinário Luterano nº 165
1. Castelo forte é nosso Deus/ defesa e boa espada; / da angústia livra desde os céus/ nossa alma atribulada. / Investe Satã/ com hábil afã/ e sabe lutar/ com força e ardil sem par; / igual não há na terra. /
2. Sem força para combates, / teríamos perdido. / Por nós batalha e irá vencer / Quem Deus tem escolhido. / Quem é vencedor? / Jesus Redentor, / o próprio Jeová, pois outro Deus não há; / triunfará na luta. /
3. O mundo venham assaltar / demônios mil, furiosos, / jamais nos podem assombrar, / seremos vitoriosos. / Do mundo o opressor, / com todo rigor / julgado ele está; / vencido cairá / por uma só palavra. /
4. O Verbo eterno ficará, / sabemos com certeza, / e nada nos perturbará / com Cristo por defesa. / Se vieres roubar / os bens, vida e o lar / que tudo se vá! / Proveito não lhes dá. / O céu é nossa herança. /

2.      Kyrie (cantado pelo oficiante)
P Kyrie eleison (Tradução, não canta, Ó Senhor, misericórdia). Christe eleison (Tradução, não canta, Ó Cristo, misericórdia). Kyrie eleison (Tradução, não canta, Ó Senhor, misericórdia).

3.      Coleta
P Ó Senhor Deus, Pai Celestial, derrama, te rogamos, o teu Espírito Santo sobre o teu povo fiel, mantém-nos constantes na tua graça e verdade, protege e consola-nos em todas as tentações, defende-nos de todos os inimigos da tua palavra, e concede à igreja militante de Cristo a tua paz salvadora; mediante Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos sem fim.                                           

4.      EPÍSTOLA (cantada pelo oficiante) – Rm 3.19-28

5.      HINO: “Fortalece a tua Igreja”
1. Fortalece a tua igreja, / ó bendito Salvador! / Dá-lhe tua plena graça, / vem, renova seu vigor. / Vivifica, vivifica / nossas almas, ó Senhor! / Vivifica, vivifica / nossas almas, ó Senhor! /
2. Vem, concede por bondade, / em perfeita comunhão, / a pureza na doutrina, / a constância na oração./ Purifica, purifica / nossas mentes, ó Senhor! / Purifica, purifica / nossas mentes, ó Senhor! /
3. Dá amor, fé e esperança / ao rebanho, ó bom Jesus, / a pregar teu Evangelho / e viver na eterna luz. / Santifica, santifica / nossas vidas, ó Senhor! / Santifica, santifica /  nossas vidas, ó Senhor!/

6.      EVANGELHO (cantado pelo oficiante) – Jo 8.31-36

7.      CREDO
1. Nós cremos todos num só deus: / nosso pai e criador, que governa terra e céus. / anjos cantam-lhe louvor. / tudo faz com seu poder, / sempre quer nos socorrer. /
2. E cremos no senhor Jesus,/ que da virgem-mãe nasceu;/ com sua morte lá na cruz /a satã por nós venceu./ vitorioso ressurgiu/ e com glória ao céu subiu./
3. E cremos no Consolador, /que do Filho o Pai provém, / sendo terno amparador/ dos que em aflições se vêem. / és Triúno, ó bom Senhor; /cantem todos eu louvor!

8.      Sermão
9.       Paráfrase do Pai Nosso e exortação aos que pretendem ir ao sacramento
P Caros amigos em Cristo, visto que estamos reunidos aqui em nome do Senhor para receber seu Sagrado Testamento, admoesto-vos, em primeiro lugar, que eleveis vosso coração a Deus para comigo orar o Pai Nosso como nos ensinou Cristo nosso Senhor, com a confortadora promessa de que será ouvido.
C Que Deus, nosso Pai do céu olhe misericordiosamente a nós, seus miseráveis filhos na terra, e nos conceda a graça de que seu santo nome seja santificado entre nós e em todo o mundo por ensinamento puro e correto de sua Palavra e por fervoroso amor de nossa vida; queira graciosamente afastar toda falsa doutrina e vida malvada, pelas quais seu digno nome é blasfemado e profanado.
P Que também seu Reino venha e seja aumentado, levando todos os pecadores ofuscados e presos pelo diabo em seu reino ao reconhecimento da fé autêntica em Jesus Cristo, seu Filho, e multiplicando o número dos cristãos. Que também sejamos fortalecidos com seu Espírito a cumprir e sofrer sua vontade na vida como na morte, no bem como no mal, sempre quebrando, sacrificando e aniquilando nossa vontade.
C Queria dar-nos também nosso pão de cada dia, guardar-nos da cobiça e preocupações do ventre, esperando dele o suficiente de tudo que é bom.
P Queira perdoar-nos também nossa culpa, assim como nós perdoamos aos que estão em dívida conosco, para que nosso coração tenha uma consciência tranqüila e segura perante ele e não temamos nem nos aterrorizemos jamais por pecado algum.
C Que não nos conduza a provações, mas nos ajude por seu Espírito a dominar a carne, a desprezar o mundo com sua natureza e vencer o diabo com todas as suas manhas.
PC E por fim, queira redimir-nos de todo o mal, físico e espiritual, temporal e eterno. Todos os que sinceramente almejam tudo isso, digam de coração: ‘Amém’, acreditando sem dúvida alguma que será realmente ouvido no céu, como nos promete Cristo: ‘O que pedirdes, crede que o tereis, e assim há de suceder [Mc 11.24]. Amém.’
P Além disso, eu vos exorto em Cristo que recebais o testamento de Cristo em verdadeira fé e, principalmente, graveis firmemente no coração as palavras em que Cristo nos presenteia com seu corpo e sangue para o perdão; que vos lembreis e agradeçais pelo amor imerecido que ele nos demonstrou ao nos redimir da ira de Deus, do pecado, da morte e do inferno por meio do seu sangue, tomando então exteriormente o pão e o vinho, isto é, seu corpo e sangue como garantia e penhor. Portanto, tomemos e usemos assim o testamento em seu nome e por sua ordem, por ele mesmo expressa.


11.  ORAÇÃO DO PAI NOSSO
Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do T mal, pois teu é o reino, o poder e glória para sempre. Amém.

12.  CELEBRAÇÃO DA CEIA E CONSAGRAÇÃO
Oficiante canta as Palavras da Instituição.

13.  DISTRIBUIÇÃO
1. Sanctus alemão: “No templo a Isaías sucedeu”: HL nº 234./ 2. “A Deus louvemos”: HL nº 264./ 3. Agnus Dei: HL nº 235.

14.  COLETA
P Agradecemos-te, Senhor Deus todo-poderoso, por nos teres saciado com esta dádiva salutar, e pedimos a tua misericórdia, que ela frutifique em nós para vigorosa fé em ti e fervoroso amor entre nós todos, por Jesus Cristo, nosso Senhor.
C Amém.

15.  BÊNÇÃO
P O Senhor te abençoe e te guarde. / O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti. O Senhor levante o seu rosto sobre ti e te dê a paz.                                       
C Amém.


23/06/2016

Oração da Noite de Martinho Lutero


Bênção da Noite

A noite, antes de recolher-te, faze o sinal da santa cruz, dizendo:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo! Amém. 

Então, de pé ou de joelhos, dize o Credo e o Pai Nosso. Se quiseres, podes dizer mais esta pequena oração:  

Meu Pai celestial, graças te dou, por Jesus Cristo, teu amado Filho, por me haveres protegido bondosa­mente neste dia, e peço-te que me perdoes todos os pecados e o mal que fiz e me protejas por tua graça nesta noite. Nas tuas mãos me entrego, de corpo e alma, bem como todas as coisas. Esteja comigo teu santo anjo, para que o inimigo maligno não tenha poder algum sobre mim. Amém.  

Feito Isto dorme tranquilamente.

Catecismo Menor de Lutero (Orações Diárias)

Oração da Manhã de Martinho Lutero



Bênção da Manhã

De manhã, quando te levantas, faze o sinal da santa cruz, dizendo:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo! Amém.

Então, de pé ou de joelhos, dize o Credo e o Pai Nosso. Se quiseres, podes dizer mais esta pequena oração:

Meu Pai celestial, graças te dou, por Jesus Cristo, teu amado Filho, por me haveres defendido de todo o dano e de todos os perigos da noite passada, e peço­-te que me preserves também neste dia do pecado e de todo o mal, para que todas as minhas ações e a minha vida te agradem. Nas tuas mãos me entrego, de corpo e alma, bem como todas as coisas. Esteja comigo o teu santo anjo, para que o inimigo maligno não tenha poder algum sobre mim. Amém.

Feito isto, começa o teu trabalho alegremente, cantando um hino como por exemplo, sobre os Dez Manda­mentos ou sobre qualquer coisa que a tua devoção te sugerir.

Catecismo Menor de Lutero (Orações Diárias)

29/02/2016

Paráfrase do Pai Nosso e exortação aos que pretendem ir ao sacramento



Paráfrase do Pai Nosso e exortação aos que pretendem ir ao sacramento





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Caros amigos em Cristo, visto que estamos reunidos aqui em nome do Senhor para receber seu Sagrado Testamento, admoesto-vos, em primeiro lugar, que eleveis vosso coração a Deus para comigo orar o Pai Nosso como nos ensinou Cristo nosso Senhor, com a confortadora promessa de que será ouvido.
Que Deus, nosso Pai do céu olhe misericordiosamente a nós, seus miseráveis filhos na terra, e nos conceda a graça de que seu santo nome seja santificado entre nós e em todo o mundo por ensinamento puro e correto de sua Palavra e por fervoroso amor de nossa vida; queira graciosamente afastar toda falsa doutrina e vida malvada, pelas quais seu digno nome é blasfemado e profanado.
Que também seu Reino venha e seja aumentado, levando todos os pecadores ofuscados e presos pelo diabo em seu reino ao reconhecimento da fé autêntica em Jesus Cristo, seu Filho, e multiplicando o número dos cristãos. Que também sejamos fortalecidos com seu Espírito a cumprir e sofrer sua vontade na vida como na morte, no bem como no mal, sempre quebrando, sacrificando e aniquilando nossa vontade.
Queria dar-nos também nosso pão de cada dia, guardar-nos da cobiça e preocupações do ventre, esperando dele o suficiente de tudo que é bom.
Queira perdoar-nos também nossa culpa, assim como nós perdoamos aos que estão em dívida conosco, para que nosso coração tenha uma consciência tranqüila e segura perante ele e não temamos nem nos aterrorizemos jamais por pecado algum.
Que não nos conduza a provações, mas nos ajude por seu Espírito a dominar a carne, a desprezar o mundo com sua natureza e vencer o diabo com todas as suas manhas.
E por fim, queira redimir-nos de todo o mal, físico e espiritual, temporal e eterno. Todos os que sinceramente almejam tudo isso, digam de coração: ‘Amém’, acreditando sem dúvida alguma que será realmente ouvido no céu, como nos promete Cristo: ‘O que pedirdes, crede que o tereis, e assim há de suceder [Mc 11.24]. Amém.’



Além disso, eu vos exorto em Cristo que recebais o testamento de Cristo em verdadeira fé e, principalmente, graveis firmemente no coração as palavras em que Cristo nos presenteia com seu corpo e sangue para o perdão; que vos lembreis e agradeçais pelo amor imerecido que ele nos demonstrou ao nos redimir da ira de Deus, do pecado, da morte e do inferno por meio do seu sangue, tomando então exteriormente o pão e o vinho, isto é, seu corpo e sangue como garantia e penhor. Portanto, tomemos e usemos assim o testamento em seu nome e por sua ordem, por ele mesmo expressa.

23/02/2016

Parte 1/6 Jornada cristã através do Catecismo Menor e do Catecismo Maior

Período Quaresmal                              Parte 1/6
Jornada cristã através do Catecismo Menor e do Catecismo Maior



A Igreja Luterana confessa que a Bíblia é a única norma de fé e de doutrina. E por ser a expressão da fé bíblica, reconhece o Livro de Concórdia como um livro de grande e fundamental importância. O livro de Concórdia não tem autoridade em si só, mas por estar em consonância com a verdade escriturística, assume um papel relevante e primordial dentro da Confessionalidade Luterana.
O livro de Concórdia é composto de vários documentos que foram escritos no período entre 1530 até 1580. No projeto “Jornada cristã através Catecismo Menor e Maior” será enfatizado dois documentos de grande valia e que foram escritos por Lutero. Ambos Catecismos foram escritos em 1529 e o que diferencia ambos é público alvo para quem são dirigidos. O Catecismo Menor está destinado para ser usado nos lares e Catecismo Maior é destinado para o uso do clero.  Nesta jornada teremos um pouco dos dois, no entanto, a base principal é o Catecismo Menor.
O Catecismo Maior e o Menor estão dividido em seis partes principais: Os Mandamentos, O Credo, O Pai Nosso, O Sacramento do Santo Batismo, Como se deve ensinar as pessoas simples a se confessarem e Sacramento do Altar. Nesta primeira parte da jornada será enfatizado os mandamentos.
Conhecendo a estrutura do Catecismo Menor: é de fundamental importância entender a estrutura do Catecismo Menor. Primeiramente temos o texto do mandamento e logo em seguida temos a pergunta “Que significa isto” que é a explicação do mandamento. Nesta jornada, teremos uma pequena reflexão sobre o mandamento em destaque retirada do CATECISMO MAIOR e logo em seguida o texto do CATECISMO MENOR.

1
           Catecismo maior: primeiro mandamento: O que é ter um Deus? Ter um Deus outra coisa não é senão confiar e crer nele de todo coração. Repetidas vezes já disse que apenas o confiar e crer de coração faz tanto o Deus como ídolo. Se é verdadeira a fé e confiança verdadeira, verdadeiro também é o teu Deus. Lutero afirma que verdadeiro culto e honra a Deus é confiar inteiramente em Deus. Catecismo Menor: primeiro mandamento: Eu sou o Senhor, teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas.

2
 Catecismo Maior: Segundo mandamento: O primeiro mandamento instruiu o coração e ensinou o que é fé, assim este mandamento coloca a boca a e a língua numa relação correta com Deus. Por que primeiro se manifesta no coração e depois brota em palavras. Catecismo Menor: Segundo mandamento: Não tomarás em vão o nome do Senhor, teu Deus, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, em seu nome não amaldiçoar, jurar, praticar a feitiçaria, mentir ou enganar; mas devemos invocá-lo em todas as necessidades, orar, louvar e agradecer.

3
Catecismo Maior: Terceiro Mandamento: Tome lugar e tempo a fim de participar do culto divino, isto é , reúnam-se as pessoas com o objetivo de ouvir e tratar da Palavra de Deus e depois louvar a Deus, cantar e rezar. Catecismo Menor: Terceiro mandamento: Santificarás o dia do descanso. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não desprezar a pregação e a sua palavra; mas devemos considerá-la santa, gostar de a ouvir e estudar.

4
 Catecismo Maior: Quarto mandamento: Até aqui aprendemos os três mandamentos, que tratam da nossa relação com Deus. Primeiro, que de todo coração nele confiemos, temamos e amemos, em toda a nossa vida. Segundo, que não mal-usemos seu santo nome para apoiar mentiras ou qualquer outra coisa má, porém que façamos uso dele em louvor de Deus, bem como para o proveito e salvação do próximo e de nós mesmos. Terceiro, que em dia santo e de repouso diligentemente tratemos a palavra de Deus e com ela nos ocupemos, a fim de toda nossa ação e vida sejam orientadas pela Palavra de Deus. Agora vêm os outros sete, que se referem ao nosso próximo. O primeiro e maior desses é: Honrarás a teu pai e a tua mãe. Catecismo Menor: Quarto mandamento: Honrarás a teu pai e a tua mãe, para que vás bem e vivas muito tempo sobre a terra. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não desprezar nem irritar nossos pais e superiores; mas devemos honrá-los, servi-los, obedecer-lhes, amá-los e querer-lhes bem.

5
Catecismo Maior: Quinto mandamento: Neste mandamento saímos de nossa casa e vamos aos vizinhos, para aprender como devemos viver uns com os outros. Deus e o governo não estão incluídos neste mandamento, por que tanto Deus, como o governo tem o direito de punir os malfeitores. O propósito deste mandamento é que ninguém faça mal ao próximo devido as suas ações más, mesmo considerando que ele mereça. Por que onde se proíbe matar, aí se proíbem todas as coisas que possam dar origem ao homicídio. Segundo este mandamento, a pessoa não é somente culpada quando faz o mal para seu próximo, mas quando deixa de fazer o bem. Catecismo Menor: Quinto mandamento: Não matarás. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não causar dano ou mal algum ao nosso próximo em seu corpo; mas devemos ajudar-lhe e favorecê-lo em todas as necessidades corporais.

6
 Catecismo Maior: Sexto mandamento: Os mandamentos, quinto a oitavo, nos mostram que não podemos fazer nenhum tipo de mal ao nosso próximo. Estes mandamentos estão muito bem organizados. Em primeiro lugar, eles falam sobre danos ao nosso próximo. Em seguida, os mandamentos passam a falar sobre a pessoa mais próxima a ele, ou a posse mais próximo seguinte, após o seu corpo, ou seja, sua esposa. Ela é uma carne e sangue com ele, de modo que não pode infligir um dano maior sobre qualquer bem que é dele. Portanto, é claramente proibido trazer qualquer desgraça, vergonha com respeito a esposa do meu próximo. Este mandamento é diretamente contra todos os tipos de pecados contra uma vida casta, seja que nome receba. Não somente a forma externa do adultério é proibido, mas todo tipo de causa, motivo e meios de adultério. O coração, os lábios e todo o corpo deve ser casto e puro e que não se de oportunidade a vida impura. Deus tem o casamento em alta consideração. Catecismo Menor: Sexto mandamento: Não cometerás adultério. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, viver uma vida casta e decente em palavras e ações, e cada qual ame e honre seu consorte.

7
 Catecismo Maior: Sétimo mandamento: Após o mandamento que trada da pessoa e do seu cônjuge, o próximo fala dos bens materiais. Deus também protege os bens que Ele concede. Ele ordena que ninguém furte qualquer coisa que seja do próximo. Brevemente, obter lucro, vantagem a partir do prejuízo do próximo. Roubar não é somente pegar o dinheiro do próximo, mas também se estende a todos os lugares que tem comércio, por exemplo, vender algo com o peso adulterado, lucro exagerado, etc. No trabalho, quando um empregado ou empregada é infiel com seus deveres e causa prejuízo ao seu patrão, ou poderia evitar, mas não o faz. Não fazer aquilo para que foi contratado também é furtar, pois se está recebendo para cumprir uma atividade. Saiba cada qual, que sob a pena de desagradar a Deus, em nenhum momento fazer dano ao próximo, nem tirar nenhuma vantagem sobre ele, nem nas transações de compra e venda ou em qualquer negócio. Mas sim cumpre proteger os bens do próximo. Catecismo Menor: sétimo mandamento: Não furtarás. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não tirar ao nosso próximo o dinheiro ou os bens, nem nos apoderar deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos; mas devemos ajudá-lo a melhorar e conservar os seus bens e o seu meio de vida.

8
 Catecismo Maior: Oitavo mandamento: Oitavo Mandamento: Além do próprio corpo, esposo (a), bens materiais, existe outro tesouro que não se pode dispensar – honra e boa reputação. É muito difícil que alguém viva entre outras pessoas quando se está em pública desgraça e desprezado por todos. Por isso Deus não quer que a reputação e o bom nome sejam retirados ou diminuídos, assim como os bens do próximo não devem ser extorquidos. Deus deseja que a pessoa continue honrada diante do cônjuge, filhos, empregados e vizinhos. Este mandamento proíbe todos os pecados da língua pela qual se pode causar dano ao próximo ou magoá-lo. Por que sustentar falso testemunho não é nada mais do que obra da língua. Deus proíbe tudo que se faz contra o próximo através do pecado da língua. Aqui se aplica também a falsos pregadores com suas doutrinas e blasfêmias; juízes e testemunhas falsas. Aqui também trata-se da fofoca. Isto é problema por que é mais comum ouvir falar mal do que bem do próximo. Para evitar a fofoca, devemos lembrar que a ninguém cabe julgar e censurar publicamente o próximo, ainda quando o vê pecar, a menos que tenha a ordem de julgar e censurar; é grande a diferença entre julgar o pecado e ter o conhecimento do pecado. Pode estar ciente do pecado, mas não julgá-lo. Posso ouvir e ver que o próximo peca, mas não é meu dever contar a outros. Se me adianto e passo a julgar e sentenciar, caio em pecado maior que do outro. Se sabe de alguma coisa de outra pessoa deve guardar para si mesmo, até receberes ordem de ser juiz e punir oficialmente. Deus proíbe que alguém fale mal de outra pessoa, mesmo que seja culpada; muito menos ainda quando se sabe apenas de ouvir dizer. Tudo isto que foi dito trata-se dos pecados secretos, aqueles que não de conhecimentos de todos. Onde tiver um pecado público o problema deve ser tratado publicamente. Catecismo Menor: oitavo mandamento: Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não mentir com falsidade, trair, caluniar ou difamar o próximo; mas devemos desculpá-lo, falar bem dele e interpretar tudo da melhor maneira.


 9-10
Catecismo Maior: Nono e décimo mandamento: O que é a cobiça? A cobiça é o pecado de um coração que deseja o que Deus não concedeu e insiste em tais coisas para a sua felicidade e realização. É uma fé idólatra, que confia nas coisas, no dinheiro e nos bens materiais, pessoas, amizades, reputação, posição social e na satisfação dos seus próprios desejos. A cobiça leva alguém a conspirar a fim de obter o que se deseja contrário à vontade de Deus e seduzir outras pessoas a abandonar a fidelidade a Deus com objetivo de alcançar o que se deseja. A cobiça é idolatria, isso nos leva para o primeiro mandamento. Jesus adverte o cristão da cobiça por que a cobiça é parte da natureza pecadora do homem. A cobiça transforma coisas em ídolo, portanto, ameaça a fé em Cristo. As palavras de Jesus são um convite ao arrependimento e a fé em Cristo. Ele convida a afastarmos o nosso coração das coisas a fim de que a nossa realização e a felicidade estejam somente em Cristo e que sejamos felizes com aquilo que Deus nos concede. A fé cristã consiste conhecer a Cristo pela fé e depender dEle  tanto para a salvação, como também para tudo o que se faz necessário para a manutenção do corpo e da vida. Catecismo Menor: Nono e décimo mandamento: NONO MANDAMENTO: Não cobiçarás a casa do teu próximo. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não pretender adquirir, com astúcia, a herança ou casa do próximo, nem nos apoderar dela sob aparência de direito; mas devemos ajudar-lhe e servi-lo para conservá-la. DÉCIMO MANDAMENTO: Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem os seus empregados, nem o seu gado, nem coisa alguma que lhe pertença. Que significa isto? Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não apartar, desviar ou aliciar a mulher do próximo, os seus empregados ou o seu gado; mas devemos aconselhá-los para que fiquem e cumpram o seu dever.

C

ONCLUSÃO DOS MANDAMENTOS Catecismo Menor: Que diz Deus de todos estes mandamentos? Ele diz: "Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” Que significa isto? Deus ameaça castigar todos os que transgridem estes mandamentos; por isso, devemos temer a sua ira e não transgredi-los. Mas Ele promete graça e todo o bem aos que os guardam. Por isso mesmo devemos amá-lo, confiar nele e de boa vontade cumprir os seus mandamentos.

Livro de Concórdia, Catecismo Maior e Menor

18/02/2016

Comemoração de Martinho Lutero, Doutor e Reformador da Igreja – 18 de fevereiro

Imagem de Martinho Lutero sobre o púlpito da capela da Antiga Escola Latina, durante a dedicação do Centro Internacional Luterano, no domingo, 3 de maio de 2015, em Wittenberg, Alemanha. LCMS Communications/Erik M. Lunsford.
No dia 18 de fevereiro, data de sua morte, nosso Sínodo comemora e rende graças a Deus pela vida do Bem-aventurado Martinho Lutero.

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, na Alemanha, e iniciou seus estudos objetivando uma licenciatura em Direito. No entanto, após um encontro muito próximo com a morte, ele mudou seus estudos para teologia, entrou num mosteiro agostiniano, foi ordenado sacerdote em 1505 e recebeu um doutorado em teologia em 1512. Como professor da recém-criada Universidade de Wittenberg, seus estudos das Escrituras o levaram a questionar muitos dos ensinamentos e práticas da Igreja, especialmente a venda de indulgências. A sua recusa em voltar atrás nas suas convicções resultou em sua excomunhão, em 1521. Após um período de reclusão no castelo de Wartburg, Lutero voltou para Wittenberg, onde passou o resto de sua vida pregando e ensinando, traduzindo as Escrituras, escrevendo hinos e inúmeros tratados teológicos. Ele é lembrado e honrado por sua ênfase permanente na verdade bíblica de que por causa de Cristo, Deus nos declara justos por graça mediante a fé somente. Ele morreu em 18 de fevereiro de 1546, quando estava visitando a cidade em que nasceu.

LEITURAS: 
† Salmo 46
† Isaías 55.6-11
† Romanos 10.5-17
† São João 15.1-11
 
 ORAÇÃO DO DIA:
 
Ó Deus, nosso refúgio e nossa força, tu levantaste teu servo Martinho Lutero para reformar e renovar tua Igreja à luz da tua Palavra viva, Jesus Cristo, nosso Senhor. Defende e purifica a Igreja em nossos dias, e permite-nos proclamar corajosamente a fidelidade de Cristo até a morte e a ressurreição restituidora que deste a conhecer a teu servo Martinho; através de Jesus Cristo, nosso Salvador, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 1219-1220)

15/02/2016

Quando alguém começa a crer, a tentação não demora

“A Tentação de Cristo pelo Diabo” (1860), Félix Joseph Barrias (1822 - 1907)
"Quando o diabo me tenta, meu coração se consola e a fé se fortalece por saber daquele que venceu o diabo e veio socorrer-me e consolar-me. Assim, pois, a fé vence o diabo. Portanto, o primeiro artigo que importa é que Deus me ensine a fé, para que saiba que Cristo venceu o diabo por mim.
E depois: sabendo que o diabo já não tem poder sobre mim, mas que está vencido por causa da fé, também tenho que pôr-me à disposição para que também seja tentado. E isso terá por resultado o fortalecimento de minha fé e que o próximo encontre consolo e exemplo em minha vitória e tentação.
Lembrem-se disso: Quando alguém começa a crer, a tentação não demora. O Espírito Santo não o deixa descansando e festejando. Logo o exporá à tentação. Por quê? Para que a fé se comprove. Do contrário, o diabo nos levaria às voltas como uma palha ao vento. Quando, porém, Deus vem e pendura em nós um lastro, tornando-nos pesados de sorte que temos que ficar firmes no chão, o diabo e todo o mundo reconhecerão que é o poder de Deus que está fazendo isso. Assim, Deus revela sua glória e majestade em nossa fraqueza. Por isso, lança-nos ao deserto, ou seja, faz com que estejamos abandonados de todas as criaturas, de sorte que não vejamos de onde nos pudesse vir ajuda e chegamos a pensar, inclusive, de estarmos abandonados por Deus. Pois, como age aqui com Cristo, assim age também conosco. Esse caminho não é doce, mas de causar medo à pessoa."

-- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja

13/02/2016

Primeiro Domingo na Quaresma


Rev. Elissandro Ribeiro da Silva

No Primeiro Domingo na Quaresma o texto tradicional é a tentação de nosso Senhor Jesus Cristo pelo diabo no deserto. Tanto a leitura da Epístola, como a leitura do Santíssimo Evangelho, falam da Palavra como defesa. É importante destacarmos o fato que Jesus não é nosso exemplo, mas sim que Jesus é o nosso Salvador. E como isto pode ser aplicado neste texto? Podemos enfatizar a resposta de Jesus ao diabo, mas devemos enfatizar o Cristo que por nós enfrentou o diabo a fim de nos salvar.
 
No Catecismo Maior de Lutero, no Prefácio, temos um conselho precioso sobre a Palavra. Sem deixar de lado o fato mais importante da tentação de Jesus Cristo, que a sua tentação foi em nosso lugar; olhemos para a sua orientação em relação a Palavra de Deus:

"Além do que é um auxílio sobremodo poderoso contra o diabo, o mundo, a carne e todos os maus pensamentos ocupar-se com a Palavra de Deus, dela falar e sobre ela meditar. Razão por que o primeiro salmo chama de bem aventurado aqueles que 'meditam de dia e de noite na Lei de Deus'. Por certo não lograrás com nenhum incenso, ou outra aromatização algo mais poderoso contra o diabo do que se ocupares com os mandamentos e as palavras de Deus, sobre eles falares, cantares e meditares. Isso, com certeza, é água e o sinal da cruz verdadeiros, de que o diabo foge e por que se pode espantá-lo. Ora, sem dúvida já apenas por isso deverias prazerosamente ler, recitar, meditar e tratas essas partes, mesmo que nenhum outro fruto e proveito tivesses daí senão o de com isso poderes afugentar o diabo e os maus pensamentos." (Catecismo Maior, 10-11).

11/02/2016

Litania e quaresma

A Litania é um excelente modelo de oração para o tempo de quaresma

Consultar as devidas explicações sobre a Litania no texto abaixo.

T                Litania               T


Ó Senhor,                                    tem piedade.
Ó Cristo,                                    tem piedade.
Ó Senhor,                                  tem piedade.
Ó Cristo,                                   ouve-nos.
Deus Pai do céu,                        tem piedade.
Deus Filho, Redentor do mundo,        
                                                  tem piedade.
Deus Espírito Santo,                  tem piedade.
Sê-nos propício.       Salva-nos, bom Senhor.
Sê-nos propício.     Ajuda-nos, bom Senhor.

De todo o pecado, de todo engano, de todo o mal;
Da astúcia e ataques do diabo;
da morte súbita e iníqua;
Da peste e fome; da guerra e derramamento de sangue; da sedição e rebelião;
De raios e tempestade; de toda calamidade por fogo e água; e da perdição eterna;
Bom Senhor, preserva-nos.

Pelo mistério de tua santa encarnação;
por tua santa natividade;
Por teu batismo, jejum e tentação; por tua agonia e suor de sangue; por tua cruz e paixão; por tua morte preciosa e sepultamento;
Por tua gloriosa ressurreição e ascensão; e pela vinda do Espírito Santo Consolador:
Ajuda-nos, bom Senhor.
Em todo tempo de nossa tribulação;
em todo tempo de nossa prosperidade;
na hora da morte e no dia do juízo:
Ajuda-nos, bom Senhor.

Nós, pobres pecadores, te rogamos:
ouve-nos, ó Senhor.

Rege e governa tua Santa Igreja Cristã; conserva todos os pastores e ministros da tua Igreja no verdadeiro conhecimento e entendimento da tua sã Palavra e sustenta-os em santo viver;
Encerra todo cisma e escândalo; reconduze ao caminho da verdade todos os que estão desviados e enganados;
Coloca Satanás sob nossos pés; enviar obreiros fiéis para tua seara; e acompanha a tua Palavra com tua graça e Espírito.
Nós te rogamos: ouve-nos, bom Senhor.
Levanta os que caem e fortalece os que se mantêm de pé; consola e ajuda o coração enfraquecido e o aflito:
Nós te rogamos: ouve-nos, bom Senhor.

Concede a todos os povos concórdia e paz; preserva nossa pátria de discórdia e contendas; concede à nossa nação tua proteção a cada momento de necessidade;
Rege e defende nosso(a) presidente e todos que exercem autoridade; abençoa e protege nossos magistrados e todo o nosso povo;
Olha e socorre todos os que estão em perigos, necessidade e tribulação; protege e guia todos os que viajam;
Preserva a todas as parturientes e todas as mães com crianças, acrescendo felicidade em suas bênçãos; protege todos os órfãos e viúvas e lhes sustenta;
Fortalece e cuida de todos os enfermos e crianças; liberta os cativos; e tenha piedade de todos nós:
Nós te rogamos: ouve-nos, bom Senhor.

Perdoa nossos inimigos, perseguidores e caluniadores, e converte seus corações; concede e conserva para nosso uso os frutos benignos da terra; e ouve graciosamente as nossas orações:
Nós te rogamos: ouve-nos, bom Senhor.

Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus,
nós te rogamos: ouve-nos.

Cristo, o Cordeiro de Deus, que
tiras os pecados do mundo, tem piedade.

Cristo, o Cordeiro de Deus, que
tiras os pecados do mundo, tem piedade.

Cristo, o Cordeiro de Deus,
que tiras os pecados do mundo,
dá-nos a tua paz.

Ó Cristo,                                    ouve-nos.
Ó Senhor,                                  tem piedade.
Ó Cristo,                                    tem piedade.
Ó Senhor,                                  tem piedade.
Amém.

Litania vem de uma palavra grega que significa “súplica”. Esta forma de oração teve origem em Antioquia no séc. IV, donde se espalhou para o oriente e ocidente, tornando-se muito popular durante o período medieval. Foi nesta época que a foi incluída invocações aos santos. Já em 1519 Lutero expressou seu apreço pela Litania, estimulando, mais tarde, em 1528/29 sua utilização em latim e alemão nas Matinas, Vésperas e Domingos, quando o exército turco estava às portas de Viena.

Nossa Litania é baseada na revisão que Martinho Lutero fez em 1529, removendo a invocação aos santos, intercessão pelo papa e pelos mortos. Lutero alterou ligeiramente a ordem original e acrescentou material mais conciso e específico que o da Litania medieval. Thomas Cranmer utilizou a revisão de Lutero na preparação da Litania para o Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra.

A Litania é uma oração insistente e perseverante (Lc 11:5-10). A sua estrutura começa com o Kyrie dirigido ao Deus Uno e Trino. A próxima parte é composta de deprecações, que começam com as palavras “de todo pecado...” e pede para Deus nos preservar das várias ameaças e perigos. Em seguida, vêm as obsecrações, em que oramos “ajuda-nos, bom Senhor”. Esta petição expõe a razão pela qual podemos pedir confiantemente a ajuda de Cristo. Com as palavras “pelo mistério de...”, a Litania narra a obra salvadora da encarnação de nosso Senhor, passando pela ascensão e envio do Espírito Santo. Por causa do que ele fez, sabemos que vai responder nosso pedido de ajuda. A isto seguem as súplicas, pedidos breves e específicos em nosso benefício: “Em todo tempo de nossa tribulação... Ajuda-nos, bom Senhor”. As intercessões são a última parte e são maiores. Nossas orações tendem a se concentrar em nós mesmos ou nas pessoas próximas de nós. Em acordo com o que S. Paulo escreve em 1 Tm 2.1-4 e o que Jesus diz em Mt 5.43-44, as intercessões incluem orações pela Igreja e pessoas em diversas situações. Estas necessidades, muitas vezes esquecidas, são um lembrete útil para a nossa vida de oração, que a Litania coloca diante de nós. A Litania termina com o Kyrie, podendo ser seguida pelo Pai-Nosso e alguma Coleta.

A Litania pode ser usada como devoção particular ou como forma de oração para reuniões e outros encontros do povo de Deus. Os responsos estão marcados em negrito para utilização em grupos.