quarta-feira, 14 de junho de 2017

O estado matrimonial


“No estado matrimonial há estas três partes: o desejo natural pelo sexo, depois o gerar filhos e descendência, além disso o morar debaixo do mesmo teto e a fidelidade mútua. E, mesmo assim, o diabo pode destroçá-lo de tal maneira que em nenhum lugar se encontre ódio mais amargo. Isso procede do fato de começarmos todas as coisas sem oração e com arrogância. Se uma pessoa jovem e piedosa quer casar, deve dizer: à Deus, concede graça para tanto! Mas isso não acontece. (...) Começam tudo com arrogância. ”

- Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja (WA TA 1,185)

terça-feira, 13 de junho de 2017

O casamento de Lutero e Catarina

 
Wittenberg se achava ainda sob o impacto da revolta dos camponeses, quando uma outra novidade fez sensação. A 13 de junho, menos de um mês após a batalha de Frankenhausen, o pastor Bugenhagen, assistido por Justo Jonas e por um jurista que serviam de testemunhas, deu a bênção ao matrimônio do doutor Martim Lutero com Catarina de Bora. O reformador tinha quarenta e dois anos; sua esposa tinha vinte e seis. Metida no convento sem verdadeira vocação para não estorvar o segundo matrimônio de seu pai, Catarina, como muitas de suas companheiras, deixara o claustro. Em maio, em plena tempestade, Lutero a pedira em matrimônio. “Quando pensava em bem outra coisa, escrevia, Deus me lançou de repente no estado de matrimônio. ”
Muitos de seus amigos desaprovaram energicamente este seu passo. O perigo de escândalo era demasiado evidente. “Se este monge se casa, o mundo inteiro e o próprio diabo esfregarão as mãos e toda a sua obra será aniquilada”, escrevia o jurista Schurf que, como Melanchthon, se negou a assistir às núpcias. Mas Lutero não perde a oportunidade para replica: “Por meu matrimônio chego a ser tão miserável que espero ver os anjos alegres e os diabos chorando.”

Fonte: GREINER, Albert. Lutero: ensaio biográfico. São Leopoldo: Sinodal, 1983. p. 159-160.

13 de junho de 1525: casamento de Catarina e Martinho

Gravura: Martin Luther und Katharina von Bora, por Martin Andrä

Em 13 de junho de 1525, Catarina e Martinho casam-se no Convento Negro. Quatorze dias mais tarde seguem o comparecimento público do novo casal à igreja e a festa de casamento.
Lutero não é o primeiro monge que se casa com uma freira. Este casamento, porém, ganha atenção especial, e não apenas a favor. Três anos mais tarde, o mestre Joaquim von der Heyden, de Leipzig, dirige uma carta aberta a Catarina, à “pobre mulher seduzida”. Ele a repreende por ter abandonado o convento e ter ido à Universidade de Wittenberg a procura de um “empregado que come fazendo barulho.” [...] Lutero, que recebeu carta semelhante de um outro mestre de Leipzig, escreve zombando de ambos. Apesar disso, deve-se registrar que Catarina mantém seu casamento em contraposição à opinião pública, na medida em que esta ainda é marcada por concepções da Idade Média tardia. O casamento dos teólogos ainda precisa buscar o reconhecimento público.

Do casamento realizado por razões sensatas surge uma relação afetuosa. Com frequência, cita-se o tratamento que Lutero usa nas cartas: “A meu amável e querido senhor Catarina Lutera, (...)”. Ela aparece, assim, como a chefe da casa, para alguns talvez como despótica. Mas esses tratamentos parodiavam tratamentos usuais em correspondências da época, por exemplo, aos príncipes-eleitores. Neles se mostra, antes, uma brincadeira confidencial entre os cônjuges, em que Lutero se coloca como súdito. Esse tratamento, além disso, só é documentado em 1529 e 1530. Mais elucidativo é o fato de que Lutero utiliza com maior frequência os atributos “amável”, “querida” e “amada” nas saudações e como forma de tratamento. A partir de 1534, Lutero se autodenomina em suas cartas “teu querido” ou “teu amado”. Ele também não se envergonha de falar dos relacionamentos mais íntimos, por exemplo quando escreve, 16 dias antes de sua morte: “para que você possa se consolar que, se pudesse, como você sabe, eu a teria amado...”. Nas cartas de Lutero à sua esposa é possível perceber o quanto Catarina se preocupa com ele durante suas viagens, e como Lutero – muitas vezes em tom jovial – se esforça para dissipar as preocupações dela. [...]

A germanista sueca Birgit Stolt, que analisou as cartas de Lutero à sua esposa, conclui: “Dos textos se depreende claramente que esse casamento entre duas pessoas maduras transformou-se em uma relação calorosa e harmônica, um casamento por amor, cuja intimidade não diminui com os anos, mas, pelo contrário, se aprofundou.”

Fonte: Junghans, Helmar. Temas da teologia de Lutero. São Leopoldo: Sinodal, 2001. p. 174-175.

domingo, 11 de junho de 2017

Domingo da Santíssima Trindade


O Domingo da Santíssima Trindade é uma oportunidade dentro do Ano Eclesiástico de recapitularmos com gratidão o mistério da salvação, que é a obra do Pai através do Filho, no Espírito Santo. O foco da celebração da Trindade não deve ser tanto a respeito da doutrina mas a respeito da venerável adoração, tal como é o foco no Credo Atanasiano: "a fé católica consiste em venerar um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade ... deve ser venerada a Trindade na unidade e a unidade na Trindade" (Livro de Concórdia, pág. 20-21).

Uma esplêndida exposição da Trindade também encontramos no conhecido hino que o bispo inglês Reginald Heber (1783-1826) escreveu para a celebração da Trindade:

Santo! Santo! Santo! Deus onipotente,       [Ap 4.8]
cedo de manhã, cantaremos teu louvor.       [Is 26.9]
Santo! Santo! Santo! Trino Deus, clemente,
és um só Deus, excelso Criador!       [Is 6.3]

Santo! Santo! Santo! Clamam os remidos,       [Ap. 4.6,10]
entoando salmos diante do Senhor.
Honra, glória e bênção rendem reunidos
ao Deus de eterno, infindo e grande amor.      [Ap 4.8b]

Santo! Santo! Santo! Deus, que és majestoso,
reinas com poder sobre a terra, céus e mar.
Desde todo o sempre foste, ó Deus glorioso;
tua grandeza nunca irá findar.       [Sl 29.1,2]

Santo! Santo! Santo! Deus que és sempre vivo,
tuas obras louvam teu nome com fervor.      [Ap 15.3,4]
Santo! Santo! Santo! justo e compassivo,      [Ap 5.13; Sl 145.8-10]
és um só Deus, supremo Criador!

O hino lembra a imagem da revelação do Senhor Deus Todo-poderoso a João nos capítulos 4 e 5 do Apocalipse e a visão de Deus do profeta Isaías (cap. 6), apresentando numa linguagem vívida, a glória e majestade do Deus Triúno (estrofe 1). Cada estrofe inicia com o Sanctus do culto eterno que toda a companhia celeste rende à Trindade Santa (estrofe 2). A este culto se junta a imperfeição de nosso louvor terreno que confessa o domínio do Deus majestoso sobre todas as coisas (estrofe 3). Ao mencionar a tríade de seu domínio (terra, céus e mar), o poeta sacro também enfatiza a essência trinitária do Deus glorioso. Finalmente, as obras majestosas do Pai, Filho e Espírito Santo revelam que a Trindade age com justiça e compaixão (estrofe 4) para a redenção da criação.

sábado, 3 de junho de 2017

Pentecostes: a festa do Espírito Santo

Cena do Pentecostes por Matthijs Voet na Paulskerk, em Antuérpia, Bélgica.

Neste domingo próximo celebraremos o Pentecostes, uma das festas mais importantes do calendário cristão, que lembra a descida do Espírito Santo sobre os seguidores de Cristo, exatamente 50 dias após a sua ressurreição e 10 dias após a sua ascensão.

O texto bíblico conta que naquele dia “havia em Jerusalém judeus, devotos a Deus, vindos de todas as nações do mundo” (At 2.5). Estavam ali por causa da Festa das Semanas, que já antes do tempo de Jesus, em virtude da influência grega, era chamada de Pentecostes, uma palavra que significa “quinquagésimo”, pois era celebrada 50 dias (sete semanas) após a Festa da Páscoa (Lv 23.15,16; Dt 16.9,10).
No antigo calendário bíblico esta festa acontecia na colheita dos primeiros frutos (primícias) do trigo (Ex 23.16; 34.22). Também passou-se a recordar a renovação da aliança feita com Noé e mais tarde com Moisés e a entrega da Lei no Monte Sinai. Mas era observada mais como uma festa de ação de graças, ocasião em que eram oferecidos ao Senhor dois pães feitos dos primeiros feixes de trigo colhidos.

É neste contexto festivo que os discípulos de Jesus estavam todos juntos, quando “de repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava” (At 2.2-4). Todos ouviram o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo ser proclamado em sua própria língua (At 2.10). Essa é a principal obra do Espírito Santo ainda hoje, quando ele reúne pessoas de todas as nações na santa Igreja, ensinando e lembrando tudo o que Jesus disse.
O Pentecostes foi o último acontecimento da obra salvadora de Jesus, a descida do Consolador que ele havia prometido. É esse derramamento do Espírito que os cristãos passaram a comemorar em seu Pentecostes. É a festa do Espírito Santo, a terceira pessoa da misteriosa Trindade que opera preservando a fé em nós, de maneira que “ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’, a não ser pelo Espírito Santo” (1Co 12.3). Este Espírito habita em nossos corações mediante a fé (Ef. 3.17). “Deus enviou o Espírito de seu Filho ao coração de vocês, e ele clama: ‘Aba, Pai’” (Gl 4.6).

Celebramos esta festa com grande alegria e fé na presença e poder do Espírito Santo na Igreja e em nossos corações, convencidos de que ainda hoje se repete o milagre do primeiro Pentecostes, quando Deus derramou neste dia o prometido Espírito Santo. No entanto, uma vez que a Igreja e cada um de nós ainda não alcançou a perfeição, façamos deste hino, conhecido desde o séc. XIII e popularizado por Lutero no séc. XVI, a nossa fervorosa prece ao Espírito Santo:

Ó Santo Espírito do Senhor,
dá-nos fé e verdadeiro amor!
Queiras confortar-nos em nossa vida;
Tua igreja mantém unida.
Kyrie eleison.

Domingo de Pentecostes

Abaixo, uma exposição do Rev. Horst R. Kuchenbecker sobre o hino Komm, Heiliger Geist, Herre Gott (Hinário Luterano, 142), publicado originalmente em Göttinger Predigten im Internet.




DOMINGO DE PENTECOSTES

Santo Espírito, ó nosso Deus,
concede os dons da graça aos teus,

Enchendo-os corações de amor.
Por tua grande luz, Senhor

Vieste os homens conduzir
à fé e um povo reunir 

De todas as nações aqui.
Por isso te exaltamos, Deus a ti.
Aleluia! Aleluia!


Ó Luz santa, vem avivar
em nós teu Verbo e nos guiar 

A conhecer o nosso Deus,
o verdadeiro Pai dos céus. 

Oh! Livra-nos de ensino vão
e faze-nos de coração

Só crer em Cristo e nele ver
 o nosso Mestre e fonte de poder.
Aleluia! Aleluia!


Amor santo, ó Consolador,
ajuda-nos com teu favor 

A sermos sempre a ti fiéis,
também nas horas mais cruéis.

Reveste-nos com teu poder
e fortalece o nosso ser, 

A fim de combatermos bem
e a vida obtermos junto a ti no além.
Aleluia! Aleluia!


Komm, Heiliger Geist, Herre Gott. - Trad. Martinho L. Hasse





Veni, Sancte Spiritus... Assim inicia um dos hinos da Igreja antiga para o dia de Pentecostes, que Lutero traduziu, reformulou e ampliou, em 1524. É um dos nossos mais queridos hino de Pentecoste. Vamos analisá-lo para nossa edificação.


v.1. Santo Espírito, ó nosso Deus, concede os dons da graça aos teus. - O hino fala do Espírito Santo, do seu ser, de sua pessoa e de sua obra, bem como da honra divina que lhe cabe.

Conforme seu ser, o Espírito Santo não é uma simples força espiritual que emana do Pai. Ele é, como Espírito, uma pessoa própria, que procede do Pai e do Filho desde a eternidade. Ele é um com o Pai e o Filho, igual a eles em poder, glória e majestade. Ele é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Por isso nós o adoramos, dizendo no hino: ó nosso Deus. Ele é chamado de santo não simplesmente por ser santo, mas por a obra da santificação ser seu principal trabalho.


Segue por isso o pedido: Concede os dons da graça aos teus. Este é o pedido dos fiéis.

O Espírito Santo atuou na criação. Espírito pairava sobre as águas. (Gn 1.2) Ele deu dons aos artífices que prepararam os diversos objetos para o tabernáculo do Antigo Testamento. Ele deu dons aos reis para poderem governar, como a Salomão. Ele deu dons aos profetas. Ele conduz ao arrependimento, à fé e a vida santificada.


No Novo Testamento sua principal função é glorificar a Cristo nos corações. Nossos pais resumiram seu trabalho da seguinte forma, na explicação do Terceiro Artigo do Credo Apostólico: Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele. Mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, iluminou com seus dons, santificou e conservou na verdadeira fé. Assim também chama, congrega, ilumina e santifica toda a cristandade na terra, e em Jesus Cristo a conserva na verdadeira e única fé. Por isso pedimos: Concede os dons da graça aos teus. Estes dons da graça são que ele continue chamando, iluminando, santificando, congregando, conservando na única e verdadeira fé.


Este "chamar" é um chamado poderoso, como quando Jesus chamou a Lázaro para fora da sepultura. Este chamado deu a Lázaro a vida e a força para poder sair da sepultura. O Espírito Santo atua pela Palavra, a palavra de Deus é poder. O "iluminar" com seus dons consiste em fazer compreender a Palavra de Deus e aceitá-la em arrependimento e fé, que é a confiança no perdão de Cristo, na graça de Cristo. Esta fé se revela, por sua vez, em verdadeiro amor a Deus e ao próximo. Isto inclui todo o processe da vida santificada, o rejeitar as obras das trevas, resistir ao diabo e fugir dele, vestir a couraça do Espírito, lutar, crescer na fé e nas boas obras. Ou como o confessamos na Quarta Parte do Batismo: Significa que o velho homem em nós, por contrição e arrependimento diários, deve ser afogado e morrer com todos os pecados e maus desejos, e, por sua vez, sair e ressurgir diariamente novo homem, que vive em justiça e pureza diante de Deus eternamente.


Tudo isso o Espírito Santo opera pela Palavra de Deus, não fora da Palavra. A Palavra lida e ouvida, a Palavra visível nos Sacramentos: Batismo e Santa Ceia. Fora da Palavra não temos o Espírito Santo. Quem busca o Espírito Santo fora da Palavra de Deus, corre o risco de ser enganado por seus próprios pensamentos e pelo diabo. Por isso pedimos: Vem Santo Espírito habita em nós pela Palavra, pela graça de Cristo, enche nossa alma com pensamentos puros, com tua vontade, firma-nos na verdadeira fé e acende em nós o verdadeiro amor a Deus e ao próximo.


Como dissemos, a verdadeira obra do Espírito Santo é engrandecer, glorificar a Cristo em nossos corações. Isto é, fazer-nos ver o grande amor de Cristo que se sacrificou por nós, para que confiemos plenamente no completo perdão de Cristo e sejamos diariamente consolados com esta graça.

Quem ainda não experimentou este impulso do Espírito Santo, deveria se perguntar: Será que sou cristão? Temos estes tesouros em fé, isto é, apegados à sua palavra, muitas vezes sem ver nem sentir.

Então o poete continua: Por tua grande luz, Senhor, vieste os homens conduzir, à fé e um povo reunir de todas as nações aqui. Por isso te exaltamos, Deus, a ti! Aleluia! Aleluia! Este é o conteúdo central deste hino: Congregar os fiéis e expandir o reino de Cristo, a Igreja do Novo Testamento.


Esta Igreja não surgiu de si mesma. Ela é uma maravilhosa criação do Espírito Santo. No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos. Ele operou maravilhosos sinais. Os discípulos, ainda cheios de medo, atrás de portas e janelas fechadas, ficaram cheios do Espírito Santo, jubilaram e saíram para proclamar corajosamente a boa nova da salvação. Eles, que ainda não haviam compreendido bem a obra de Cristo, agora a compreenderam. O Espírito Santo o clarificou em seus corações. Eles receberam o dom de falar em outras línguas para poderem proclamar o Evangelho, a boa nova da salvação a todos os presentes. As pessoas ali reunidas, para a segunda maior festa do povo judaico, na qual celebravam a entrega da lei de Deus a Moisés e a Festa da Colheita, judeus e prosélitos de todas as partes do mundo puderam ouvir o evangelho em sua própria língua materna.


Entre eles estavam muitos que no dia da Sexta-feira Santa haviam gritado: Crucifica-o! Agora, ouvindo a mensagem do apóstolo Pedro, caíram em si. Reconheceram seus pecados. Apavorados disseram aos apóstolos: Senhores, o que faremos? E o apóstolo Pedro pôde lhes dizer: Arrependei-vos, e cada um de vos seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. (At 2.38) A luz, o sol da graça brilhou em seus corações. O profeta Isaías havia profetizado: O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz (Is 9.2) Assim o Espírito Santo, que atua poderosamente pelo Evangelho, criou a Igreja Cristo e a mantém e expande até hoje.


O poeta sacro prossegue na segunda estrofe: Ó luz santa, vem avivar em nós teu Verbo e nos guiar a conhecer o nosso Deus, o verdadeiro Pai dos céus.


Aqui pedimos a verdadeira iluminação, para reconhecermos a verdade e adorar a Deus em espírito e verdade.


Estamos ainda em nossa carne, nossa natureza corrompida luta contra a fé. Estamos num mundo em trevas e cheio de falsos profetas. Pedimos que Deus Espírito Santo nos ilumine e guie para vencermos as trevas em nós e para não sermos enganados pelo mundo e os falsos profetas. Hoje muitos dizem: Doutrina não importa. O que importa é a vida. Não é verdade. A vida, como uma planta, precisa de boa terra, um bom fundamento, para se alimentar e firmar. Este bom alimento é o Evangelho, pelo qual o Espírito Santo gerou e mantém a fé e a mantém. Daí a importância do permanecer na verdade, como Jesus afirmou: Se permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo 8.31,32) O poeta sacro conclui este verso com a oração: Oh! Livra-nos de ensino vão e faze-nos de coração só crer em Cristo e nele ver o nosso Mestre e fonte de poder. Aleluia! Aleluia!
 

Na terceira estrofe lemos: Amor santo, ó Consolador, ajuda-nos com teu favor a sermos sempre a ti fiéis, também nas horas mais cruéis. Reveste-nos com teu poder e fortalece o nosso ser, a fim de combatermos bem e a vida obtermos junto a ti no além. Aleluia! Aleluia!


Horas de dor e sofrimento, em grau maior ou menor, nunca faltaram na cristandade e não faltam na vida de cada cristão. Ora são guerras, catástrofes da natureza, doenças, pobreza, etc. Diante das dificuldades, desesperamos facilmente. Também o trabalho no reino de Deus envolve sacrifícios, pois ali onde a verdade é confessada com clareza, experimentaremos o ódio do mundo (Jo 17.14; Jo 16.33), e como Jó, temos vontade de fugir. Mas o Espírito Santo que nos deu o amor ao trabalho, nos fortalece e nos dá força e ânimo para continuarmos fiéis. Ele nos consola.


Sua Palavra é rica em consolo. Por ela o Espírito Santo nos anima e dá forças para sermos perseverantes na luta. Ele nos manterá até o final, até passarmos do crer para o ver na glória celestial. Aleluia. Amém.



Pastor Horst R. Kuchenbecker

O que é Pentecostes?



O Domingo de Pentecostes inaugura um novo tempo no Ano da Igreja que se estende até o Dia de Todos os Santos!

Do grego "cinquenta", Pentecostes celebra a vinda do Espírito Santo aos apóstolos no quinquagésimo dia após a Páscoa. Neste dia, adoramos ao Senhor - que dá vida a Sua Igreja - ao decorar a igreja em vermelho e ao enfatizar o trabalho do Santo Espírito.

"Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem". Atos 2.1–4.

Após o Dia de Pentecostes, o período litúrgico de Pentecostes que vem a seguir relembra-nos a Igreja Antiga, como o Evangelho se espalhou. Durante este período do Calendário da Igreja, focamos no crescimento mútuo na fé na Santíssima Trindade. Verde é a cor que decora o altar, relembrando-nos de que, justamente como as plantas precisam de água e insumo para crescer e viver, assim também nós crescemos apenas se vivermos o nosso Batismo e ao ouvir a Palavra de Deus e receber a Santa Ceia.