29/09/2018

29 de Setembro - Dia de São Miguel e Todos os Anjos


Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

          A Igreja Luterana celebra no dia 29 de Setembro, conforme o seu Calendário Litúrgico, o dia de “São Miguel e Todos os Anjos” – uma data extremamente especial que é observada para lembrar que o Deus Eterno ordenou e constituiu o serviço dos anjos como “espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação” (Hebreus 1.14). Portanto, queremos neste dia refletir um pouco sobre São Miguel e Todos os Anjos que o nosso Senhor envia para servir os seus filhos.

          Esta celebração não tem por finalidade a adoração aos anjos, até porque isso é contrário a Palavra de Deus. Na verdade, a Igreja comemora “São Miguel e Todos os Anjos” tendo por objetivo lembrar a promessa do SENHOR de que através dos seus santos anjos ele estará concedendo proteção, segurança e cuidado: “Porque aos seus anjos, o SENHOR dará ordens a seu respeito, para que guardem você em todos os seus caminhos. Eles o sustentarão nas suas mãos, para que você não tropece em alguma pedra” (Salmos 91. 11-12).

Falando especificamente de São Miguel, é interessante destacar que o nome “Miguel” em hebraico significa “Quem é como Deus?” E a primeira vez que o encontramos nomeado nas Sagradas Escrituras é no livro do santo profeta Daniel. O Arcanjo Miguel também irá aparecer no Novo Testamento, mais precisamente na Epístola de Judas e no capítulo 12 de Apocalipse. São Miguel é descrito nas Escrituras como um arcanjo que guerreia com Satanás e os anjos caídos, servindo e protegendo os filhos de Deus.

          Quando usamos o Grande Prefácio Próprio na Liturgia da Santa Ceia, estamos lembrando desses Arcanjos, quando dizemos: “Portanto, com os anjos e arcanjos e com toda a companhia celeste, louvamos e magnificamos o teu glorioso nome, exaltando-te sempre e dizendo: Santo! Santo! Santo!”.

          Neste dia especial, refletimos sobre como as Sagradas Escrituras nos apresentam os santos anjos do Senhor: um anjo, em pessoa, anuncia o nascimento de Jesus Cristo para a Virgem Maria, e para José em um sonho. Um anjo anuncia as boas novas de grande alegria para os pastores que estavam nos campos de Belém. Anjos cantam glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens por ocasião da noite de Natal. Um anjo dirige a viagem de ida e volta da Sagrada Família no Egito. O próprio Jesus ensina que os anjos que servem aos pequeninos constantemente contemplam a face do Pai nos Céus. Os anjos estão presentes na Paixão de nosso Salvador no Getsêmani. Na manhã da Páscoa, são eles que anunciam a Ressurreição de Jesus. Eles também conversam com os discípulos na Ascensão de nosso Senhor. Eles libertam o Apóstolo Pedro da Prisão e fala com o Apóstolo Paulo. Eles acompanham o Apóstolo João em todo o relato do Apocalipse. Além de tudo isso, os anjos ainda hoje continuam a amparar, cuidar e proteger a cada um de nós, filhos de Deus. E também se fazem presente conosco quando somos reunidos no Culto Divino.

          Os anjos estão presentes em toda a Sagrada Escritura, do início ao fim. Da mesma forma, estão presentes em nossa vida, do início ao fim. Pois até mesmo quando fechamos os olhos para este mundo, lá estão os santos anjos do SENHOR para nos acolher e nos levar para os braços do Pai (São Lucas 16.22).

          Por fim, neste dia 29 de Setembro, agradeça ao SENHOR pelo seu amor e sua bondade, também concedidos a nós através de teus santos anjos que nos ajudam e nos defendem aqui na terra, de acordo com sua orientação. Da mesma forma, ore e peça a ajuda de Deus, conforme o bem-aventurado Dr. Martinho Lutero ensinou em seu Catecismo Menor: “esteja comigo o teu santo anjo, para que o inimigo maligno não tenha poder algum sobre mim” (Cm VII 2).
         
Feito isso, inicie e termine cada dia na certeza da proteção, do cuidado, do amparo e do amor de nosso Deus, que tudo isso dispensa a nós de todas as forma possíveis, inclusive também através de seus santos anjos!

          Amém!

Rev. Helvécio José Batista Júnior
Ministro do SENHOR nas Igrejas Luteranas Bom Pastor e Cristo Rei em Cariacica/ES
No dia de São Miguel e Todos os Anjos, 2018 AD

14/09/2018

14 de setembro - Dia da Santa Cruz


Cor litúrgica: Vermelha

† Números 21.4-9
† Salmo 40.1-11 (antífona vers. 13 )
† 1 Coríntios 1.18-25
† João 12.20-33


O Dia da Santa Cruz é uma das mais antigas celebrações anuais da Igreja e comemora tradicionalmente a descoberta da cruz original de Jesus em 14 de setembro de 320, em Jerusalém.

A cruz foi encontrada por Helena, mãe do imperador romano Constantino, o Grande. Este dia festivo foi oficializado por ordem de Constantino em 335 d. C., junto com a dedicação de uma basílica no local da crucificação e ressurreição de Jesus.

Helena era uma cristã muito devota e ajudou a localizar e autenticar muitos locais relacionados à vida, ministério, morte e ressurreição de Jesus nas terras bíblicas.

O Dia da Santa Cruz sempre foi celebrado tanto no cristianismo oriental quanto ocidental. Muitas paróquias luteranas utilizam “Santa Cruz” como o nome de suas congregações.

ORAÇÃO DO DIA:

Misericordioso Deus, teu Filho, Jesus Cristo, foi levantado na cruz para que pudesse levar os pecados do mundo e atrair todas as pessoas a ti. Concede que nós, que gloriamos na sua morte para a nossa redenção, possamos atender fielmente ao teu chamado para suportar a cruz e seguir a Ele, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House​, 2008. p. 721-22) 

14 de Setembro - Dia da Santa Cruz


         
         Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

         A Celebração da Santa Cruz originalmente comemorava aquela que foi considerada a descoberta da cruz usada na Crucificação de nosso Senhor. No início do século IV AD, St. Helena – mãe do Imperador Constantino – descobriu a cruz. A Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi construída no local onde a cruz foi encontrada. Esta construção foi dedicada no dia 13 de Setembro de 335, e a partir do dia seguinte – 14 de Setembro – a cruz começou a ser exposta para o público, dando início a esta Celebração que já permanece na Igreja por quase 1.700 anos.

         O bem-aventurado Dr. Martinho Lutero não era um grande amante desta celebração. Ele via o perigo da superstição semelhante ao que ocorria com outras relíquias que ficavam em Wittenberg. Certa vez ele brincou que, se todas as peças ditas verdadeiras que existiam da santa cruz, daria para se construir um objeto gigantesco. Entretanto, o Reformado não aboliu esta celebração, ao invés disso, ele mudou o seu foco: a atenção não mais era dirigida ao objeto em si da cruz, mas sim a Mensagem da Cruz – ou melhor ainda, o Crucificado! Por isso, até os dias de hoje, quando se pergunta a um luterano: Por que há um crucifixo em sua Igreja? O luterano responde com as Palavras das Sagradas Escrituras: “Nós pregamos o Cristo crucificado” (1Coríntios 1.23).

         O que nós, luteranos, portanto, celebramos neste dia não é primariamente a história da descoberta de uma relíquia. Ao invés disso, celebramos o triunfo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo sobre uma cruz indiscutivelmente real que outrora se encontrava no Gólgota. Assim, da mesma forma que o povo no Antigo Testamento, confiando na palavra do SENHOR, olhou para a serpente de bronze no alto do madeiro e viveu (Números 21.8); agora todos nós, também confiando na Palavra do SENHOR, podemos olhar Jesus Cristo no alto de seu madeiro – a cruz – e vivermos eternamente, por causa da obra que ele realizou por seu divino amor.
        
         O santo e precioso Sangue de Jesus Cristo derramado na cruz nos purifica de todo o pecado; a sua dolorosa morte na cruz destruiu a nossa morte. Por isso, celebramos neste dia o modo como o SENHOR usou e usa até mesmo o sofrimento para trazer bênçãos; o modo como ele trabalhou e continua trabalhando de maneira contrária a qualquer coisa que a razão humana possa conceber ou prever. E isto se torna claro nas palavras do próprio Jesus, que ao contrário do que alguns achavam – até mesmo os seus discípulos – de que ele não deveria sofrer e morrer, ele afirmava: “Foi precisamente com este propósito que eu vim” (São João 12. 27). Jesus Cristo veio a este mundo para morrer, e morte de Cruz!
        
         Por fim, é claro que nós não negamos a possibilidade de que a cruz original tenha sido descoberta por St. Helena. No entanto, se isso é fato ou não, não tem importância. O que importa é que há quase dois mil anos atrás, sob Pôncio Pilatos, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo – gerado pelo poder do Espírito Santo na Bem-aventurada Virgem Maria – foi crucificado. De fato, ele foi levantado no alto do madeiro como previu que seria, e através deste ato insondável de amor divino, ele atrai todas as pessoas para si por meio da Remissão que está em seu Sangue – o Perdão dos pecados de acordo com a riqueza de sua Graça. Além disso, muito melhor do que qualquer relíquia que possa existir, é o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Jesus Cristo, que graciosamente ele concede a nós através da Santa Ceia, dando-nos assim o Perdão dos pecados que ele próprio conquistou para nós com a sua morte, e não uma morte qualquer, mas morte de Cruz!

         Amém!

Rev. Helvécio José Batista Júnior
Ministro do SENHOR nas Igrejas Luteranas “Bom Pastor” e “Cristo Rei” em Cariacica/ES
No dia da Santa Cruz, 2018 AD

02/09/2018

02 de Setembro - Dia de Santa Ana


          Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!
          Diz a Palavra do SENHOR que “houve um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana” (1Samuel 1.1). Ele tinha duas esposas: “uma se chamava Ana, e a outra se chama Penina. Penina tinha filhos; Ana, porém, não tinha” (1Samuel 1.2).
          Todos os anos esse homem ia da sua cidade para adorar e sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em Silo, onde os dois filhos de Eli eram sacerdotes do SENHOR” (1Samuel 1.3). “No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, ele dava porções deste a Penina e a todos os seus filhos. A Ana, porém, dava uma porção dobrada, porque ele a amava, mesmo que o SENHOR a tivesse deixado estéril” (1Samuel 1. 4-5).
          Penina, no entanto, a “provocava incessantemente para a irritar” (1Samuel 1.6). E isto não aconteceu um ou duas vezes. Diz o texto bíblico que “todas as vezes que Ana ia à Casa do SENHOR, a outra a irritava. Por isso Ana se punha a chorar e não comia nada” (1Samuel 1.7).
          O sofrimento de Ana era inconsolável. E seu marido, percebendo toda aquela angústia e dor, lhe perguntou: “Ana, porque você está chorando? E por que não quer comer? E por que está tão triste? Será que eu não sou melhor para você do que dez filhos?” (1Samuel 1.8).
          Ana, com amargura em sua alma, orou ao SENHOR e chorou muito” (1Samuel 1.10). E ali, no Templo do SENHOR, ela fez um voto: “SENHOR dos Exércitos, se de fato olhares para a aflição da tua serva, e te lembrares de mim, e não te esqueceres da tua serva, e lhe deres um filho homem, eu o dedicarei ao SENHOR por todos os dias da sua vida” (1Samuel 1.11).
          Ana continuava a orar, e o sacerdote Eli, que também estava no Templo do SENHOR, “começou a observar o movimento dos lábios dela” (1Samuel 1.12). E Eli reparou que “os seus lábios se moviam, porém não se ouvia voz nenhuma. Por isso, Eli pensou que ela estava embriagada” (1Samuel 1.13). Porém, ele não sabia que Ana estava orando ao SENHOR em seu coração.
          O sacerdote, então, lhe perguntou: “Até quando você vai ficar embriagada? Trate de ficar longe do vinho!” (1Samuel 1.14). Porém Ana respondeu: “Não, meu senhor! Eu sou uma mulher angustiada de espírito. Não bebi vinho nem bebida forte. Apenas estava derramando a minha alma diante do SENHOR. Não pense que esta sua serva é ímpia. Eu estava orando assim até agora porque é grande a minha ansiedade e a minha aflição” (1Samuel 1. 15-16).
        Então o sacerdote Eli lhe disse: “Vá em paz, e que o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu” (1Samuel 1.17). Ouvindo estas palavras, Ana respondeu: “Que eu possa encontrar favor aos seus olhos” (1Samuel 1.18). Então ela seguiu o seu caminho, comeu alguma coisa e o seu semblante já não era triste.
          Com o tempo, “o SENHOR se lembrou de Ana” (1Samuel 1.19). Ela ficou grávida e, passado o devido tempo, teve um filho, a quem pôs o nome de Samuel, pois dizia: “Do SENHOR o pedi” (1Samuel 1.20).
          Depois que o menino desmamou, Ana o levou à Casa do SENHOR, em Silo, o entregou ao sacerdote Eli, e lhe disse: “Meu senhor, tão certo como você vive, eu sou aquela mulher que esteve aqui ao seu lado, orando ao SENHOR. Era por este menino que eu orava, e o SENHOR Deus me concedeu o pedido que eu fiz. Por isso também o entrego ao SENHOR. Por todos os dias que viver, será dedicado ao SENHOR” (1Samuel 1. 26-28).
          Ana foi agraciada pelo SENHOR. Pois, por causa de sua infinita bondade e misericórdia, ele se lembrou da sua serva. E unicamente por amor, lhe concedeu o seu favor.
          Poderíamos dizer que a história de Ana seja uma grandiosa história de fervor na oração e devoção ao SENHOR. Sim, esta é uma história que também nos ensina a orar e confiar no SENHOR acima de todas as coisas. No entanto, como a própria Ana ora em seu cântico, sua história nos ensina que a Graça e a Misericórdia de Deus estão acima de todas as nossas impossibilidades, e por isso, somente no SENHOR existe verdadeira esperança para nossas aflições, verdadeiro refúgio diante das tribulações, verdadeira paz em meio a tanto dor e sofrimento, e verdadeira alegria mesmo quando a tristeza nos enlaça com toda a sua força.
          O nome “Ana” nos ajuda a perceber tudo isso, pois significa “Agraciada”. Ou seja, Ana é alguém que recebeu a Graça do SENHOR, que recebeu o Favor de Deus, e somente por ele, é perdoada, é amada, e é salva.
          Ana descreve todas essas coisas em seu cântico, onde entoa – como que numa prefiguração, o belíssimo Magnificat – o cântico da abençoada Virgem Maria.
          Ana orou assim: “O meu coração exulta no SENHOR. A minha força está exaltada no SENHOR. A minha boca se ri dos meus inimigos, porque me alegro na tua Salvação. Ninguém é santo como o SENHOR, porque não há outro além de ti, e não há rocha como o nosso Deus” (1Samuel 2. 1-2).
          Amém!
Rev. Helvécio José Batista Júnior
No dia de St. Ana, mãe do St. Profeta Samuel, 2018 AD
Ministro do SENHOR nas Igrejas Luteranas “Bom Pastor” e “Cristo Rei” em Cariacica/ES