27/06/2021

Quinto Domingo após Pentecostes (Próprio 8B) - 27 de junho de 2021


Lamentações 3.22-33
2 Coríntios 8.1-9, 13-15
Marcos 5.21-43

O Senhor Jesus é fiel e, em misericórdia, nos levanta da morte para a vida

O Senhor é fiel. Seu amor constante nunca cessa e "as suas misericórdias não têm fim" (Lm 3.22–23). Ainda que o Senhor nos entristeça por um tempo, a fim de nos conservar em arrependimento e fazer nossa fé crescer, ele jamais nos rejeitará para sempre, mas no devido tempo, ele "terá compaixão segundo a grandeza das suas misericórdias" (Lm 3.31–33). Portanto, vamos esperar nele e "aguardar a salvação do Senhor", pois "o Senhor é bom para os que esperam nele" (Lm 3.24-26). É isso que fez a mulher que estava "sofrendo de uma hemorragia" e também "um dos chefes da sinagoga", cuja filhinha estava morrendo. Cada um deles esperou pela misericórdia do Senhor Jesus e cada um alcançou sua ajuda salvadora (Mc 5.21–28). A mulher havia sofrido muito por 12 anos, e a filha de Jairo já havia morrido antes da chegada de Jesus. No entanto, no momento certo, a mulher foi imediatamente "curada daquele mal " e a menina "se levantou e começou a andar" (Mc 5.29, 42). Assim é "a graça de nosso Senhor Jesus Cristo", que se humilhou até a extrema pobreza da morte "para que, por meio da pobreza dele", nos tornássemos ricos para a vida eterna (2Co 8.9).

ORAÇÃO DO DIA: 

Pai celestial, durante seu ministério aqui na terra teu Filho Jesus curou os doentes e levantou os mortos. Pela medicina curativa da tua Palavra e Sacramentos coloca em nossos corações tal amor para contigo que possamos viver eternamente; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano: lecionários (Editora Concórdia).

26/06/2021

Jeremias  -  26 de junho

Jeremias repreende os Judeus, por Dominique Antoine Jean-Baptiste Magaud (1817–1899)

O Calendário Luterano lembra o Santo Profeta Jeremias no dia 26 de junho.

O reformador Martinho Lutero menciona Jeremias ao descrever como nosso Senhor Jesus instou seus discípulos a respeito das tribulações por causa da Palavra de Deus:

"Os queridos profetas foram igualmente combatidos, em especial o profeta Jeremias, a quem seu próprio povo importunou imensamente. Eles o insultaram e o injuriaram continuamente e o condenaram, porque ele ousou pregar e dizer que Jerusalém e o templo seriam destruídos. Quando queimaram seu livro e o jogaram ao cárcere, ele disse, Jr 20[.8s.]: "Desde que falei de violência e destruição, a Palavra do Senhor se me tornou um opróbrio e escárnio todo o dia, de modo que pensei: 'Não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome'". É como se ele dissesse: "Por que eu deveria continuar a pregar em vão? Que recompensa recebo senão a de ser constantemente zombado, insultado e atormentado? Que diabo pode suportar esse ódio, desprezo e tormento infundados do mundo? Mas, quando comecei a ter tais pensamentos, e essa maldade estava prestes a me escandalizar e a fazer com que eu parasse, eu senti como se houvesse um fogo ardente em meu coração e em meus ossos; ou seja, fiquei tão assustado e senti tamanha dor como se estivesse deitado num forno em brasa e pensei que teria de morrer se me mantivesse calado".

Dessa maneira, todos os cristãos são tentados, especialmente os envolvidos no ministério da pregação. Eles são tão atormentados pelo diabo e pelo mundo que, certamente, cansariam, desesperariam ou desistiriam de seu trabalho se não fossem apoiados pela Palavra e pelo Espírito de Deus. Por isso, Cristo os consola aqui para que não se abalem ou se escandalizem com tais coisas, para que não apostatem dele ou cessem seu trabalho em tempos difíceis, quando a adversidade lhes sobrevém e eles precisam ver, ouvir e sentir que tanto o diabo quanto o mundo lhes partem o coração de dor."

— Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Capítulo 16 de S. João, pregado e explicado)

Fonte: LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. v. 11. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia; Canoas: Ed. da Ulbra, 2010. p. 324-325)

25/06/2021

24 de junho - O Nascimento de São João Batista

Ilustração do Nascimento de João Batista, por Julius Schnorr von Carolsfeld (1794 - 1872)

João Batista era filho do sacerdote Zacarias e sua esposa estéril Isabel, parenta de Maria (cf. Lc 1.36,57-66). Conforme um anjo havia predito, Zacarias deu ao seu filho o nome de João, que significa "o Senhor mostrou favor" (cf. Jr 40.8 ) e enfatiza a graça de Deus em dar um filho a Zacarias e Isabel apesar de suas idades avançadas. João é verdadeiramente um presente de Deus para você também, porque ele preparou o caminho para o nosso Salvador, Jesus. João pregava o arrependimento, tal como Martinho Lutero, o qual muitas vezes enfatizou que nós, cristãos, não somente devemos confessar sinceramente os nossos pecados, como também ter a certeza do perdão.

Meditação de Martinho Lutero:

"Esta é, portanto, a preparação do caminho de Cristo e o verdadeiro ministério de João: fazer com que todo mundo se humilhe, e anunciar que todos, sem exceção, são pecadores, pessoas perdidas, condenadas, pobres, necessitadas, miseráveis; e que toda conduta, por mais santa que pareça, toda obra, por melhor que possa ser, e todo estado, por mais nobre que se afigure, são condenáveis, a menos que Cristo, o Senhor, habite, opere, ande e viva ali, sendo e fazendo tudo através de sua fé. E todos precisam de Cristo de igual modo, e deveriam desejar ardentemente receber sua graça. Note bem: onde se prega que todas as obras e vida humana nada são, ali se faz ouvir a verdadeira voz de João Batista no deserto, e a pura e plena verdade da doutrina cristã é anunciada, como Paulo faz em Romanos 3.23: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Isso chama-se humilhar de fato, abater o orgulho dos homens e reduzi-los a nada. Isso chama-se verdadeiramente preparar o caminho do Senhor, dar lugar a ele e recebê-lo."

Fonte: Bíblia de Estudo da Reforma (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017) p. 1543, 1673, 1677, 1544; Castelo Forte: Devoções Diárias 1983 (São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 1983)

22/06/2021

Meditação de Lutero para o Quarto Domingo após Pentecostes

Com Jesus na tempestade, 1926, por Erik "Eero" Nikolai Järnefelt (1863 – 1937), no retábulo da Igreja Luterana de Raahen (Finlândia).

"O mar espuma quando é agitado pelo vento e pelas tormentas, ameaçando o dique ou a terra firme com a agitação das ondas, como se estivesse prestes a transbordar sobre todas as regiões da Terra . ‘Mas eu estabeleci um limite para ele’, diz Deus. Por isso, a terra firme não teme as ameaças e o encapelar do mar. Desta mesma maneira, o diabo se levanta contra a igreja e lança ameaças terríveis contra os crentes e atiça a violência e a destruição sobre eles. Mas aquele que estabeleceu um limite para o mar também acalma essas ondas, para que Satanás não lance sua fúria a seu bel prazer.” 

— Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja, nas Preleções acerca do Gênesis - cap. 31-37 (1544), disponível em LW 6,38.

19/06/2021

Quarto Domingo após Pentecostes (Próprio 7B) - 20 de junho de 2021


Jó 38.1-11

2 Coríntios 6.1-13
Marcos 4.35-41

A Palavra de Cristo concede paz à sua criação por meio do perdão dos pecados

Em sua angústia e aflição, Jó precisou ser lembrado de que, como criatura finita, ele não está em posição de questionar o Criador dos céus e da terra. As “palavras sem conhecimento” de Jó são incapazes de penetrar na sabedoria do Senhor (Jó 38.1-2). Pois o Senhor traçou limites e pôs “ferrolhos e portas”, de forma que “aqui se quebrará o orgulho das suas ondas” (Jó 38.9-11). É assim que o Senhor nos torna humildes e nos leva ao arrependimento. Mas também, por sua palavra poderosa, o Senhor acalma o “grande temporal de vento” e as ondas que se arremessam “contra o barco”. Ele não permite que o caos deste mundo caído nos domine ou nos leve ao desespero. Pela Palavra de seu Evangelho, o Senhor diz para nós: “Acalme-se!”. E esta Palavra de seu Evangelho permite que tudo fique “bem calmo” na sua nova criação (Mc 4.37-39). Portanto, não tenham medo e “não recebam em vão a graça de Deus”. Agora é “o tempo oportuno” e também é “agora o dia da salvação” (2Co 6.1-2).

ORAÇÃO DO DIA: 

Todo-poderoso Deus, em tua misericórdia guias os acontecimentos deste mundo de tal forma que a tua Igreja possa te servir com alegria, em paz e tranquilidades divinas; através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano: lecionários (Editora Concórdia).

I CONCÍLIO DE NICEIA, 325 AD

 


O Evangelho de nosso Senhor segundo S. João 5: 19-26

O nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo acabara de curar um paralítico no sábado e, obviamente, isto veio a causar revolta nos líderes judeus que ficaram sabendo do ocorrido. Afinal, quem é este que transgride a Lei e faz com que outros transgridam também? A resposta de Jesus é curta e direta: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (S. João 5:17).

Blasfêmia! O que este nazareno está dizendo? Os judeu explodem em raiva e decidem que Jesus deve morrer. Mas, por quê? O que de tão grave há na resposta que Jesus havia dado? Ora, ele havia dito “que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (S. João 5:18).

Esta resposta de Jesus aos judeus traz em si três pontos fundamentais que nos ensinam quem é Jesus e qual é a sua Missão. Observe:

1)  Quando Jesus se refere a Deus como seu Pai, ele está ensinando que é o próprio Filho de Deus.

2)  Porém, sua filiação é única, pois ele mostra, ao curar o paralítico no sábado, que tem autoridade para fazer coisas que as outras pessoas não podem.

3)  Por fim, ao justificar que seu trabalho acontece porque o Pai trabalha, ele dá a entender que possui as mesmas prerrogativas de Deus.

Como estes destaques estão evidenciados no texto? Na primeira parte do verso 19 do Evangelho segundo S. João 5, Jesus afirma: “O Filho nada pode fazer por si mesmo, senão somente aquilo que vê o Pai fazer”. Ou seja, há uma subordinação do Filho em relação ao Pai. Entretanto ela é definida de forma peculiar, pois mesmo sendo Jesus o Filho, ele não constitui um segundo núcleo divino, mas de maneira única ele é o mesmo Deus com o Pai. Portanto, a subordinação que existe é, na verdade, uma subordinação funcional.

E como nós podemos ter certeza disso? Olhando a maneira como o texto segue, Jesus mesmo vai explicar esta questão, utilizando-se de 4 “porquês”. Veja:

1)  Ainda no verso 19 Jesus já deixa bem claro que sua subordinação como Filho do Pai é peculiar e única “porque tudo o que o Pai fizer, o Filho também faz” (S. João 5:19b).

2)  No verso 20, Jesus afirma: “porque o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que faz” (S. João 5:20a). Isto é, o Filho tem a onisciência do Pai e, portanto, ele pode fazer o mesmo que o Pai.

3)  Nessa linha de raciocínio, no verso 21, Jesus revela que a maior obra do Pai é, do mesmo modo, realizada pelo Filho: “porque assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivificas aqueles a quem quer” (S. João 5:21). Ou seja, se somente Deus tem o poder da Vida e da Ressurreição como atestam as Sagradas Escrituras, e Jesus está afirmando – e mostrando em seus atos – que tem esse poder, isto significa que mesmo ele sendo o Filho, ele é o mesmo Deus juntamente com o Pai.

4)  Por fim, no verso 22 Jesus revela: “porque o Pai não julga ninguém, mas confiou todo julgamento ao Filho” (S. João 5:22). Em outras palavras, o destino da vida, que é algo próprio do Pai, está nas mãos do Filho.

Por tudo isso, conclui Jesus: “Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou” (S. João 5:23). Desse modo, não há como crer no Pai como Deus, e não crer no Filho; não há como ser uma testemunha do Pai e não o ser do Filho; e também não há como ver o Pai como o Deus supremo e o Filho como inferior ou ainda um semideus. Jesus, o Filho, como confessamos no Credo Niceno, é “Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus”. E nada menos do que isso.

Há alguma dúvida com o que confessamos? Jesus tira todas elas, pois na continuidade do seu discurso, conforme descrito pelo Apóstolo João, ele diz: “quem ouve a minha Palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna” (S. João 5:24), pois estas coisas foram algo único, ouvir Jesus e crer no Pai, não há como fazer uma separação. Além disso, prossegue Jesus: “assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo” (S. João 5:26), e isto revela que a mesma vida do Pai é a vida do Filho, e essa conceção de vida é eterna, pois como o próprio Evangelho segundo S. João afirma em seu início, “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele” (S. João 1: 1-4a). Ou seja, um relacionamento eterno, de eternidade a eternidade, uma conceção eterna.

No ano 325, os cristãos foram questionados: Jesus realmente é Deus? Qual a sua relação com o Pai? Duas propostas foram colocadas em debate pelos mais de 300 bispos reunidos em Nicéia:

1)  Jesus não teve começo e foi gerado pelo Pai a partir do seu próprio Ser, portanto é eterno e Deus verdadeiro juntamente com o Pai.

2)  Jesus teve início e é a primeira e maior criação.

Graças a Deus que, pelo poder e inspiração do Espírito Santo, estes servos do Altíssimo fincaram o pé nas Escrituras e, com base no Evangelho segundo S. João e em outros textos bíblicos, afirmaram: Jesus Cristo, o Verbo de Deus, é Deus, “gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo na virgem Maria e foi feito homem” (Credo Niceno).

Continuemos em nossos dias, a crer, ensinar e confessar do modo como o próprio Jesus ensinou, como os santos apóstolos proclamaram e como os Pais assim defenderam e reafirmaram. Afinal, Jesus Cristo é o Senhor!

Amém!

Rev. Helvécio J. Batista Jr.
Igreja Luterana em Naviraí/MS
Concílio de Niceia I, 325 AD – 19 de Junho, 2021 AD

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12/06/2021

Terceiro Domingo após Pentecostes (Próprio 6B) - 13 de junho de 2021



Ezequiel 17.22-24

2 Coríntios 5.1-10 (11-17)
Marcos 4.26-34

A Cruz de Cristo é a Árvore da Vida que produz frutos abundantes segundo a sua espécie

As parábolas de nosso Senhor transmitem os mistérios do reino de Deus “aos seus próprios discípulos”, que são catequizados para temer, amar e confiar nele pela fé (Mc 4.33–34). Ele “lança a semente na terra”, que “germina e cresce” para a vida, mesmo quando “ele dorme e acorda” (Mc 4.26–27). “No monte alto de Israel” o Senhor planta um ramo jovem e tenro e ele se torna “um cedro excelente”. Na verdade, a sua própria cruz veio a ser a Árvore da Vida, debaixo da qual “viverão pássaros de todo tipo”, e na qual “se aninharão aves de toda espécie” (Ez 17.22-25). Sua cruz é nosso lugar de descanso, mesmo agora que “gememos angustiados” em nossos corpos mortais (2Co 5.1–4). Porém, pela fé vivemos para Deus em Cristo, o qual por nós “morreu e ressuscitou” (2Co 5.15). Sabemos que, em seu corpo ressurreto, “temos da parte de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos humanas, eterna, nos céus” (2Co 5.1).

ORAÇÃO DO DIA:

Bendito Senhor, visto que fizeste que as Escrituras Sagradas fossem escritas para nosso ensino, concede que possamos ouvir, ler, observar, estudar e internamente digeri-las, a fim de podermos abraçar e sempre manter firme a bendita esperança da vida eterna; através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano: lecionários (Editora Concórdia).

11/06/2021

11 de junho - São Barnabé, Apóstolo

Envio de Barnabé e Saulo para a missão, por Cesare Mariani (1826-1901), na Basílica Papal de São Paulo Extramuros (Roma, Itália)

Hoje a igreja lembra o apóstolo São Barnabé. Separamos um pequeno trecho de Lutero sobre a salvação pela fé, independente da lei, experimentada e testificada por Barnabé:

"Paulo associou-se a duas testemunhas, Barnabé e Tito. Barnabé foi o companheiro de Paulo quando pregava entre os gentios a respeito da liberdade da lei. Era, também, uma testemunha de tudo o que Paulo fizera. Ele vira que o Espírito Santo fora dado aos gentios incircuncisos e não sujeitos à lei de Moisés tão somente pela pregação da fé em Cristo. E só ele manteve com Paulo o princípio de que não era necessário impor a lei aos gentios, mas que era suficiente que cressem em Cristo. Por isso, pela própria experiência, juntamente com Paulo, testificava contra os judeus, zelosos da lei, que somente pela fé em Cristo, independentemente da lei e da circuncisão, os gentios se tornariam filhos de Deus e se salvariam. Tito não era apenas cristão, mas, também, arcebispo, a quem Paulo confiou a tarefa de organizar as igrejas em Creta, segundo Tt 1[.5]. E ele fora um gentio, etc."

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Comentário da Epístola aos Gálatas, cap. 2 (1535), disponível em Obras Selecionadas Vol. 10: Interpretação do Novo Testamento - Gálatas - Tito)

06/06/2021

Citação de Lutero para o Ano da Igreja: Segundo Domingo após Pentecostes (Próprio 5B)


Julgar de acordo com sua própria razão, critério e opinião tolas... é como olhar através de um vidro pintado que perde a cor. Com seus pensamentos distorcidos, uma pessoa iludida não vê nada corretamente, mesmo quando confrontada com palavras de verdade; pois seu coração está amargurado e inflamado pelo ódio. Ele se parece com um vidro pintado. Ele julga os outros pelo padrão de seu próprio coração, como sendo um inimigo que ele odeia e despreza vigorosamente...

É assim que o mundo funciona. Ninguém vê seu vizinho com olhos límpidos, a não ser o cristão, cuja visão é brilhante e pura. Ele olha para seus inimigos com olhos de misericórdia e compaixão, e não deseja a eles nenhum mal... Ele sente compaixão por eles e ficaria feliz em vê-los salvo. Os outros contemplam o próximo com olhar de ódio, inveja e orgulho. Desta forma, eles olham para nós como malfeitores. Sobre isso o Senhor diz: “Não julgueis pelas aparências, mas julgai com justiça; isto é, olhe de forma justa para a minha obra e para mim.”

Isso foi registrado para nosso exemplo e para nosso consolo, para que não fiquemos alarmados quando a mesma coisa acontecer conosco. A verdade está sendo proclamada e ouvida, mas mesmo assim somos repreendidos por isso como mentiroso. E ainda que defendamos nosso posicionamento da maneira mais saudável possível e o tornemos mais claro que o sol, mesmo assim somos xingados e injuriados. É inevitável que sejamos maltratados e sejamos vistos com olhos de vidro. Bem, se isto não pode ser de outra forma, que permaneça assim. Isso é inevitável quando as pessoas veem as coisas através do vidro pintado, e eu não posso mudar isso. Cristo também experimentou isso. Chamaram-no de rebelde. Sim, o chamaram de Mestre da casa de Belzebu, por isso, também nos chamarão de demônios. E sofremos isso justamente; mas com a ajuda de Cristo vamos vencer, assim como ele venceu.

... As ações corretas, preciosas e boas realizadas pelos cristãos são contabilizadas como sem valor. Esse julgamento é inspirado por uma animosidade contra a pessoa. Os homens julgam com acepção de pessoa. Quando isso é feito, a pessoa rapidamente encontra defeitos nas ações dos cristãos, mesmo quando são boas.

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (Sermões acerca do Evangelho de João - cap. 7 (1531), disponível em LW 23:240-241).

Segundo Domingo após Pentecostes (Próprio 5B) - 6 de junho de 2021



Gênesis 3.8-15

2 Coríntios 4.13 — 5.1
Marcos 3.20-35

Jesus triunfou sobre o diabo e nos libertou da escravidão do pecado e da morte

O diabo nos iludiu, seduzindo-nos a desprezar e desobedecer a Palavra de Deus e nos levando a se esconder “da presença do Senhor Deus”. Mas em sua misericórdia, o Senhor prometeu um Salvador que se colocaria contra o diabo em nosso favor (Gn 3.8-15). Então veio o Filho do Homem, o Filho de Deus encarnado, concebido e nascido de mulher. Ele amarrou o valente (Satanás) ao se tornar propiciação pelos pecados do mundo, removendo assim a condenação da Lei e o medo da morte (Mc 3.27). Agora Jesus  Cristo saqueia a casa do diabo ao chamar todos os seres humanos ao arrependimento. Embora pareça estar “fora de si” (Mc 3.21), Jesus cumpre a vontade de Deus e torna a cada um de nós seus próprios irmãos e irmãs. “Por isso não desanimamos”, mesmo diante do sofrimento, pecado e morte que experimentamos neste mundo decaído. “Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus”. Por sua graça, nossa vida “se renova dia a dia”. Pois o Evangelho nos leva diariamente à presença de Cristo, não para punição, mas para “um eterno peso de glória” (2Co 4.14-17).

ORAÇÃO DO DIA:

Todo-poderoso e eterno Deus, teu Filho Jesus triunfou sobre o príncipe dos demônios e nos libertou da escravidão do pecado. Ajuda-nos a ficar firmes contra cada assalto de Satanás e capacita-nos sempre a fazermos a tua vontade; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano: lecionários (Editora Concórdia).

04/06/2021

O Tempo da Igreja no Ano Cristão


Ilustração: Arthur Kirchhoff (Ordering Our Days in His Peace, CPH)

Jesus disse aos discípulos: “Eu sou a videira, vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim vocês não podem fazer nada.”(João 15.5).  Cada um de nós foi enxertado em Jesus e nos tornamos um ramo da videira pelo poder do Espírito no Santo Batismo.  Permanecemos conectados a Jesus, nossa videira, ouvindo a pregação da Palavra de Deus e recebendo a Absolvição e Santa Ceia.  É assim que nossa vida em Cristo tem crescimento: pela força do Espírito que opera em nossos corações por meio da Palavra e Sacramento. Os Domingos após Pentecostes constituem a parte mais longa do Ano da Igreja.  Este é o Tempo da Igreja - o tempo no qual focamos em crescermos mutuamente na vida da Santíssima Trindade.

Santíssima Trindade: o Primeiro Domingo após Pentecostes

Somos batizados num único nome, o nome de Deus. Este nome é o nome “do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.  Existe um único nome, um único Deus - porém são três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada pessoa é Deus e cada pessoa não é outra, mas há um único Deus. Este é o grande mistério da Santíssima Trindade. No primeiro Domingo após Pentecostes, a Igreja celebra o Domingo da Santíssima Trindade e nos ensina a confessar o mistério do ser de Deus.

O Período após Pentecostes

Começa no dia seguinte após Pentecostes e termina com a oração do meio-dia no Sábado anterior ao Primeiro Domingo de Advento.

Os Domingos deste tempo do Ano da Igreja são conhecidos como Domingos após Pentecostes. Abordando tanto o Pentecostes como o tempo de crescimento, os Domingos após o Pentecostes são também chamados de Domingos Verdes.  É durante esse período que as Leituras enfocam os ensinamentos do Senhor para a Igreja. Ouvimos Jesus ensinando seus discípulos e curando os fiéis.

Visto que o período de Pentecostes é “comum” (como é nominado na Igreja Católica Romana), as congregações podem optar pela observância dos Dias Festivos que caem neste período. Quando dias santos ou comemorações importantes caem nos domingos, os líderes do culto podem destacá-los com intuito de proporcionar momentos de ensino sobre a amplitude da vida e obra da Igreja. Esses dias notáveis permitem ao cristão refletir sobre como nós adoramos “com os anjos e arcanjos e com toda a companhia celeste” (Prefácio da Liturgia Eucarística).

Último Domingo do Ano da Igreja

O Ano da Igreja começou com o Advento e uma alegre esperança e expectativa da vinda de Jesus para salvar o mundo por meio de sua encarnação. Agora, no Último Domingo após Pentecostes, a Igreja dá voz à alegre esperança da segunda vinda de Jesus para a ressurreição dos mortos e o juízo final. O enfoque do fim dos tempos no Último Domingo do Ano da Igreja traz temas de esperança e preparação semelhantes aos do Advento, que logo se segue.

Este calendário litúrgico, em sua essência, estava completo por volta do final do século VI, mas foi sendo modificado por meio de adendos e ênfases.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008)