31/08/2013

Comunhão de pecadores

Essa é a comunhão dos santos na qual nos gloriamos. E quem não se orgulharia disso, também nos maiores males, quando crê que os bens de todos os santos são seus bens, e que seu mal é também o deles?
Pois essa imagem é a mais doce e agradável, e o apóstolo a pinta aos gálatas com a seguinte palavra: “Carregai as cargas um do outro, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gaiatas 6.2). Acaso não é bom nós estarmos aqui onde, se um membro sofre, todos os membros também sofrem, e se um é glorificado, todos os membros se alegram com ele? Por isso, quando sofro eu, já não sofro sozinho; sofrem comigo Cristo e todos os cristãos.
Assim outros carregam meu fardo, a força deles é a minha. A fé de minha igreja socorre-me na perturbação; a castidade dos outros suporia a tentação de minha libido; os jejuns dos outros são meus lucros; a oração alheia preocupa-se comigo.
Em suma, os membros preocupam-se uns com outros de tal modo que os mais honestos protegem também os desonestos, lhes servem, os honram, conforme São Paulo descreve com beleza (I Coríntios 6).

-- Bem-aventurado Martinho Lutero, Catorze consolações para os que sofrem e estão onerados (Rieth, Ricardo Willy. Martim Lutero, discípulo, testemunha, reformador: meditações. São Leopoldo: Sinodal, 2007, p. 100)

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