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13/08/2024

Os sacramentos são uma afirmação da criação

 Sacramento do Altar, por Sara Tyson (Artwork from Luther's Small Catechism, CPH)


O uso de substâncias criadas nos sacramentos é um aval da criação. Se a criação fosse tão imperfeita e má como os gnósticos diziam, então deveríamos ter sacramentos sem matéria ou não deveríamos ter sacramentos. Lutero fala da palavra de Deus se juntando a um elemento, um elemento da criação, e tornando-se um sacramento (Catecismo Maior IV, 17). Nos sacramentos, nosso olhar foca primeiramente nas coisas, coisas materiais, coisas pertencentes à criação de Deus, através das quais vemos o sobrenatural. Não olhamos em volta delas, mas através delas, para ver a realidade sobrenatural. O que acontece nos sacramentos, em certo sentido, já aconteceu na encarnação. Em Jesus, vemos Deus. Na água, no pão e no vinho, encontramos Jesus. Tanto na encarnação quanto no sacramento, o criado se torna divino e serve ao único propósito divino da salvação. Tanto em Jesus quanto nos sacramentos, o invisível está oculto no visível, e desta forma a criação é primeiro afirmada e então elevada. Através da palavra de Deus, água, pão e vinho experimentam um tipo de redenção de seu uso subalterno e uma santificação pela qual o Espírito traz pessoas a um relacionamento mais elevado com Deus e confirma isto. Os elementos criados são levados ao seu mais alto potencial e pela palavra de Deus excedem esse potencial sem negar suas limitações. Nos sacramentos, coisas comuns são elevadas a um nível espiritual mais alto, uma dimensão na qual o Espírito Santo está operando. […] Luteranos confessionais são sistematicamente contrários a qualquer substituição das substâncias prescritas, assim como também a qualquer alteração do significado das palavras.

[…]

Os sacramentos são importantes não apenas por causa dos mandamentos de Deus, mas porque derivam sua vida e significado de uma cristologia centrada na encarnação. A encarnação, por sua vez, é uma aprovação total da criação. Na encarnação, Deus toma para si a humanidade, a coroa de sua criação. Jesus é tanto Criador e criatura: “Igual ao Pai segundo a divindade e menor do que o Pai segundo a sua humanidade” [Credo Atanasiano].

[…]

Lutero insiste que Deus trabalha conosco por meio de ordenanças e coisas externas. Deus permanece em uma espécie de “união sacramental” com sua criação, pois mesmo em sua condição pecaminosa, ele continua sendo seu Criador. Historicamente, o demiurgo foi a invenção gnóstica de um Deus que não precisa se contaminar com a criação. Mas agir sacramentalmente significa agir por meio da criação (“meios”) ou criaturas. Com essa definição, a encarnação pode ser entendida sacramentalmente e nossos sacramentos têm dimensões encarnacionais. 

[...]

A fé enxerga através do comer usual um tipo de comer mais profundo, que envolve o cristão na sua existência interior, de modo que o corpo e a alma recebem sustento no mesmo momento e no mesmo ato. Essencial para os luteranos é a ‘manducatio oralis’, uma nutrição do corpo pela boca. A nutrição exterior do corpo envolve a nutrição mais profunda do corpo e da alma com o corpo e sangue de Cristo. 

- Dr. David P. Scaer, professor de Teologia Bíblica e Sistemática no Concordia Theological Seminary de Fort Wayne (EUA)

📖 David P. Scaer. Sacraments as an Affirmation of Creation. In: Concordia Theological Quarterly. v. 57, n. 4. Out. 1993. p. p. 241-264.

30/05/2024

O Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo

Edward Riojas (Dear Christians One and All Rejoice: a hymn by Martin Luther, Kloria Publishing, 2020)

A Igreja Luterana lembra o Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo no Culto da Quinta-feira Santa, durante o qual recordamos os acontecimentos da noite em que Jesus foi traído. Naquela ocasião Jesus lavou os pés dos seus discípulos, lhes deu um “mandatum novum” (Jo 13.34) e instituiu a Santa Ceia. Por assim dizer, na Quinta-feira Santa celebramos o “aniversário” do Sacramento do Altar, “o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo para ser comido e bebido, sob o pão e o vinho, por nós, cristãos”, pelo qual nos é dado “remissão dos pecados, vida e salvação.” (Catecismo Menor de Lutero).

24/03/2016

Endoenças e Parte 6/6 da jornada do Catecismo


Quinta de Endoenças e parte 6/6 Jornada cristã através do Catecismo Menor e do Catecismo Maior


Vídeo sobre o Sacramento do Altar: Santa_Ceia_01 e Santa_Ceia_02

  Catecismo maior sobre o Sacramento do Altar
Instituição da Santa Ceia na
Redeemer Lutheran Church
http://redeemer-fortwayne.org/
No Catecismo Maior, Lutero trata a Santa Ceia como alimento, como medicamento e como antidoto. Para enfatizar cada ponto, destacarei uma frase que o reformador escreveu.
A Santa Ceia como alimento da alma: “É com razão que se chama alimento da alma, que nutre e fortalece o novo homem. Pelo batismo nascemos de novo. Todavia, como foi dito, permanece no homem, não obstante, a velha pele, em forma de carne e sangue (488, #23)
Lutero considera a Santa Ceia como remédio para alma, Catecismo Maior p, 493, 68: Como medicamento: “De forma nenhuma se há de considerar o sacramento como se fosse prejudicial, da qual cumprisse fugir, mas como medicina inteiramente salutar e consoladora, que te ajuda e te dá vida, tanto na alma quanto no corpo. Porque onde está restaurada a alma, aí também está auxiliado o corpo.
Lutero considera, no Catecismo Maior, o Santíssimo Sacramento do Altar como um antidoto (CM p. 493, 70): “Aqueles, porém, que sentem sua fraqueza, e dela gostariam de ver-se livres, e desejam o auxílio, cumpre-lhes que considerem e utilizem o sacramento unicamente como precioso antídoto contra o veneno que tem consigo. Pois aqui deves receber, no sacramento, perdão dos pecados da boca de Cristo, perdão que encerra em si e traz consigo a graça e o Espírito de Deus, juntamente com todos os seus dons, proteção, defesa e poder contra a morte e o diabo e toda desgraça.

Catecismo Menor sobre o Sacramento do Altar

     PRIMEIRO: Que é o Sacramento do Altar? É o verdadeiro corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo para ser comido e bebido, sob o pão e o vinho, por nós cristãos, como Cristo mesmo o instituiu.
Onde está escrito isso? Assim escrevem os santos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e o apóstolo Paulo: "Nosso Senhor Jesus Cristo, na noite em que foi traído, tomou o pão e, tendo dado graças, o partiu e o deu aos seus discípulos, dizendo: Tomai, comei, isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. A seguir, depois de cear, tomou também o cálice e, tendo dado graças, deu-lho dizendo: Bebei dele todos; porque este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vós para remissão dos pecados; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim."
SEGUNDO: Que proveito há neste comer e beber? Isto nos indicam as palavras: "Dado e derramado em favor de vós para remissão dos pecados". Por estas palavras nos são dadas no sacramento remissão dos pecados, vida e salvação. Pois onde há remissão dos pecados, há também vida e salvação.
TERCEIRO: Como pode o ato físico do comer e beber efetuar tão grandes coisas? O comer e o beber, em verdade, não as podem efetuar, mas sim as palavras: "Dado e derramado em favor de vós para a remissão dos pecados". Estas palavras, juntamente com o comer e o beber, são a coisa principal no sacramento. E o que crê nestas palavras, tem o que elas dizem e expressam, a saber, remissão dos pecados.

QUARTO: Quem recebe dignamente este sacramento? Jejuar e preparar-se corporalmente é, sem dúvida, boa disciplina externa. Mas verdadeiramente digno e bem preparado é aquele que tem fé nestas palavras: "Dado e derramado em favor de vós para remissão dos pecados". Aquele, porém, que não crê nestas palavras ou delas duvida, é indigno e não está preparado, pois as palavras "por vós" exigem corações verdadeiramente crentes.


29/02/2016

Paráfrase do Pai Nosso e exortação aos que pretendem ir ao sacramento



Paráfrase do Pai Nosso e exortação aos que pretendem ir ao sacramento





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Caros amigos em Cristo, visto que estamos reunidos aqui em nome do Senhor para receber seu Sagrado Testamento, admoesto-vos, em primeiro lugar, que eleveis vosso coração a Deus para comigo orar o Pai Nosso como nos ensinou Cristo nosso Senhor, com a confortadora promessa de que será ouvido.
Que Deus, nosso Pai do céu olhe misericordiosamente a nós, seus miseráveis filhos na terra, e nos conceda a graça de que seu santo nome seja santificado entre nós e em todo o mundo por ensinamento puro e correto de sua Palavra e por fervoroso amor de nossa vida; queira graciosamente afastar toda falsa doutrina e vida malvada, pelas quais seu digno nome é blasfemado e profanado.
Que também seu Reino venha e seja aumentado, levando todos os pecadores ofuscados e presos pelo diabo em seu reino ao reconhecimento da fé autêntica em Jesus Cristo, seu Filho, e multiplicando o número dos cristãos. Que também sejamos fortalecidos com seu Espírito a cumprir e sofrer sua vontade na vida como na morte, no bem como no mal, sempre quebrando, sacrificando e aniquilando nossa vontade.
Queria dar-nos também nosso pão de cada dia, guardar-nos da cobiça e preocupações do ventre, esperando dele o suficiente de tudo que é bom.
Queira perdoar-nos também nossa culpa, assim como nós perdoamos aos que estão em dívida conosco, para que nosso coração tenha uma consciência tranqüila e segura perante ele e não temamos nem nos aterrorizemos jamais por pecado algum.
Que não nos conduza a provações, mas nos ajude por seu Espírito a dominar a carne, a desprezar o mundo com sua natureza e vencer o diabo com todas as suas manhas.
E por fim, queira redimir-nos de todo o mal, físico e espiritual, temporal e eterno. Todos os que sinceramente almejam tudo isso, digam de coração: ‘Amém’, acreditando sem dúvida alguma que será realmente ouvido no céu, como nos promete Cristo: ‘O que pedirdes, crede que o tereis, e assim há de suceder [Mc 11.24]. Amém.’



Além disso, eu vos exorto em Cristo que recebais o testamento de Cristo em verdadeira fé e, principalmente, graveis firmemente no coração as palavras em que Cristo nos presenteia com seu corpo e sangue para o perdão; que vos lembreis e agradeçais pelo amor imerecido que ele nos demonstrou ao nos redimir da ira de Deus, do pecado, da morte e do inferno por meio do seu sangue, tomando então exteriormente o pão e o vinho, isto é, seu corpo e sangue como garantia e penhor. Portanto, tomemos e usemos assim o testamento em seu nome e por sua ordem, por ele mesmo expressa.