07/12/2024

Segundo Domingo no Advento (Ano C)

A pregação de São João Batista, por Alessandro Allori (1535-1607)

Malaquias 3.1-7b
Salmo 66.1-12
Filipenses 1.2-11
Lucas 3.1-14(15-20)

A pregação do arrependimento nos prepara para a vinda do Senhor

A pregação e o “batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Lc 3.3) nos preparam para a vinda do Senhor Jesus Cristo. A obra histórica de São João Batista foi concluída com o primeiro advento de nosso Senhor Jesus na carne, mas o ministério do Precursor continua na pregação da Lei e Evangelho e no Santo Batismo. Através de seus mensageiros, o Senhor chama “toda a humanidade” para ver “a salvação que vem de Deus” (Lc 3.6). Nossa soberba é removida e nossa altivez é derrubada, mas o Senhor nos torna humildes a fim de nos exaltar em sua misericórdia. Assim como o Senhor começou esta boa obra de arrependimento em nós, ele também a aperfeiçoa pela sua Palavra e Espírito Santo, e “há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). Ele nos purifica para sermos seu povo sacerdotal, precioso aos seus olhos e abundante em fé e amor, para que ofereçamos nossa própria vida em justiça ao Senhor (Ml 3.3-4).

ORAÇÃO DO DIA:

Senhor Deus, age em nossos corações para prepararmos o caminho ao teu único Filho, para que pela sua vinda sejamos capacitados a te servir com a mente purificada; através do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

— Comentário traduzido e adaptado de Lectionary Summaries (The Lutheran Church—Missouri Synod). Salvo exceção, todas as citações da Bíblia Sagrada são da versão Nova Almeida Atualizada (NAA), da Sociedade Bíblica do Brasil. A Coleta é do Culto Luterano: lecionários (Editora Concórdia).









Ambrósio de Milão, Pastor e Compositor de Hinos - 7 de dezembro

Santo Ambrósio, por Matthias Stom (c. 1600 – c. 1652)


Ambrósio nasceu em Trier, atual Alemanha, por volta de 340 d.C., e foi um dos quatro grandes doutores latinos da Igreja (juntamente com Agostinho, Jerônimo e Gregório Magno). Foi um prolífico compositor de hinos, dos quais o mais conhecidos é Veni, Redemptor Gentium (“Vem, Ó Salvador dos Gentios”). Seu nome também está associado com o canto ambrosiano, o estilo de cantar a liturgia antiga na província de Milão. Enquanto serviu como governador civil, Ambrósio procurou trazer a paz entre os cristãos de Milão que estavam divididos em partidos discordantes. Quando era pra eleger um novo bispo em 374, Ambrósio dirigiu-se à multidão, então alguém gritou: “Ambrósio, bispo!” Toda a assembleia deu seu apoio. Esta aclamação de Ambrósio, um catecúmeno de 34 anos de idade, levou a seu batismo em 7 de dezembro, após o qual foi consagrado bispo de Milão. Um forte defensor da fé, Ambrósio convenceu o imperador romano Graciano, em 379, a proibir a heresia ariana no Ocidente. Diante da insistência de Ambrósio, o sucessor de Graciano, Teodósio, também se opôs publicamente ao arianismo. Ambrósio morreu numa Sexta-feira Santa, em 4 de abril de 397. Ambrósio foi um corajoso doutor e músico da igreja que permaneceu na verdade da Palavra de Deus.

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Deus, tu deste a teu servo Ambrósio graça para proclamar o Evangelho com eloquência e poder. Como bispo da grande congregação de Milão, ele destemidamente suportou o opróbrio para a honra de teu nome. Concede misericordiosamente a todos os bispos e pastores tal excelência na pregação e na fidelidade em ministrar tua palavra para que o teu povo seja participante da natureza divina; através de Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concórdia Publishing House, 2008. p. 992-993)

06/12/2024

Nicolau de Mira, Pastor – 6 de dezembro

Ícone de São Nicolau de Mira

Dos muitos santos comemorados pela Igreja Cristã, Nicolau († 342 d. C.) é um dos mais conhecidos. Historicamente se sabe muito pouco sobre ele, embora houvesse uma igreja de São Nicolau, em Constantinopla, logo no início do século VI. Pesquisas afirmam que no século IV havia um bispo com o nome de Nicolau na cidade de Mira, na Lícia (parte da atual Turquia). A partir dessa localização costeira, tradições a respeito de Nicolau viajaram ao longo do tempo e do espaço. Ele é associado com a doação de caridade em muitos países ao redor do mundo e retratado como auxiliador dos marinheiros, protetor das crianças e amigo de pessoas em aflição ou necessidade. O dia 6 de dezembro é o dia de dar e receber presentes em muitas partes da Europa, em comemoração a “Sinterklaas”.

ORAÇÃO DO DIA:

Todo-poderoso Deus, que concedeste a teu servo Nicolau de Mira a dádiva perpétua da caridade. Concede à tua Igreja a graça tratar com generosidade e amor as crianças e todos os que estão pobres e aflitos e defender a causa dos que não têm ajudadores, especialmente aqueles abalados pelas tempestades da dúvida e da dor. Pedimos isso por amor daquele que deu a sua vida por nós, teu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 989)

04/12/2024

João Damasceno, Teólogo e Compositor de Hinos - 4 de dezembro

Ilustração de Mateus Alderman (João Damasceno com Ícone da Theotokos. 2010. matthewalderman.com)

João Damasceno (c. 675-749) é conhecido como o grande compilador e sintetizador da fé ortodoxa e o último grande Pai da Igreja Grega. João nasceu em Damasco e abriu mão de uma influente posição no califado islâmico para se dedicar à fé cristã. Por volta de 716 entrou num mosteiro perto de Jerusalém e foi ordenado sacerdote. Quando o imperador bizantino Leão, o Isáurio, emitiu um decreto iconoclasta em 726, proibindo os ícones, João se opôs vigorosamente. João também escreveu defesas da fé ortodoxa contra as heresias de seu tempo. Além disso, ele foi um talentoso compositor de hinos (como “Vinde, vós, fiéis, cantai”, nº 99 do Hinário Luterano) e também deu sua contribuição para a liturgia das igrejas bizantinas. Sua maior obra foi a “Fonte da Sabedoria”, um grande compêndio de escritos dogmáticos de teólogos cristãos que o antecederam, abrangendo praticamente todos os tópicos doutrinários concebíveis. O sumário da fé ortodoxa de João de Damasco deixou uma marca duradoura tanto na igreja do Oriente quanto do Ocidente.

ORAÇÃO DO DIA:

Ó Senhor, por meio de teu servo João Damasceno, proclamaste com poder os mistérios da fé verdadeira. Confirma a nossa fé para que possamos confessar que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, cantando o louvor ao Senhor ressuscitado e para que, pelo poder da ressurreição, também possamos alcançar as alegrias da vida eterna, através de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Fonte: Treasury of Daily Prayer (St. Louis: Concordia Publishing House, 2008. p. 981)

O Ano da Igreja Cristã


 Três seções principais compõem o Ano da Igreja: o Tempo do Natal, o Tempo da Páscoa e o Tempo da Igreja.

Cada uma dessas seções principais do Ano da Igreja conta uma parte da história da salvação.

No Tempo do Natal, ouvimos o início da história de Jesus, de como o Pai enviou seu Filho para nascer da Virgem Maria em Nazaré.

O Tempo da Páscoa nos conta a história do que Jesus fez por nós: Ele morreu na cruz por nossos pecados e ressuscitou dos mortos para nossa salvação.

No Tempo da Igreja, ouvimos como o Espírito nos leva para dentro da história de Jesus: na Palavra, que cria a fé que crê em Jesus como nosso Salvador; no Batismo, que nos torna membros da família de Deus, a Igreja; e na Ceia do Senhor, que nos fortalece com a Palavra que perdoa nossos pecados.

Essa é a história de como Deus nos ama e deseja que vivamos em paz com Ele. É assim que Deus ordena nossos dias na sua paz.

- A Simple Explanation of the Church Year (Concordia Publishing House, pág. 3)

02/12/2024

AD TE LEVAVI ~ I Domingo no Advento

 


O Evangelho de nosso Senhor segundo S. Mateus 21: 1-9

Quem é este Senhor a quem podemos “elevar nossa alma?” (Salmo 25:1). Quem é este que não permite que sejam envergonhados “todos aqueles que nele esperam?” (Salmo 25:3).

Assim escreve o Profeta Jeremias: “Eis que vem dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo Justo; e, como Rei que é, reinará, agirá com sabedoria e executará o juízo e a Justiça na terra.” (Jeremias 23:5).

Quem é este Senhor em quem “podemos esperar”? Quem é este Rei que “reina com sabedoria e executa o juízo e a justiça”? Segundo o Apóstolo Paulo, “seu dia vem chegando” (Romanos 13:12), e por isso “a salvação está agora muito mais perto” (Romanos 13:11).

Quem é este Senhor, Rei e Salvador? Há quase dois mil anos, entrou na cidade de Jerusalém um homem que foi chamado de Senhor; que montado sobre um jumentinho foi saudado e aclamado como Rei; e que ali estava, em meio a toda aquela procissão com o único objetivo de, naquela cidade, conquistar a salvação para todo o seu povo. Em sua presença, “as multidões, tanto as que iam adiante dele como as que o seguiam, clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” (Mateus 21:9).

Quem é, portanto, este Senhor, Rei e Salvador, que as multidões exaltam como o Descendente de Davi, aquele que é Bendito, aquele em quem se pode depositar todas as súplicas de Hosana – isto é, súplicas por salvação? Quem é este?

De acordo com o Salmo para este dia, ele é “Deus” (Salmo 25:2). Segundo a Profecia para este Primeiro Domingo no Advento, ele é a “Nossa Justiça!” (Jeremias 23:6). Conforme a Epístola que a pouco ouvimos, ele é “Jesus Cristo” (Romanos 13:14). Por isso, o Evangelista Mateus, ao relatar sua entrada em Jerusalém, não tem dúvidas de que aquele momento ocorreu para que se cumprisse as Escrituras que ensinavam: “Digam à filha de Sião: Eis que o seu Rei vem até você, humilde, montado em jumenta, e num jumentinho, cria de animal de carga!” (Mateus 21:5 e Zacarias 9:9).

Este homem não é somente homem, mas também é Deus, e por isso, é Rei e Salvador. No entanto, respondendo ao clamor do seu povo que ora: “Senhor, mostra-nos a sua misericórdia e concede-nos a tua salvação” (Salmo 85:7), ele deixou sua glória para estar entre os seus. Por causa disso, nele podemos esperar com toda a confiança. Afinal, ele – por sua amorosa vontade – é a “Justiça Nossa” que desceu dos céus, se encarnou pelo Espírito Santo na abençoada virgem Maria, foi feito homem e realizou pelo ser humano aquilo que jamais o ser humano poderia fazer.

Este Senhor, Rei e Salvador, entretanto, não veio e não esteve entre os seus somente há dois mil anos atrás. Hoje ele continua vindo entre nós, hoje ele continua se fazendo presente entre nós, e por isso hoje, tanto podemos clamar com nossos “hosanas” quanto confessar que sim, “a salvação está muito perto de nós”. Por isso, “deixemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da Luz” (Romanos 13:12). Em outras palavras, “sejamos revestidos unicamente do Senhor Jesus Cristo” (Romanos 13:14). Pois é somente ele que pode “conceder aquilo que é realmente bom” (Salmo 85:12) e que tanto necessitamos em nossa vida.

Mas, pastor, há dois mil anos atrás as pessoas podiam enxergar Jesus, podiam ser purificadas por Jesus, podiam ser perdoadas diretamente por Jesus, podiam sentar e ouvir Jesus pregar, podiam até mesmo estar a mesa com Jesus. E hoje?

Hoje não é diferente! Por meio da Palavra e dos Sacramentos, vocês podem enxergar o mesmo Jesus. Por exemplo, através do Santo Batismo, vocês são purificados por ele; através da Santa Absolvição, vocês são perdoado diretamente por ele; através da Santa Pregação, vocês ouvem a voz dele; e através da Santa Ceia, vocês estão a mesa com ele, sendo servidos por ele, e mais, se alimentando dele mesmo.

Aquele que veio é aquele que vem hoje, e este Senhor, Rei e Salvador que veio e que continua vindo também virá novamente em glória para que todos aqueles confiam na obra que realizou por meio de sua encarnação, e que permanecem esperando nele através de sua Palavra e Sacramentos, possam desfrutar da eterna festa da redenção que ele trará consigo. Afinal, ele executará o juízo para com aqueles que o rejeitam, mas para com aqueles que nele confiam ele executará a justiça, e então, sobre toda a terra ele plenamente reinará e nós poderemos viver debaixo unicamente da sua salvação, ou seja, da justiça que vem em nome do Senhor e que eternamente estará não apenas perto, mas vestida em cada um nós! Esperemos nele, e façamos isso, confiando nele e também hoje vivendo nele!

Amém!

 

Rev. Helvécio J. Batista Jr.
Igreja Luterana Santíssima Trindade, Naviraí/MS
I Domingo no Advento, 2024 AD


01/12/2024

Sem encarnação não haveria expiação (John T. Pless)

Kreuz und Krippe, de Beate Heinen, 1986.

Os cristãos, individualmente, e a igreja, corporativamente, vivem dentro do tempo. A vida é marcada por dias e estações. Os luteranos herdaram o Ano Eclesiástico e o receberam como uma dádiva graciosa que molda os contornos e o conteúdo da proclamação evangélica.

O contexto do sermão tem seu lugar não apenas na ordem litúrgica da Palavra e Sacramento, mas também no calendário cristão, como espaço para a pregação de “todo o conselho de Deus”.

Historicamente e teologicamente, o Ano Eclesiástico está centrado na morte e ressurreição de Jesus Cristo (1 Co 5.7-8, Rm 4.24-25). […]

O Ano Eclesiástico se movimenta em direção à morte e ressurreição de Jesus ou flui a partir daí. A indicação do mesmo Evangelho do Domingo de Ramos (Mt 21.1-9) para o Primeiro Domingo do Advento é um indicativo desse movimento, pois Jesus vem a Jerusalém para sofrer e morrer.

A sua vinda na carne para se oferecer como sacrifício pelo pecado, para reconciliar o mundo consigo mesmo, fornece o foco na sua vinda apocalíptica no fim da história e sua vinda agora na pregação de arrependimento e fé. João Batista aponta Cristo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.19-28). A proclamação de João nos leva aos umbrais do Natal.

O Natal é necessário para a cruz, ou seja, sem encarnação não haveria expiação. Para que Deus morra pelo pecado, Ele precisa assumir carne e sangue humanos. O Verbo se torna carne para habitar entre pecadores e morrer a morte deles.

A marca da cruz é evidente nos evangelhos de Natal, quando o menino Jesus nasce em meio à pobreza, deitado numa manjedoura, e se torna alvo da perseguição de Herodes.

O primeiro derramamento do sangue de Cristo acontece no oitavo dia, por ocasião da sua circuncisão. Seu nascimento é permeado pela morte (Santo Estêvão, o primeiro mártir e os Santos Inocentes, 26 e 28 de dezembro, respectivamente) e João, o apóstolo que nos fala da sua encarnação (29 de dezembro), sofrerá o exílio em Patmos.

- John T. Pless (Notes on the Church Year)